Desabamento com mortes na zona leste da capital paulista e investigações que tensionam o Supremo Tribunal Federal marcam o noticiário nacional.
A terceira semana de chuvas contínuas no estado de São Paulo provocou alagamentos severos, o transbordamento do Rio Tietê e tragédias com vítimas fatais. No bairro da Penha, zona leste da capital, o desabamento de um prédio irregular em construção sobre uma residência resultou na morte de seis pessoas de uma mesma família boliviana, incluindo uma mulher grávida e uma criança de sete anos. A obra, de responsabilidade da construtora New Home, já possuía ordem judicial de demolição desde 2021 devido a problemas na fundação. A Polícia Civil prendeu temporariamente Ronaldo Viváqua, apontado como sócio oculto da empresa, enquanto outros dois representantes, Cristiano Viváqua e Isis Brandão, são considerados foragidos. O prefeito Ricardo Nunes acionou a Controladoria Geral do Município para investigar possíveis falhas de fiscalização e responsabilidades de agentes públicos na liberação do alvará.
Os temporais também causaram estragos massivos na Região Metropolitana e no interior. Em Jandira, dois homens foram arrastados por uma enxurrada, resultando em um óbito confirmado e buscas contínuas por um desaparecido. No Vale do Ribeira, a cheia dos rios isolou comunidades, forçando o deslocamento de 110 famílias para 19 abrigos em cidades como Eldorado, Iporanga e Registro. Em contrapartida, o alto volume pluviométrico trouxe alívio aos mananciais paulistas, elevando o Sistema Cantareira a 37,6% de sua capacidade útil e o Guarapiranga a 85,6%. Esse cenário levou o governador Tarcísio de Freitas a reduzir de dez para oito horas o período de restrição noturna de pressão na rede de abastecimento de água da Sabesp.
Na esfera política, a Polícia Federal deflagrou no Distrito Federal a terceira fase da Operação Transparência, tendo como alvo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura a prática de crimes como tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro junto a tribunais superiores. O parlamentar, que é uma forte liderança evangélica, atuou como principal articulador político no Congresso para a indicação do ministro André Mendonça ao STF. A operação ocorre em meio a uma profunda crise institucional na Corte, polarizada por embates entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Para conter a escalada da tensão, o ministro Edson Fachin retirou processos das mãos de Mendonça e pautou as denúncias envolvendo os magistrados para avaliação iminente no plenário.

