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Vale do Paraíba vota: peso eleitoral coloca força dos partidos e representação regional à prova

São José dos Campos, Taubaté e Jacareí concentram quase 950 mil eleitores e formam o principal eixo eleitoral da região. No campo do PL, Eduardo Cury e Márcio Alvino representam bases políticas distintas dentro da mesma legenda; as urnas vão mostrar como esse eleitorado se distribui pelo Vale e qual será o peso regional do partido na composição da bancada paulista.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | VALE DO PARAÍBA

O Vale do Paraíba chega às urnas neste domingo (4) com tamanho eleitoral e econômico suficiente para ter peso importante na definição da bancada paulista na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Considerando a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, estamos diante de um universo próximo de 2 milhões de eleitores. Mas é no eixo formado pelas maiores cidades do Vale que aparece uma concentração particularmente importante.

São José dos Campos possui 539.147 eleitores. Taubaté tem 239.475 e Jacareí, 171.293.

Somente essas três cidades somam 949.915 eleitores.

Pindamonhangaba aparece em seguida, com 119.023 eleitores. Guaratinguetá possui 91.050; Caçapava, 72.697; Lorena, 61.282; Cruzeiro, 56.301; e Campos do Jordão, 38.188.

Quando colocamos esses números no mapa, a eleição deixa de ser apenas uma sequência de disputas municipais.

O Vale possui massa eleitoral para construir representação própria.

A pergunta deste domingo será como esses votos serão distribuídos entre partidos e candidatos e quanto dessa força permanecerá vinculada politicamente à região.

São José sozinha supera Taubaté e Jacareí juntas

São José dos Campos possui 539.147 eleitores.

Taubaté e Jacareí, somadas, chegam a 410.768.

Isso significa que São José possui aproximadamente 128 mil eleitores a mais que as duas cidades seguintes juntas.

É uma concentração extraordinária.

Mas essa dimensão também pode produzir uma leitura enganosa quando analisamos candidatos individualmente.

Um candidato pode alcançar uma votação muito expressiva em São José e continuar essencialmente dependente dessa base municipal.

É por isso que, durante a apuração, quero olhar além dos números absolutos.

Quero observar como os partidos e seus principais candidatos conseguem caminhar pelo corredor do Vale.

E é nesse ponto que considero o PL um dos campos que merecem atenção especial.

A questão não é Cury contra Márcio: é medir o tamanho do PL no Vale

Não colocaria Eduardo Cury (PL) e Márcio Alvino (PL) como adversários numa disputa particular.

Essa leitura diminuiria o fenômeno político que considero mais interessante.

Os dois pertencem ao mesmo partido, possuem trajetórias diferentes e chegam à eleição com bases construídas de maneiras distintas.

Márcio Alvino já possui uma base eleitoral formada ao longo de sucessivos mandatos de deputado federal.

Além do mandato, ocupa a vice-presidência nacional do PL, o que acrescenta à sua trajetória parlamentar uma posição de direção partidária nacional.

Eduardo Cury chega com outro patrimônio político: o histórico como prefeito de São José dos Campos e o reconhecimento construído na maior cidade do Vale.

O eleitor decidirá como distribuir seus votos.

Por isso, mais importante do que criar artificialmente uma disputa entre os dois será observar quanto o PL consegue reunir no conjunto da região.

Duas bases diferentes podem ampliar a presença de uma mesma legenda

É justamente essa combinação que torna o resultado interessante.

Márcio não precisa retirar espaço político de Cury para demonstrar força.

Cury também não precisa superar Márcio para validar sua presença regional.

Cada um possui sua trajetória.

Márcio chega como deputado federal em exercício, com estrutura partidária e uma base eleitoral construída durante seus mandatos.

Cury carrega o recall de São José dos Campos e tenta transformar essa identificação municipal em votação para a Câmara dos Deputados.

Na prática, as duas candidaturas permitem observar como diferentes segmentos do eleitorado do Vale se distribuem dentro de uma mesma legenda.

Essa é uma leitura muito mais interessante para a apuração.

O PL pode ser medido cidade por cidade

A partir das 17h, uma das contas que quero fazer é justamente essa.

Quanto o PL recebeu em São José dos Campos?

Quanto recebeu em Taubaté?

Qual foi seu desempenho em Jacareí?

E depois em Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Caçapava, Lorena, Cruzeiro e Campos do Jordão?

Dentro desses números, será possível verificar a distribuição dos votos entre Cury, Márcio e os demais candidatos da legenda.

