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ARTIGO DE OPINIÃO: EFICIÊNCIA QUE PODE TRANSFORMAR O BRASIL

Por João Doria.

O Brasil é um país de qualidades inegáveis. Uma das maiores
biodiversidades do planeta, forte capacidade produtiva no
agronegócio, polo crescente de inovação e uma população
criativa, resiliente e empreendedora. Mas, apesar desse
potencial extraordinário, convivemos com problemas que
insistem em atravessar gerações.


Ainda há mais de 94 milhões de brasileiros sem acesso pleno ao
saneamento básico. Cerca de 2 milhões de crianças e
adolescentes fora da escola e as filas na saúde seguem
impactando a vida de milhões de pessoas. São desafios que têm
raízes sociais profundas, mas cuja mitigação depende, sobretudo,
de uma máquina pública organizada, ágil e guiada por evidências.
Não se trata, na maioria das vezes, de falta de recursos. O Brasil
investe pesado em políticas públicas, mas dispersa energia e
orçamento em sistemas pouco eficientes, fluxos redundantes e
processos que se perdem na burocracia. O problema central não
é orçamentário — é gerencial. Falta método para transformar
recursos em resultados, metas em entregas, diagnósticos em
soluções. A gestão pública não pode ser refém da improvisação.
Precisa ser guiada por métricas claras, metas factíveis e decisões
baseadas em dados.


Foi com essa lógica que, em São Paulo, enfrentamos no nosso
governo, desafios que pareciam imobilizados no tempo. A
implantação de painéis de monitoramento em tempo real,
permitiu mapear gargalos em obras, contratos e programas sociais
gerenciados pelo governo do estado. A partir disso, áreas inteiras
da gestão foram reorganizadas, fluxos foram encurtados,
responsabilidades foram definidas e a tomada de decisão ganhou
precisão. O efeito foi imediato: processos que levavam meses,
passaram a ser resolvidos em semanas. Informações antes
pulverizadas foram integradas. Desperdícios foram eliminados,
sem aumento de gasto.


A modernização tecnológica foi essencial nesse processo. Com a
digitalização de mais de 100 milhões de documentos, o programa
“SP Sem Papel” eliminou atrasos, reduziu custos e devolveu
agilidade ao serviço público. Já o “Poupatempo Digital” levou
mais de 200 serviços para o celular, reduzindo filas e
economizando milhões de horas da população. A tecnologia,
quando bem aplicada, não substitui a gestão — ela potencializa a
capacidade do Estado para funcionar bem.


Esse mesmo método — medir, planejar, executar, corrigir —
permitiu enfrentar um dos problemas mais sensíveis da saúde
pública: a fila de exames diagnósticos. Com mais de 536 mil
exames atrasados, o estado tinha pacientes que esperavam havia
mais de um ano por um exame. Ao mapear detalhadamente a
demanda, identificar capacidade instalada e reorganizar a rede
pública e privada, para atendimento noturno pelo SUS, foi
possível zerar o passivo em cinco meses, com o “Corujão da
Saúde”. Sem aumento estrutural de gasto, sem soluções mágicas
— apenas gestão, organização e prioridades.


Esses resultados mostram que a boa gestão tem impacto direto no
desenvolvimento. Reduz desperdícios, melhora a qualidade do
gasto público, fortalece o ambiente de negócios e aproxima o
Estado das pessoas que realmente precisam dele. A eficiência
pública é, ao mesmo tempo, política social e política econômica:
remove barreiras para os mais vulneráveis, estimula
investimentos e cria bases sólidas para que o país cresça.
O Brasil tem condições de avançar rapidamente se entender que
gestão não é detalhe técnico, mas ferramenta de transformação.
Precisamos de continuidade, método e coragem para modernizar
sistemas que não conversam entre si, medir aquilo que importa e
colocar o cidadão no centro das decisões. Países que prosperam
fazem o essencial funcionar com precisão. E, para fazer o
essencial, é preciso gerir bem o dinheiro público. Com
responsabilidade e transparência.


Vamos esperar que nos debates políticos que se avizinham, para
as eleições deste ano, os candidatos possam debater seus
programas de governo para o País. Menos ofensas e ataques
pessoais. Mais propostas e foco no que a população mais deseja:
boa gestão pública.

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