ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Violência nas escolas ultrapassa os portões: briga entre famílias termina com homem morto em Santo André

Desentendimento entre duas estudantes mobilizou familiares, terminou em agressões, disparos e na morte de um homem de 36 anos em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greve. O caso expõe uma realidade cada vez mais preocupante nas escolas públicas paulistas.

Por Gabrielle Tricanico/ Grande abc

Mais um episódio de violência coloca em evidência um problema que cresce silenciosamente nas escolas públicas brasileiras: conflitos entre estudantes que deixam de ser apenas questões disciplinares e passam a envolver famílias, agressões físicas e, em casos extremos, mortes.

Na tarde de terça-feira (30), em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greve, em Santo André, no Grande ABC, uma discussão entre duas adolescentes, de 11 e 15 anos, evoluiu para um confronto entre familiares e terminou em homicídio.

Segundo a investigação da Polícia Civil, durante a confusão um motociclista que passava pelo local teria descido da moto e começado a agredir pessoas envolvidas utilizando um capacete. O tio de uma das adolescentes entrou na briga para defender a esposa e houve luta corporal. O motociclista deixou o local, mas retornou minutos depois armado e efetuou pelo menos três disparos contra André Mancini de Souza, de 36 anos, atingido no tórax e na região da virilha. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

O autor dos disparos se apresentou à Polícia Civil na quarta-feira (1º) e o caso segue sob investigação.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que a direção da escola acompanhou o caso desde o início da discussão entre as alunas, realizou reuniões de mediação com as estudantes e seus responsáveis, acionou a Ronda Escolar e registrou boletim de ocorrência. Ainda assim, o conflito extrapolou os limites da unidade e culminou na tragédia.

O episódio acende um alerta sobre uma realidade enfrentada por gestores escolares em diversas cidades paulistas. A violência não está apenas dentro das salas de aula. Ela passou a ocupar também os portões das escolas, envolvendo pais, responsáveis e até pessoas sem qualquer relação direta com a comunidade escolar.

Casos de agressões entre familiares, ameaças a professores, intimidação de diretores e confrontos na saída dos alunos têm se tornado cada vez mais frequentes, exigindo atuação conjunta das áreas de Educação, Segurança Pública, Assistência Social e Saúde Mental.

Mais do que reforçar o policiamento, especialistas defendem investimentos permanentes em mediação de conflitos, acompanhamento psicológico de estudantes e famílias, fortalecimento do diálogo com a comunidade escolar e ações preventivas capazes de impedir que pequenos desentendimentos evoluam para tragédias.

A morte de André Mancini de Souza transforma um conflito iniciado entre adolescentes em um caso que ultrapassa a esfera policial. É um retrato da escalada da intolerância e da banalização da violência, que hoje já não respeita nem mesmo espaços que deveriam representar segurança, convivência e formação cidadã.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que deverá esclarecer todas as circunstâncias do homicídio e a responsabilidade dos envolvidos. Enquanto isso, a comunidade escolar permanece marcada por uma tragédia que dificilmente será esquecida e que reacende um debate urgente sobre a segurança nas escolas públicas brasileiras.

São Paulo
Estados