Esse mapa mostrará algo que simplesmente olhar o total estadual não mostra: a presença territorial do partido no Vale.

São José continua sendo fundamental para Cury

São José dos Campos continuará sendo um ponto central para compreender Eduardo Cury.

São mais de 539 mil eleitores em uma cidade que ele administrou.

O recall de um ex-prefeito naturalmente coloca São José como referência importante para analisar sua votação.

Mas quero observar principalmente o movimento seguinte.

Quanto dessa candidatura consegue chegar a Jacareí?

Quanto chega a Taubaté?

Quanto alcança Pindamonhangaba?

Quanto aparece em Guaratinguetá?

É nessa expansão que conseguimos diferenciar uma candidatura de base municipal de uma votação regionalizada.

Márcio chega com uma base eleitoral já construída

Márcio Alvino precisa ser analisado por outra régua.

Ele não chega ao Vale tentando construir sua primeira base eleitoral.

É deputado federal em exercício pelo PL e possui trajetória parlamentar anterior ao atual mandato.

Sua presença na direção nacional da legenda também o coloca dentro de uma estrutura partidária mais ampla.

Portanto, quando as urnas forem abertas, quero observar onde essa base consolidada aparece dentro do Vale.

Não como uma comparação pessoal com Cury.

Mas como parte da votação total que o PL conseguirá reunir na região.

Essa diferença muda completamente a leitura.

Taubaté coloca quase 240 mil eleitores na conta

Taubaté possui 239.475 eleitores e precisa ser analisada como um polo político próprio.

A cidade possui economia relevante, grupos políticos municipais consolidados e um eleitorado suficientemente grande para interferir na votação de diferentes candidaturas.

Seu PIB gira em torno de R$ 22,6 bilhões.

Portanto, Taubaté não é simplesmente um território intermediário entre São José e o restante do Vale.

É um mercado eleitoral próprio.

O comportamento desses quase 240 mil eleitores ajudará a mostrar quais partidos conseguiram ultrapassar suas bases municipais.

Jacareí completa o triângulo de quase 950 mil eleitores

Jacareí possui 171.293 eleitores.

Quando somada a São José e Taubaté, forma um eixo de 949.915 eleitores.

É quase metade de todo o universo eleitoral da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte concentrado em apenas três municípios.

Jacareí também possui uma característica particular.

Sua proximidade territorial e econômica com São José cria circulação diária de trabalhadores, estudantes, empresas e serviços.

Mas integração econômica não significa transferência automática de voto.

É justamente por isso que a cidade será um termômetro importante para medir a capacidade de regionalização das candidaturas.

Pindamonhangaba leva o eixo acima de 1 milhão de eleitores

Pindamonhangaba possui 119.023 eleitores.

Quando acrescentamos esse número aos eleitorados de São José, Taubaté e Jacareí, chegamos a 1.068.938 eleitores.

Ou seja: apenas quatro cidades ultrapassam a marca de 1 milhão de pessoas aptas a votar.

Isso mostra a enorme concentração existente no corredor central do Vale.

Pindamonhangaba também possui peso industrial e PIB próximo de R$ 13,7 bilhões.

Não pode ser tratada como coadjuvante na análise.

Guaratinguetá, Caçapava e Lorena acrescentam mais de 225 mil eleitores

Guaratinguetá possui 91.050 eleitores.

Caçapava soma 72.697.

Lorena possui 61.282.

Juntas, acrescentam mais de 225 mil eleitores ao corredor político regional.

Somadas às quatro maiores cidades, ultrapassamos 1,29 milhão de eleitores.

Esse número é importante porque mostra que a eleição do Vale não termina em São José.

Ela percorre praticamente toda a Dutra.

E quem conseguir aparecer eleitoralmente ao longo desse caminho estará demonstrando presença territorial.

O Vale também possui enorme peso econômico

Essa força eleitoral acompanha uma economia estratégica.

São José dos Campos possui PIB superior a R$ 61 bilhões.

Taubaté aparece com aproximadamente R$ 22,6 bilhões.

Jacareí possui cerca de R$ 19,7 bilhões.

Pindamonhangaba chega a aproximadamente R$ 13,7 bilhões.

Somente essas quatro cidades produzem mais de R$ 117 bilhões em riquezas.

São números que ajudam a dimensionar a importância de uma região marcada por indústria, tecnologia, setor aeroespacial, logística, universidades, centros de pesquisa, serviços e turismo.

