Ex-primeira-dama estreia nas urnas na liderança da disputa ao Senado, PL conquista as duas cadeiras em jogo e consolida força da direita no DF; no governo, Celina Leão termina com 49,93% e enfrentará Leandro Grass em 25 de outubro
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | DISTRITO FEDERAL
O resultado das Eleições 2026 no Distrito Federal desenhou um cenário de forte presença da direita nas urnas. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas para o Senado, garantindo ao mesmo partido as duas vagas que estavam em disputa.
Ao mesmo tempo, a eleição para o Governo do Distrito Federal ficou aberta. Celina Leão (PP) chegou muito perto de liquidar a disputa no primeiro turno, mas terminou com 49,93% dos votos válidos e terá de enfrentar Leandro Grass (PT), que recebeu 34,47%, no segundo turno.
O resultado coloca o Distrito Federal entre os territórios que merecem atenção especial na leitura do novo mapa político brasileiro. Se, por um lado, a direita demonstrou força suficiente para conquistar as duas vagas ao Senado, por outro, a disputa pelo comando do governo local ainda terá mais um capítulo.
MICHELLE ESTREIA NAS URNAS COM VITÓRIA
A eleição de Michelle Bolsonaro (PL) é um dos resultados políticos de maior repercussão no Distrito Federal.
Em sua primeira disputa por um cargo eletivo, a ex-primeira-dama terminou na liderança da corrida ao Senado.
Com 100% das urnas apuradas, Michelle recebeu cerca de 938 mil votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos.
Bia Kicis (PL) conquistou a segunda cadeira, com aproximadamente 886 mil votos e 27,44%.
Somadas, as duas candidaturas do PL ultrapassaram 1,8 milhão de votos para o Senado. É importante observar que, nesta eleição, cada eleitor poderia escolher dois candidatos ao cargo. Portanto, a soma não corresponde a 1,8 milhão de eleitores diferentes, mas dimensiona a força eleitoral alcançada pela chapa do partido.
A vitória também impediu a reeleição de Leila Barros (PDT) e promove uma mudança importante na composição política da representação do Distrito Federal no Congresso Nacional.
PL FICA COM AS DUAS VAGAS DO DISTRITO FEDERAL
Politicamente, este é um dos principais recados deixados pelas urnas no Distrito Federal: o PL não conquistou apenas uma cadeira — ficou com as duas vagas para o Senado colocadas em disputa em 2026.
Michelle Bolsonaro chega ao Congresso como um novo nome eleitoral da direita nacional, enquanto Bia Kicis deixa a Câmara dos Deputados para assumir uma cadeira no Senado.
O resultado amplia o peso político do campo conservador na representação de Brasília.
A terceira cadeira do Distrito Federal no Senado não estava em disputa nesta eleição e permanece com Damares Alves (Republicanos), cujo mandato segue até 2031.
Dessa forma, a partir de 2027, a bancada do Distrito Federal no Senado será formada por Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Damares Alves (Republicanos).
Trata-se de uma composição integralmente formada por mulheres e concentrada no campo político da direita.
CELINA LEÃO FICA A UM PASSO DA VITÓRIA
Se a disputa pelo Senado terminou com uma vitória contundente do PL, a corrida pelo Governo do Distrito Federal reservou um resultado muito mais apertado.
Celina Leão (PP) recebeu 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass (PT) obteve 569.930 votos, ou 34,47%.
A diferença entre os dois candidatos chegou a 255.600 votos.
Mas o número que melhor traduz o resultado é outro: Celina terminou apenas 0,07 ponto percentual abaixo da maioria absoluta necessária para encerrar a eleição no primeiro turno.
Por uma margem mínima, portanto, a definição do comando do Distrito Federal foi adiada.
Celina Leão e Leandro Grass voltam às urnas em 25 de outubro para o segundo turno.
SEGUNDO TURNO COMEÇA COM CELINA EM VANTAGEM
O resultado coloca Celina Leão em posição privilegiada para a etapa decisiva da eleição, mas abre uma nova disputa pela transferência dos votos dos candidatos eliminados.
Leandro Grass terá o desafio de ampliar significativamente sua votação e buscar não apenas o eleitorado tradicional da esquerda, mas também eleitores que optaram por outras candidaturas no primeiro turno.
Celina, por sua vez, precisa transformar a vantagem construída no domingo em maioria absoluta.
A distância entre os dois candidatos no primeiro turno é expressiva, mas o segundo turno cria uma eleição politicamente diferente: são apenas dois nomes na urna e as alianças, apoios e movimentos partidários das próximas semanas passam a ter peso decisivo.
FLÁVIO BOLSONARO LIDERA VOTAÇÃO PRESIDENCIAL NO DF
O desempenho da direita no Distrito Federal também apareceu na disputa pela Presidência da República.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança entre os eleitores do DF, reforçando uma tendência política que também apareceu de maneira contundente na eleição para o Senado.
A combinação desses resultados ajuda a explicar o peso do Distrito Federal na estratégia nacional da direita: além da votação presidencial, o PL conseguiu transformar sua força eleitoral local em duas cadeiras no Senado.
DISTRITO FEDERAL MANDA RECADO POLÍTICO PARA O PAÍS
A fotografia das urnas no Distrito Federal vai além da eleição de nomes individuais.
A vitória simultânea de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, somada aos 49,93% conquistados por Celina Leão, demonstra uma presença eleitoral muito forte da direita e da centro-direita no DF.
Mas existe uma diferença importante entre força eleitoral e domínio absoluto.
O segundo turno para o governo mostra que existe um campo de oposição relevante. Leandro Grass chega à disputa de 25 de outubro com a missão de concentrar o voto contrário a Celina e reduzir uma diferença superior a 255 mil votos.
Para o PL, porém, uma parte fundamental da eleição já está decidida.
O partido sai do primeiro turno com as duas vagas do Distrito Federal no Senado e projeta Michelle Bolsonaro diretamente para o centro do debate político nacional a partir de 2027.
O resultado também transforma a bancada brasiliense no Senado em uma das mais politicamente homogêneas do país: Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves formarão uma representação composta exclusivamente por mulheres e alinhada majoritariamente ao campo conservador.
No Distrito Federal, portanto, as urnas deram um recado claro sobre a correlação de forças de 2026: a direita venceu a batalha pelo Senado, liderou a votação presidencial e chegou muito perto de resolver o governo no primeiro turno — mas a última palavra sobre o Palácio do Buriti ficará para 25 de outubro.
