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Tocantins expõe disputa no limite: Realtime Big Data mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 36%

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (26) aponta equilíbrio absoluto no primeiro turno, mas Flávio abre seis pontos sobre Lula em eventual segundo turno; recortes por renda, idade e gênero revelam um eleitorado profundamente dividido no Tocantins

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | TOCANTINS

A corrida presidencial de 2026 chega ao Tocantins marcada por um cenário de forte polarização e equilíbrio no primeiro turno. Pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta quarta-feira, 26 de agosto, coloca Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) rigorosamente empatados, com 36% das intenções de voto, no levantamento estimulado.

O resultado transforma o Tocantins em um território estratégico da disputa nacional. Embora nenhum dos dois principais candidatos consiga abrir vantagem no primeiro turno, a fotografia eleitoral muda quando a pesquisa testa um confronto direto: Flávio Bolsonaro aparece com 45%, contra 39% de Lula, uma diferença de seis pontos percentuais. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 7% não sabem ou não responderam.

A pesquisa presidencial da Realtime Big Data está registrada sob o número BR-06708/2026 e foi divulgada em 26 de agosto. Foram realizadas 1.600 entrevistas com eleitores do Tocantins entre os dias 21 e 25 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Lula e Flávio concentram a disputa no Tocantins

No cenário estimulado apresentado aos entrevistados, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 36% cada. Bem atrás dos líderes está Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. Renan Santos (Missão) registra 4%, enquanto Pablo Marçal (PRTB) tem 3%.

Romeu Zema (Novo) e o escritor Augusto Cury (Avante) aparecem com 1% cada. Outros candidatos somam 1%, enquanto votos brancos e nulos representam 6% e outros 6% não souberam ou não responderam. O próprio levantamento informa que Rui Costa Pimenta, Samara, Edmilson Costa, Hertz Dias, Clariana Barão e Veterinário Wilson Grassi, somados, alcançaram 1%.

Os números indicam uma corrida altamente concentrada. Lula e Flávio Bolsonaro reúnem juntos 72% das intenções de voto no cenário estimulado, deixando os demais nomes muito distantes da disputa pela liderança.

Espontânea mostra Lula numericamente à frente

Quando o eleitor responde sem receber previamente uma lista de candidatos, Lula registra 27%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 24%. A diferença é de três pontos percentuais.

Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada. Pablo Marçal e Romeu Zema têm 1% cada, outros nomes somam 4% e brancos e nulos chegam a 8%.

Um dado, porém, chama atenção: 29% dos entrevistados não souberam ou não responderam espontaneamente em quem votariam. Esse contingente mostra que, apesar da polarização já evidente, existe parcela expressiva do eleitorado tocantinense que ainda não consolidou espontaneamente sua escolha.

Mulheres impulsionam Lula; homens dão vantagem a Flávio

O recorte por gênero, apresentado na página 8 do levantamento, revela uma divisão importante.

Entre os homens, Flávio Bolsonaro alcança 39%, contra 32% de Lula. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 6% cada.

Entre as mulheres, o quadro se inverte: Lula chega a 40% e Flávio Bolsonaro fica com 34%.

O resultado mostra que a disputa pelo voto feminino pode ter peso decisivo no Tocantins, especialmente porque as mulheres representam 51% da amostra pesquisada, contra 49% de homens.

Lula cresce entre os mais velhos; Flávio avança entre jovens e adultos

A divisão geracional também é expressiva.

Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Flávio Bolsonaro registra 37%, contra 30% de Lula. Renan Santos alcança 9% nesse grupo.

Na faixa de 35 a 59 anos, a disputa praticamente volta ao equilíbrio: Flávio aparece com 38% e Lula com 37%.

A maior vantagem de Lula surge entre os eleitores de 60 anos ou mais. Nesse segmento, o petista chega a 45%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 26%. Ronaldo Caiado aparece com 9%.

O recorte revela duas forças eleitorais distintas: enquanto Flávio apresenta desempenho mais competitivo entre jovens e adultos, Lula encontra seu melhor resultado entre os tocantinenses mais velhos.

Renda revela uma das maiores divisões da pesquisa

É no recorte econômico que a pesquisa apresenta uma das diferenças mais significativas.

Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 44%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 31%.

Na faixa intermediária, de dois a cinco salários mínimos, o quadro muda: Flávio chega a 40%, contra 29% de Lula.

Entre os entrevistados com renda de mais de cinco salários mínimos, a vantagem do candidato do PL aumenta: Flávio Bolsonaro registra 45% e Lula apenas 17%.

Ronaldo Caiado chega a 12% nesse segmento, enquanto Renan Santos registra 11%.

O dado evidencia uma fronteira socioeconômica relevante na corrida presidencial tocantinense: Lula apresenta sua maior força entre o eleitorado de menor renda, enquanto Flávio Bolsonaro amplia significativamente sua vantagem à medida que cresce a faixa de rendimento.

Essa divisão ganha ainda mais importância porque 58% da amostra é formada por pessoas com renda de até dois salários mínimos; 27% recebem de dois a cinco salários e 15% estão acima de cinco salários mínimos.

Segundo turno coloca Flávio seis pontos à frente

Se o empate no primeiro turno demonstra uma disputa aberta, o cenário de segundo turno representa um sinal importante para as duas campanhas.

No confronto direto testado pela Realtime Big Data, Flávio Bolsonaro aparece com 45%, enquanto Lula registra 39%. A vantagem nominal é de seis pontos.

Como a margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado apresentado coloca Flávio numericamente à frente no cenário pesquisado.

O segundo turno também mostra que ainda existe espaço para movimentação: 9% afirmam votar branco ou nulo e 7% não sabem ou não responderam.

Rejeição coloca Lula e Flávio novamente empatados

Outro dado que ajuda a explicar o grau de polarização no Tocantins é a rejeição.

Quando os entrevistados puderam apontar em quais candidatos não votariam, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados com 47% de rejeição cada.

Na sequência aparecem Pablo Marçal, com 40%; Ronaldo Caiado, 38%; Renan Santos, 34%; e Romeu Zema, 33%.

O empate na rejeição mostra o tamanho do desafio dos dois líderes. Ao mesmo tempo em que concentram a maior parcela das intenções de voto, ambos encontram resistência elevada entre parcelas do eleitorado.

Governo Lula tem desaprovação superior à aprovação no Tocantins

A pesquisa também mediu a percepção dos tocantinenses sobre o trabalho do presidente Lula.

Segundo o levantamento, 51% desaprovam o governo e 46% aprovam, enquanto 3% não souberam ou não responderam.

Na avaliação qualitativa, 39% classificam o trabalho presidencial como ruim ou péssimo, 30% consideram ótimo ou bom e outros 30% avaliam como regular.

O dado ajuda a contextualizar o desempenho eleitoral do presidente no estado. Mesmo empatando com Flávio Bolsonaro no primeiro turno estimulado, Lula enfrenta uma desaprovação superior à aprovação e fica atrás do adversário no confronto direto de segundo turno.

Tocantins vira retrato da polarização nacional

A fotografia produzida pela Realtime Big Data revela um Tocantins eleitoralmente dividido, mas com diferenças profundas quando o eleitorado é analisado por renda, idade e gênero.

Lula sustenta vantagem expressiva entre os mais pobres, entre as mulheres e principalmente entre os eleitores acima dos 60 anos. Flávio Bolsonaro, por outro lado, avança entre os homens, lidera entre os mais jovens e constrói uma vantagem muito maior nas faixas superiores de renda.

No agregado do primeiro turno, essas forças praticamente se anulam: 36% a 36%.

Mas o segundo turno apresenta outra fotografia, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente por seis pontos. Ao mesmo tempo, a rejeição de 47% para cada um mostra que a eleição no Tocantins não será definida apenas pela capacidade de mobilizar apoiadores, mas também pela disputa sobre quem consegue reduzir resistências e conquistar o eleitor ainda disponível.

Com a campanha entrando em sua fase decisiva, o Tocantins surge como um dos retratos mais claros da polarização presidencial de 2026: empate absoluto na largada estimulada, eleitorado socialmente dividido e vantagem de Flávio Bolsonaro no confronto direto contra Lula.

Pesquisa Realtime Big Data no Tocantins mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 36% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, Flávio aparece com 45% contra 39% de Lula.

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