Em análise divulgada pelo LIDE Global, Andrei Roman afirma que a repercussão do caso envolvendo o Banco Master ainda pode interferir na percepção do eleitorado sobre Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes mostram Renan Santos consolidado como uma terceira força no primeiro turno, enquanto a disputa entre Lula e Flávio permanece competitiva.
Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | Nacional
A corrida pela Presidência da República em 2026 entra em uma fase em que rejeição, desgaste de imagem e capacidade de ocupar espaços deixados pelos principais candidatos podem ser tão importantes quanto a intenção de voto já consolidada. Em análise repercutida pelo LIDE Global, Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, avalia que o chamado Caso Master ainda tem potencial para produzir efeitos sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e, paralelamente, criar terreno para o crescimento de Renan Santos, candidato do Missão.
A avaliação ganha relevância porque o episódio envolvendo o Banco Master já apareceu associado a mudanças na percepção do eleitorado. Levantamento da AtlasIntel divulgado em maio, após a repercussão de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, mostrou que o assunto alcançou grande parcela dos entrevistados. Naquele momento, 95,6% disseram ter conhecimento do áudio e 93,9% afirmaram tê-lo ouvido.
O impacto político, entretanto, não deve ser interpretado como uma fotografia definitiva da eleição. Pesquisas mais recentes indicam que Flávio continua competitivo na disputa presidencial. Levantamento Nexus/BTG divulgado no início de agosto apontou redução da distância entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçando que o cenário permanece aberto e sujeito a oscilações.
Renan Santos tenta ocupar espaço fora da polarização
É justamente nesse ambiente que Renan Santos busca avançar. O candidato do Missão vem aparecendo atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, mas à frente de nomes tradicionais da direita em alguns cenários pesquisados pela AtlasIntel.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho, Renan se descolou de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, fortalecendo a posição de terceira alternativa no primeiro turno. O movimento chama atenção porque ocorre em uma eleição ainda fortemente estruturada em torno da polarização entre PT e bolsonarismo.
Para Renan, portanto, o desafio não é apenas crescer numericamente. É transformar eventual rejeição aos dois principais campos políticos em voto. Isso exige ampliar conhecimento nacional, estrutura partidária e capacidade de dialogar com eleitores que desejam uma alternativa, sem perder o segmento jovem e digital onde sua candidatura encontra espaço.
Caso Master vira variável política da campanha
O ponto levantado por Andrei Roman coloca o Caso Master como uma variável de risco eleitoral para Flávio Bolsonaro, principalmente se novas informações mantiverem o episódio no centro do noticiário durante a campanha.
O efeito, porém, não é automático. Uma crise envolvendo determinado candidato pode aumentar sua rejeição sem necessariamente transferir votos diretamente para um adversário. Parte pode migrar para outros candidatos, para indecisos ou até permanecer no mesmo campo político. Por isso, o desempenho de Renan Santos dependerá de sua capacidade de converter desgaste dos favoritos em apoio efetivo.
Também existe outro componente: o eleitorado ainda poderá reagir a fatos econômicos, decisões judiciais, alianças partidárias, debates, propaganda eleitoral e acontecimentos surgidos durante a campanha. Com a aproximação das urnas, cada episódio passa a ser disputado politicamente pelas candidaturas.
Disputa permanece aberta
A avaliação publicada pelo LIDE Global reforça, portanto, que a eleição presidencial de 2026 não pode ser analisada apenas pelos números isolados de uma pesquisa.
Lula e Flávio Bolsonaro seguem como os principais polos da corrida, enquanto Renan Santos tenta consolidar uma terceira via eleitoral. O Caso Master acrescenta uma camada de imprevisibilidade: se ampliar a rejeição de Flávio, poderá alterar não apenas a distância para Lula, mas também a distribuição dos votos dentro do próprio campo da direita e entre os eleitores que rejeitam a polarização.
A eleição entra, assim, em uma etapa em que a pergunta deixa de ser apenas quem lidera, e passa também por quem tem menor teto de crescimento, maior rejeição e capacidade de sobreviver politicamente às crises que surgirem até outubro.
Fonte da análise que motivou esta reportagem: LIDE Global, com declaração de Andrei Roman, CEO da AtlasIntel. Dados eleitorais contextualizados pela reportagem com levantamentos públicos recentes.
