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Caso Master amplia pressão institucional: 157 empresários e economistas pedem afastamento cautelar de autoridades investigadas

Manifesto reúne nomes de peso do mercado e cobra investigação independente, afastamento preventivo de autoridades formalmente investigadas e código de conduta para cortes superiores; movimento ocorre a poucas semanas das eleições de 2026.

Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA E ECONOMIA | BRASIL

A crise envolvendo as investigações do Banco Master ganhou uma nova frente de pressão fora de Brasília. Um grupo de 157 empresários, economistas, executivos e profissionais liberais assinou um manifesto cobrando respostas das instituições diante dos desdobramentos do caso.

Intitulado “Manifesto público pela lei e pelo Brasil”, o documento foi divulgado nesta terça-feira (8) e estabelece três reivindicações principais: apuração completa, célere e independente dos fatos; afastamento cautelar de quem for formalmente investigado; e adoção de um código de conduta vinculante para cortes superiores e órgãos de investigação e acusação.

O ponto central é que o manifesto não aponta culpados nem pede punição antecipada. O afastamento defendido pelos signatários seria de natureza cautelar e direcionado às autoridades que venham a ser formalmente investigadas. O próprio texto sustenta a necessidade de preservação das garantias do devido processo legal.

Peso do mercado aumenta repercussão

Entre os signatários estão nomes com forte presença na economia brasileira, como Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central; Gustavo Franco, também ex-presidente do BC e um dos formuladores do Plano Real; Persio Arida, ex-presidente do Banco Central e do BNDES; André Lara Resende, economista e ex-presidente do BNDES; Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Frederico Trajano, CEO da companhia; Fábio Barbosa, ex-presidente do Santander e presidente do Conselho da Natura; e Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente do BNDES.

Também aparecem na relação executivos e empresários como Candido Bracher, Horácio Lafer Piva, Jayme Garfinkel, Walter Schalka e Pedro Parente, além de representantes de diferentes áreas da sociedade civil.

A presença de economistas ligados à formulação e condução do Plano Real, ex-dirigentes do Banco Central, do BNDES e de grandes companhias dá ao movimento uma dimensão que ultrapassa a discussão estritamente jurídica do caso Master e alcança o debate sobre segurança institucional, governança e confiança nas instituições brasileiras.

Manifesto mira instituições, não apresenta lista de autoridades

Um cuidado importante para a leitura política do documento: o manifesto não apresenta uma relação nominal de autoridades que deveriam ser afastadas.

O texto afirma que os acontecimentos relacionados ao caso alcançam diferentes estruturas de poder — incluindo Supremo, Polícia Federal, Ministério Público, Congresso e grupos próximos tanto do atual quanto do ex-presidente da República — e sustenta que as responsabilidades devem ser individualizadas por meio de investigação.

Essa formulação procura apresentar o movimento como uma cobrança institucional, e não como uma manifestação vinculada diretamente a um dos campos políticos que disputam as Eleições 2026.

Caso Master entra de vez no ambiente eleitoral

O momento da divulgação também aumenta o peso político da iniciativa.

O próprio manifesto registra que o Brasil está a poucas semanas das eleições presidencial, legislativas e estaduais. Com isso, a crise em torno do Banco Master deixa de produzir efeitos apenas nos campos financeiro e judicial e passa a integrar diretamente o ambiente político da reta final da campanha eleitoral.

Paralelamente, a crise institucional ganhou outro capítulo nesta semana com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A Segunda Turma do STF formou maioria para referendar a decisão, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

É nesse ambiente de tensão entre instituições que a manifestação de empresários ganha dimensão política: parte relevante do setor econômico passa a cobrar publicamente mecanismos de afastamento, investigação independente e regras de conduta para integrantes das estruturas responsáveis por investigar e julgar o próprio caso.

Para os signatários, a questão central ultrapassa nomes individuais. A preocupação apresentada no documento é com a possibilidade de que suspeitas sobre relações de proximidade ou interesses envolvendo agentes públicos comprometam a confiança da sociedade no sistema de Justiça.

O movimento adiciona, portanto, mais um elemento de pressão ao caso Master: além das consequências policiais, judiciais e políticas, o episódio passa a provocar uma reação organizada de integrantes do empresariado e do mercado financeiro justamente na reta final das Eleições 2026.

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