O Carnaval chegou ao Litoral Norte, mas em São Sebastião a festa traz consigo uma missão urgente: proteger a biodiversidade local. Em entrevista concedida ao “Entrevista Litoral Norte”, Marques da Silva Conceição, biólogo e educador social do Instituto Verdescola, detalhou a parceria inédita com o Bloco Samdosa, provando que é possível unir diversão e responsabilidade ecológica.
Muito além de não jogar lixo no chão
Para Marques, o conceito de um “Carnaval com Consciência Ambiental” transcende o básico. Segundo o biólogo, a proposta não é apenas evitar o descarte incorreto durante o desfile, mas criar uma mudança de mentalidade no folião. A ideia é que o turista e o morador compreendam o ciclo do resíduo e o impacto direto que uma simples garrafa ou latinha pode ter no ecossistema costeiro e marinho da região.
A aliança entre a folia e a educação
A união entre o Instituto Verdescola e o Bloco Samdosa surgiu da necessidade de levar a educação ambiental para onde o povo está: a rua. Durante o desfile, os foliões não encontrarão apenas música, mas também uma estrutura pensada para a sustentabilidade. Ações educativas simultâneas e pontos estratégicos de coleta farão parte do cenário, incentivando o público a participar ativamente da limpeza e organização do espaço público enquanto se diverte.
Prevenção de desastres e impacto local
Um dos pontos mais críticos abordados na entrevista foi a relação entre o lixo do Carnaval e os riscos geológicos do Litoral Norte. Marques alertou que, em uma região que enfrenta desafios constantes com chuvas fortes e solo encharcado, o lixo descartado nas ruas é um agravante perigoso. Resíduos mal destinados acabam nas galerias de águas pluviais, obstruindo a drenagem e potencializando alagamentos e deslizamentos. O descarte correto, portanto, é uma medida de segurança pública e prevenção de tragédias.
O Carnaval como ferramenta de transformação
Como educador social, Marques deixou um recado claro para a juventude que lota os blocos: o Carnaval é uma poderosa ferramenta de transformação social. A festa popular pode ser o palco para demonstrar cidadania e respeito pela “nossa casa”. O objetivo é engajar os jovens para que sejam multiplicadores dessa consciência, levando o exemplo para além dos dias de folia.
Durante a conversa, o entrevistado surpreendeu ao demonstrar, na prática, o valor da reciclagem. Exibindo itens produzidos a partir de tampinhas de plástico recicláveis, Marques ilustrou como resíduos que iriam para o lixo podem ganhar vida nova, gerando renda e reduzindo o impacto ambiental.
Ação contínua: apoio às famílias
O trabalho do Instituto Verdescola, contudo, não se encerra na Quarta-Feira de Cinzas. Marques destacou que, paralelamente às ações festivas, a instituição mantém frentes de trabalho intensas neste mês de fevereiro para auxiliar as famílias ainda impactadas pelas últimas chuvas na região, reforçando o compromisso integral do Instituto com o bem-estar social e ambiental de São Sebastião.
