Acusados usavam registros e CRM de profissionais reais no Hospital de Clínicas Jardim Helena; promotoria pede prisão preventiva e indenização de R$ 200 mil por vítima
O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou nesta quarta-feira (23) Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva por atuarem ilegalmente como médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, localizado na Zona Leste da capital. Os acusados responderão por homicídio qualificado com dolo eventual, por assumirem o risco de morte de pacientes ao exercerem ilegalmente a medicina e realizarem diagnósticos, prescrições de remédios e procedimentos invasivos de alta complexidade sem formação acadêmica na área.
De acordo com a denúncia elaborada pelo promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, a dupla fraudava contratações hospitalares utilizando identidades e CRMs de dois médicos verdadeiros. As falhas graves de atendimento culminaram na morte confirmada de duas pessoas: Arlindo Francisco de Lucena, de 66 anos, vítima de negligência em um quadro de encefalopatia hepática, e Aurineide Batista da Silva, atendida por Mayke em quadro de insuficiência respiratória grave sem a realização de exames básicos exigidos pelos protocolos clínicos.
A promotoria requereu à Justiça a decretação da prisão preventiva dos acusados, além da fixação de indenização mínima de R$ 200 mil às famílias de cada vítima a título de reparação de danos morais e materiais. Investigação policial indica que a dupla realizou cerca de 2.000 atendimentos ao longo de dois anos e responde a apurações adicionais por outros óbitos suspeitos no mesmo hospital. A defesa dos acusados nega a atuação como médicos, sustentando que os clientes têm formação como biomédico e instrumentador cirúrgico.

