Cadastro irregular também traz “Bairro Miliciano”, número 666 e CEP inexistente; alteração partidária impede registro imediato da candidatura presidencial do senador pelo PL e caso será investigado
Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | ELEIÇÕES 2026
A suposta fraude que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como filiado ao Partido Missão ganhou novos e provocativos elementos nesta quinta-feira (13). Na ficha utilizada para cadastrar irregularmente o candidato à Presidência na legenda de Renan Santos, os responsáveis pela operação colocaram como endereço do parlamentar a “Rua dos Bandidos”, número “666”, localizada no fictício “Bairro Miliciano”. Também foi informado um CEP inexistente.
Os dados reforçam a suspeita de que a alteração não tenha sido um simples erro administrativo. O conteúdo deliberadamente provocativo inserido no cadastro é um dos elementos que deverão ajudar as autoridades a esclarecer as circunstâncias e identificar a autoria da operação.
O episódio teve consequência direta na corrida pelo Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro pretendia avançar nesta quinta-feira com o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL, mas apareceu nos registros eleitorais vinculado ao Missão, criando um impedimento que precisa ser corrigido antes da formalização da candidatura.
Alteração ocorreu na véspera do registro
A mudança partidária teria ocorrido na noite de quarta-feira (12), justamente na reta final do período destinado ao registro das candidaturas para as eleições de 2026.
Com a alteração, Flávio deixou de aparecer regularmente vinculado ao PL e passou a constar como filiado ao Missão.
A situação aumenta a pressão sobre a equipe jurídica e política do candidato porque o prazo para apresentação dos registros de candidatura termina neste sábado, 15 de agosto.
A defesa trabalha para cancelar a filiação considerada irregular, restabelecer a situação partidária de Flávio Bolsonaro no PL e garantir a formalização de sua candidatura dentro do calendário eleitoral.
TSE descarta ataque hacker
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) descartou, até o momento, a hipótese de uma invasão hacker aos sistemas da Justiça Eleitoral.
As informações preliminares apontam que a operação teria sido realizada mediante utilização de credenciais relacionadas ao próprio Partido Missão. A situação deverá ser investigada para determinar quem teve acesso aos dados, como a alteração foi realizada e quem efetivamente inseriu a filiação no sistema.
A apuração da autoria é um ponto fundamental do caso. Apesar de a situação ser tratada como uma suposta fraude, ainda é necessário estabelecer quem realizou a operação e se houve intenção deliberada de interferir no processo eleitoral.
Missão diz que também foi vítima
O Partido Missão afirma que também foi vítima da irregularidade e abriu uma apuração interna para tentar identificar os responsáveis pela filiação.
Segundo a legenda, uma tentativa anterior de incluir Flávio Bolsonaro em seus quadros já havia ocorrido no início de agosto. O partido sustenta ainda que o gabinete do senador teria sido comunicado sobre a movimentação.
O Missão informou que pretende disponibilizar às autoridades registros técnicos, e-mails, logs e informações relacionadas ao acesso ao sistema para contribuir com a identificação dos responsáveis.
A campanha de Flávio Bolsonaro, por outro lado, questiona a condução do episódio e cobra esclarecimentos sobre como uma filiação não autorizada conseguiu avançar dentro da estrutura partidária.
“Rua dos Bandidos”, “Bairro Miliciano” e número 666
Entre os elementos mais chamativos da suposta fraude estão justamente os dados utilizados para preencher o endereço atribuído ao senador.
Na ficha de filiação aparecem:
- Logradouro: “Rua dos Bandidos”
- Bairro: “Bairro Miliciano”
- Número: “666”
- CEP: inexistente
As informações não correspondem ao endereço real de Flávio Bolsonaro. Elas foram inseridas no cadastro contestado e passaram a integrar o conjunto de elementos que deverão ser analisados durante a investigação.
O uso de expressões com clara conotação ofensiva e provocativa aumenta as suspeitas de que a alteração tenha sido realizada de maneira intencional.
Caso entra no centro da disputa presidencial
A repercussão política ocorre em um momento particularmente sensível das eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro representa o PL na disputa pela Presidência, enquanto o Partido Missão lançou Renan Santos para concorrer ao Palácio do Planalto. A alteração na filiação aconteceu justamente às vésperas do encerramento do período destinado ao registro das candidaturas.
Agora, duas frentes avançam paralelamente. De um lado, a campanha tenta regularizar a situação partidária de Flávio dentro do prazo eleitoral. Do outro, deverá avançar a investigação para descobrir quem realizou a filiação, como teve acesso às credenciais utilizadas e qual foi a motivação da operação.
Até que as apurações sejam concluídas, não é possível atribuir a responsabilidade pela suposta fraude a uma pessoa, grupo ou partido específico.
O episódio, porém, já coloca os mecanismos de segurança das filiações partidárias no centro do debate eleitoral e adiciona um novo componente de tensão à corrida presidencial de 2026.
