Iniciativa criada pela Prefeitura para apoiar servidoras no retorno ao trabalho também chega a equipamentos públicos como os CEUs e pode ser replicada em outras unidades
Por Midiam Almeida | COTIDIANO E POLÍTICAS PÚBLICAS | SÃO PAULO
A Prefeitura de São Paulo amplia a rede de apoio às mulheres que precisam conciliar a amamentação com a rotina profissional. O Programa Pontos de Afeto, criado em 2023 pela Secretaria Municipal de Gestão, já conta com 11 salas em funcionamento e tem como proposta levar esse modelo para cada vez mais unidades e territórios da cidade.
As salas foram criadas inicialmente para atender servidoras municipais que retornam ao trabalho após a licença-maternidade. Os espaços são privativos, acolhedores e estruturados para permitir a retirada e o armazenamento do leite materno durante o expediente.
A iniciativa também começa a alcançar mulheres que utilizam equipamentos públicos municipais. Uma das unidades mais recentes foi inaugurada no CEU Quinta do Sol, ampliando o acesso ao espaço de apoio à amamentação.
Acolhimento no retorno ao trabalho
O Programa Pontos de Afeto busca oferecer condições para que as servidoras possam manter a amamentação mesmo depois do retorno às atividades profissionais.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e a continuidade da amamentação até os dois anos ou mais, com a introdução de alimentos complementares a partir dos seis meses.
Nesse contexto, as salas oferecem um ambiente reservado para que as mulheres possam realizar a extração do leite durante o expediente e armazená-lo de maneira adequada.
Segundo a Secretaria Municipal de Gestão, aproximadamente 100 servidoras utilizam atualmente as salas. A Prefeitura possui cerca de 130 mil servidores, sendo aproximadamente 95 mil mulheres, e a estimativa apresentada pela pasta é de cerca de 500 servidoras lactantes.
Estrutura e funcionamento
As salas seguem requisitos mínimos para garantir condições adequadas de higiene, privacidade e armazenamento do leite materno.
Entre os equipamentos estão refrigerador ou freezer, termômetro, poltrona e ponto de água fria com lavatório.
Nas unidades destinadas às servidoras, o acesso é realizado por meio de sistema eletrônico de agendamento. Já em equipamentos que também atendem a população, como os CEUs, a mulher pode procurar a responsável pelo espaço, realizar um cadastro e utilizar a sala.
A responsável pelo acompanhamento do espaço é chamada de “guardiã da sala”.
Modelo de baixo custo pode ser multiplicado
Um dos objetivos da Secretaria Municipal de Gestão é fazer com que o modelo possa ser reproduzido em outras unidades.
Para isso, a pasta estruturou regras, orientações e instrumentos necessários para a implantação das salas, criando condições para que outros equipamentos possam aderir à iniciativa.
A proposta também prevê a possibilidade de participação do comércio local. As unidades podem realizar chamamentos para receber doações de equipamentos necessários à estruturação dos espaços, como geladeiras e poltronas.
Com um modelo considerado de baixo custo, o programa pode ser ampliado não apenas dentro da Prefeitura de São Paulo, mas também servir de referência para outras instituições e empresas interessadas em criar espaços de apoio à amamentação.
Pontos de Afeto chega aos CEUs
A expansão para os CEUs amplia o alcance da iniciativa. Esses equipamentos municipais recebem diariamente famílias e moradores para atividades educacionais, esportivas, culturais e de atendimento à população.
No CEU Quinta do Sol, a sala pode ser utilizada também pelas mulheres que frequentam o equipamento, e não somente pelas servidoras municipais.
A proposta é que o espaço funcione como um ponto de acolhimento para mulheres que estejam amamentando e precisem realizar a retirada do leite durante o período em que permanecem no equipamento.
Expansão prevista para 2026
A Secretaria Municipal de Gestão prevê a inauguração de pelo menos outras 11 salas ao longo de 2026.
A ideia é ampliar os Pontos de Afeto para diferentes tipos de unidades da Prefeitura, tanto aquelas voltadas ao atendimento interno dos servidores quanto os equipamentos que recebem diretamente a população.
A expansão reforça uma política que une apoio à amamentação, primeira infância e valorização das mulheres no ambiente de trabalho.
Para a Secretaria de Gestão, o programa representa mais do que a criação de uma sala para retirada do leite. A proposta é oferecer um espaço de acolhimento durante uma fase importante da maternidade e contribuir para que as mulheres possam continuar suas trajetórias profissionais, inclusive em posições de liderança.