São José conecta o Vale à economia mundial

São José dos Campos ainda possui uma característica que diferencia a cidade nacionalmente.

Em 2025, o município exportou aproximadamente US$ 4,1 bilhões para cerca de 120 países.

Aviões, helicópteros e satélites responderam por parcela majoritária dessas exportações.

A cidade encerrou o ano entre os maiores municípios exportadores do Estado de São Paulo.

Esse desempenho mostra por que a representação política do Vale não pode ser discutida apenas a partir de demandas municipais.

Estamos falando de uma região inserida em cadeias industriais estratégicas para o país.

Análise | Gabrielle Tricanico

Quando olho para esse mapa, minha principal pergunta não é se Eduardo Cury terá mais ou menos votos que Márcio Alvino.

Essa comparação isolada não me parece suficiente para compreender o que está acontecendo.

O dado politicamente mais interessante será observar o tamanho da votação que o PL consegue construir no Vale do Paraíba.

Márcio já chega com uma base consolidada pelo mandato e pela trajetória parlamentar.

Cury possui outro ativo: o histórico como prefeito de São José dos Campos e o recall dentro do maior colégio eleitoral regional.

O eleitor fará sua escolha entre eles, entre outros nomes do PL e também entre candidatos de outras legendas.

O que quero medir é quanto desse enorme eleitorado ficará com o partido e como esses votos estarão distribuídos territorialmente.

É uma diferença importante.

A força partidária também será medida nas urnas

Partido forte não é apenas aquele que possui um candidato muito votado.

A eleição proporcional permite observar a soma de diferentes candidaturas e sua distribuição territorial.

Por isso, depois das 17h, pretendo olhar o resultado do PL no Vale de maneira mais ampla.

Se a legenda apresentar votações relevantes em diferentes municípios, haverá um dado concreto sobre sua presença regional.

Da mesma maneira, os resultados dos demais partidos permitirão construir um mapa comparativo da distribuição eleitoral — sem depender apenas da performance individual de uma liderança.

Prefeitos também entram nessa conta

Existe outra camada importante.

Prefeitos, vereadores e lideranças municipais declararam apoio a diferentes candidatos durante a campanha.

Agora será possível medir o resultado desses movimentos.

A urna mostrará onde determinados apoios se converteram em votos e onde isso não aconteceu.

Esse dado terá influência sobre as articulações políticas seguintes.

Especialmente porque 2026 será a última grande eleição antes da disputa municipal de 2028.

2026 começa a produzir o mapa de 2028

Depois deste domingo, partidos e lideranças terão uma enorme pesquisa realizada com voto real.

Saberão quais candidaturas possuem bases concentradas.

Quais conseguiram regionalizar.

Quais partidos cresceram em determinadas cidades.

E quais grupos municipais demonstraram capacidade de mobilização eleitoral.

Esse mapa será imediatamente incorporado às articulações políticas dos próximos dois anos.

Por isso, a eleição deste domingo não define 2028.

Mas produz informações fundamentais para entender quem chegará politicamente mais organizado ao próximo ciclo municipal.

A Guardiã acompanha a apuração ao vivo a partir das 17h

A partir das 17h, com o encerramento da votação, A Guardiã da Notícia inicia sua cobertura especial da apuração das Eleições 2026, acompanhando os resultados em tempo real.

No Vale do Paraíba, vamos abrir os números de São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Caçapava, Lorena, Cruzeiro, Campos do Jordão e demais municípios da região.

Quero observar não apenas os candidatos eleitos.

Vamos analisar a distribuição dos votos, a força dos partidos, a capacidade de regionalização das candidaturas e o comportamento dos principais colégios eleitorais do Vale.

E, no caso do PL, a leitura será particularmente interessante.

Eduardo Cury chega com o peso de São José dos Campos.

Márcio Alvino chega com mandato, base eleitoral construída e participação na direção nacional do partido. (Portal da Câmara dos Deputados⁠)

Não é necessário transformar essa relação em uma disputa pessoal.

A grande pergunta é quanto o PL consegue reunir nas urnas do Vale do Paraíba e como essa votação se distribui entre suas diferentes candidaturas.

Esse resultado ajudará a revelar o desenho partidário de uma das regiões economicamente mais importantes do Estado e fornecerá dados concretos para compreender a reorganização política que começa depois das urnas de 2026.

A eleição nacional começa na sua cidade. A Guardiã da Notícia — jornalismo regional com alcance global.

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