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Tarcísio defende privatização da Sabesp e diz que tarifa está 15% abaixo do que seria no modelo estatal

Em plena disputa pela reeleição, governador rebate críticas de Fernando Haddad e transforma preço da água e investimentos em saneamento em tema da campanha paulista

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO

A Sabesp entrou definitivamente no centro da disputa pelo Governo de São Paulo.

Durante coletiva nesta quinta-feira, 3 de setembro, em Guarulhos, o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez uma defesa da privatização da companhia e afirmou que a tarifa atualmente cobrada está, segundo os cálculos apresentados por ele, 15% abaixo daquela que existiria caso a empresa tivesse permanecido sob controle estatal.

“A nossa tarifa hoje é 15% abaixo daquela que nós teríamos se a Sabesp não tivesse sido privatizada”, declarou.

A afirmação ocorreu após questionamentos sobre críticas feitas pelo adversário Fernando Haddad (PT) aos reajustes registrados depois da desestatização.

TARIFA VIRA DISPUTA ELEITORAL

Tarcísio argumentou que os reajustes posteriores não anulam a redução obtida no processo de privatização.

O governador também defendeu que nenhuma tarifa pode permanecer congelada indefinidamente porque, segundo ele, isso comprometeria a capacidade de investimento da companhia.

A discussão cria um dos principais confrontos econômicos da eleição estadual.

De um lado, Tarcísio apresenta a privatização como instrumento para acelerar investimentos e limitar a evolução tarifária.

Do outro, a oposição questiona reajustes, efeitos da desestatização e o custo final do serviço para a população.

SANEAMENTO ENTRA NO NOVO PLANO DE OBRAS

O tema não ficou restrito à Sabesp.

Ao apresentar as prioridades para um eventual segundo mandato, Tarcísio colocou saneamento e segurança hídrica dentro da vertente de sustentabilidade do programa de investimentos.

A proposta citada pelo candidato reúne obras de saneamento, preservação de água, drenagem, contenções e intervenções de adaptação climática.

Esse conjunto ganha relevância especial na Região Metropolitana, onde enchentes, ocupação urbana, expansão da rede de esgoto, disponibilidade hídrica e recuperação ambiental estão diretamente conectadas.

A CONTA DA PRIVATIZAÇÃO ENTRA NA URNA

A discussão sobre a Sabesp passa, portanto, a ter duas dimensões.

A primeira é objetiva: quanto o consumidor efetivamente paga e quanto pagará nos próximos anos.

A segunda é política: se a privatização conseguirá produzir os investimentos, universalização e eficiência apresentados pelo governo como justificativa para a mudança de controle.

Em 2026, a resposta também será eleitoral.

Tarcísio transformou a Sabesp em uma das vitrines de seu modelo de gestão. A oposição, por sua vez, encontrou nas tarifas e na prestação dos serviços um dos principais pontos para confrontar o governador.

Com a campanha avançando, água, esgoto e tarifa deixam de ser apenas assuntos regulatórios e passam a ocupar espaço central na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

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