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Bahia: PT volta à liderança com Jerônimo, mas empate técnico com ACM Neto deixa eleição aberta

Jerônimo Rodrigues (PT) chega a 45% contra 44% de ACM Neto (União Brasil) e retoma a dianteira numérica da disputa; segundo turno repete diferença de apenas um ponto, enquanto recortes de renda, gênero e idade revelam uma Bahia eleitoralmente dividida.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BAHIA

A corrida pelo Governo da Bahia ganha um novo capítulo na reta decisiva das eleições de 2026. Jerônimo Rodrigues (PT) volta a aparecer numericamente à frente de ACM Neto (União Brasil) e recoloca o PT na primeira posição da disputa, embora os dois permaneçam tecnicamente empatados.

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (9), Jerônimo registra 45% das intenções de voto, enquanto ACM Neto aparece com 44%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença de apenas um ponto não configura vantagem estatística, mas tem peso político por mostrar uma disputa novamente equilibrada entre os dois principais campos que disputam o comando da Bahia.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores em todo o estado, entre os dias 4 e 8 de setembro. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada sob o número BA-01568/2026.

Espontânea mostra eleitorado ainda pouco consolidado

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o equilíbrio permanece, mas surge outro componente importante da eleição.

Jerônimo Rodrigues (PT) aparece com 20%, contra 19% de ACM Neto (União Brasil). O dado mais expressivo, porém, está entre os eleitores que ainda não sabem ou não responderam: 49%.

Outros 9% afirmam espontaneamente que votariam branco ou nulo.

Esse cenário indica que a polarização entre Jerônimo e ACM Neto está muito mais consolidada quando os nomes são apresentados ao eleitor. Na resposta espontânea, uma parcela expressiva ainda não manifesta preferência.

Renda divide o eleitorado baiano

Um dos recortes mais relevantes da pesquisa está na renda.

Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Jerônimo Rodrigues (PT) lidera com 49%, contra 39% de ACM Neto.

Entre aqueles com renda de dois a cinco salários mínimos, a situação se inverte: ACM Neto alcança 51%, enquanto Jerônimo registra 39%.

A distância aumenta entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos. Nesse grupo, ACM Neto chega a 65%, contra 29% de Jerônimo.

O dado ganha importância porque 67% da amostra está justamente na faixa de renda de até dois salários mínimos. Outros 23% recebem entre dois e cinco salários e 10% estão acima de cinco salários mínimos.

Na prática, a pesquisa revela duas bases eleitorais economicamente distintas: Jerônimo apresenta maior força entre a população de menor renda, enquanto ACM Neto amplia significativamente sua vantagem à medida que aumenta a renda do eleitor.

Mulheres impulsionam Jerônimo; ACM Neto lidera entre homens

O comportamento eleitoral também muda de forma significativa quando analisado por gênero.

Entre os homens, ACM Neto registra 48%, contra 42% de Jerônimo Rodrigues.

Entre as mulheres ocorre o inverso: Jerônimo chega a 48%, enquanto ACM Neto aparece com 40%.

Como as mulheres representam 53% da amostra, esse desempenho ajuda a explicar a pequena vantagem numérica do atual governador no resultado geral.

Idade também influencia a disputa

Jerônimo Rodrigues apresenta melhor desempenho entre os eleitores mais jovens.

Na faixa entre 16 e 34 anos, o petista registra 47%, contra 44% de ACM Neto.

Entre os eleitores de 35 a 59 anos, Jerônimo aparece com 45% e ACM Neto com 43%.

O cenário muda entre os eleitores com 60 anos ou mais. Nesse segmento, ACM Neto assume a liderança com 47%, enquanto Jerônimo registra 42%.

Os números mostram que a reta final não será disputada apenas territorialmente entre Salvador, Região Metropolitana e interior. As campanhas também enfrentam uma batalha por segmentos específicos do eleitorado.

Segundo turno permanece indefinido

A pesquisa reforça o equilíbrio ao simular um eventual segundo turno entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil).

Jerônimo aparece com 46%, enquanto ACM Neto registra 45%. Brancos e nulos representam 5%, e 4% não sabem ou não responderam.

Novamente, a diferença é de apenas um ponto percentual e está dentro da margem de erro.

O cenário demonstra que nenhum dos dois candidatos conseguiu, até agora, estabelecer uma vantagem suficientemente ampla para transformar a disputa em favoritismo estatístico.

Rejeição elevada limita crescimento dos dois principais candidatos

Outro indicador estratégico está na rejeição.

ACM Neto apresenta 45% de rejeição, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 43%.

Os números mostram que os dois candidatos não enfrentam apenas o desafio de conquistar indecisos. Precisam também administrar índices elevados de resistência dentro do eleitorado.

Na reta final, a rejeição poderá ter peso semelhante ao da intenção de voto, principalmente diante de uma eleição tão equilibrada.

Aprovação de Jerônimo chega a 53%

A avaliação da administração estadual acrescenta outra camada à disputa.

O governo Jerônimo Rodrigues é aprovado por 53% dos entrevistados e desaprovado por 45%. Outros 2% não souberam ou não responderam.

Quando o eleitor é chamado a classificar diretamente o trabalho do governador, 30% consideram a gestão ótima ou boa, 41% regular e 28% ruim ou péssima.

Existe, portanto, uma diferença importante entre aprovação e avaliação positiva. Parte dos eleitores aprova a administração, mas a classifica apenas como regular. Para a campanha de Jerônimo, transformar essa aprovação em voto representa uma das principais oportunidades desta reta final.

Senado tem Rui Costa na frente e disputa pelas duas vagas

A eleição para o Senado também apresenta uma disputa importante na Bahia, que neste ano escolherá dois representantes.

No cenário consolidado dos dois votos, Rui Costa (PT) lidera com 26%, seguido por Jaques Wagner (PT), com 19%. João Roma (PL) aparece com 17% e Angelo Coronel (Republicanos), com 15%.

No primeiro voto, Rui Costa alcança 39%, seguido por João Roma, com 19%; Jaques Wagner, com 18%; e Angelo Coronel, com 13%.

Já na escolha do segundo voto, Jaques Wagner registra 20%, Angelo Coronel 16%, enquanto Rui Costa e João Roma aparecem com 14% cada.

O cenário coloca o PT competitivo não apenas na disputa pelo Palácio de Ondina, mas também pelas duas cadeiras baianas no Senado.

Análise Guardiã: empate muda novamente o clima da eleição na Bahia

Mais do que o ponto percentual que separa Jerônimo Rodrigues de ACM Neto, a principal informação política da pesquisa está no retorno do petista à dianteira numérica e na confirmação de que a eleição permanece aberta.

Não existe, pelos números apresentados, vantagem estatística de Jerônimo. Existe empate técnico. Politicamente, porém, aparecer novamente na primeira posição pode interferir na narrativa da reta final, na mobilização das bases e na estratégia das duas campanhas.

Os recortes ajudam a explicar por que essa disputa permanece tão apertada. Jerônimo é mais competitivo entre mulheres, jovens e eleitores de menor renda. ACM Neto apresenta maior força entre homens, idosos e segmentos de renda mais elevada.

Há ainda um elemento decisivo: 49% não apontaram espontaneamente um candidato. Isso significa que, apesar da polarização apresentada quando os nomes são oferecidos, existe um contingente expressivo que ainda não verbaliza espontaneamente sua escolha.

A Bahia chega, portanto, à reta decisiva com uma eleição novamente equilibrada. Jerônimo está numericamente à frente, ACM Neto permanece colado e, dentro da margem de erro, não há vencedor antecipado.

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