Tricampeão mundial criado nas ondas de São Sebastião é superado pelo 11 vezes campeão Kelly Slater em Teahupo’o; confronto coloca novamente um dos maiores representantes do Litoral Norte paulista no centro do surfe mundial.
GDN ESPORTES | LITORAL NORTE | SÃO SEBASTIÃO
Por Gabrielle Tricanico | São Sebastião
Das ondas de Maresias, em São Sebastião, para os maiores palcos do surfe mundial, Gabriel Medina construiu uma carreira que transformou o Litoral Norte de São Paulo em referência internacional no esporte. Nesta terça-feira (11), mais um capítulo dessa trajetória foi escrito a milhares de quilômetros de casa, nas ondas pesadas de Teahupo’o, no Taiti.
O brasileiro foi eliminado do Tahiti Pro 2026 por ninguém menos que Kelly Slater. Aos 54 anos, o norte-americano, 11 vezes campeão mundial, apresentou um surfe de altíssimo nível para superar Medina em um duelo entre duas gerações que marcaram a história da modalidade.
De Maresias para o mundo: Medina carrega São Sebastião no surfe internacional
Para São Sebastião, a participação de Medina vai muito além de uma etapa do circuito.
Foi em Maresias, uma das praias mais conhecidas do município, que o surfista cresceu e desenvolveu a base técnica que posteriormente o levaria ao topo do mundo.
Medina tornou-se, em 2014, o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, conquista que ajudou a abrir definitivamente o caminho para a chamada “Brazilian Storm”. Depois, voltou a conquistar o título mundial em 2018 e 2021.
A ligação com Maresias transformou também a praia de São Sebastião em endereço conhecido internacionalmente entre fãs do esporte. O município passou a ser associado à formação de um dos maiores surfistas da história brasileira.
Slater impõe ritmo forte em Teahupo’o
No Taiti, entretanto, Medina encontrou um adversário inspirado.
Slater utilizou toda a experiência acumulada em décadas de competição para atacar os tubos de Teahupo’o, uma das ondas mais perigosas e técnicas do planeta. O norte-americano alcançou 19,06 pontos, incluindo uma onda avaliada em 9,73, praticamente perfeita.
O desempenho foi suficiente para encerrar a participação do surfista de Maresias na competição.
A vitória ganha contornos ainda mais extraordinários pela idade de Slater. Aos 54 anos e já distante da disputa integral do circuito, o norte-americano continua capaz de enfrentar atletas de uma geração muito mais jovem em condições extremas.
Medina mantém São Sebastião entre as potências do surfe
A eliminação não diminui a dimensão da presença de Gabriel Medina no esporte.
Para o Litoral Norte paulista, o tricampeão representa uma conexão direta entre Maresias e a elite mundial do surfe. Sua trajetória ajudou a consolidar São Sebastião como território de formação esportiva e deu projeção internacional a uma região que já possui o mar como um de seus principais ativos turísticos e econômicos.
Além do impacto esportivo, a chamada “marca Medina” contribuiu para ampliar a exposição de Maresias, fortalecendo a identificação da praia com o surfe e movimentando setores ligados ao turismo, hospedagem, gastronomia, comércio e economia do esporte.
Um duelo que simboliza duas gerações
O confronto no Taiti também reuniu números gigantescos.
De um lado estava Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial. Do outro, Gabriel Medina, tricampeão e primeiro brasileiro a conquistar o título mundial.
São 14 títulos mundiais representados em uma única bateria.
Para quem acompanha o esporte em São Sebastião, porém, havia um significado adicional: mais uma vez, um atleta formado nas ondas de Maresias estava frente a frente com uma das maiores lendas da história do surfe.
Medina deixa a etapa do Taiti, mas Maresias continua representada no mapa mundial da modalidade por uma trajetória que começou no Litoral Norte de São Paulo e chegou ao topo do planeta.
