Decisão foi tomada em audiência de custódia nesta sexta-feira (9); acusada vai responder em liberdade e terá que comparecer mensalmente em juízo.
A Justiça concedeu liberdade provisória, nesta sexta-feira (9), à mulher de 36 anos presa em flagrante suspeita de praticar injúria racial contra um guarda-vidas temporário durante uma confusão na Praia Grande, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
Angélica Cristina da Silva Ramos havia sido presa na quinta-feira (8), após o registro da ocorrência durante a Operação Verão. Ela passou por audiência de custódia e foi liberada sem fiança. Como medida cautelar, deverá comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades, conforme informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Na decisão, o juiz registrou: “Ante o exposto, com fundamento no artigo 310, III, do CPP, concedo a acusada ANGÉLICA CRISTINA DA SILVARAMOS a LIBERDADE PROVISÓRIA sem fiança mediante o cumprimento das medidas cautelares de comparecimento mensal em juízo”.
O que diz o boletim de ocorrência
Segundo o boletim, a confusão começou após um chamado relacionado ao desaparecimento momentâneo de uma criança na praia. Angélica afirmou à Polícia Militar que pediu apoio aos guarda-vidas e não teria sido atendida, alegando ainda que foi ofendida e agredida pelos profissionais.
Já os guarda-vidas relataram que, no momento do pedido, estavam empenhados em um salvamento no mar, o que teria impedido o atendimento imediato. Depois, de acordo com os socorristas, houve hostilização verbal e a situação evoluiu para agressões, com registro de ofensas de cunho racial. Um dos profissionais disse ter sido chamado de “macaco”.
O boletim aponta que a equipe policial não presenciou o início do conflito, mas encontrou o local com tumulto, pessoas exaltadas e desobediência às ordens. Diante do cenário, foi necessário conter e algemar um dos guarda-vidas até a chegada de reforço.
Versões e investigação
Testemunhas apresentaram versões diferentes: algumas relataram agressões contra guarda-vidas já imobilizados e disseram ter ouvido ofensas raciais; outras afirmaram ter visto apenas agressões físicas, sem presenciar o começo da confusão ou xingamentos.
Angélica negou à polícia ter cometido injúria racial e afirmou que reagiu a supostas ofensas dos guarda-vidas. Todos os envolvidos tiveram ferimentos leves.
O caso foi registrado como lesão corporal, vias de fato, desacato e injúria racial. A Polícia Civil segue investigando a ocorrência, com análise de imagens e oitiva dos envolvidos. O GBMar informou que não foi possível identificar quem iniciou as agressões e que acompanha o andamento das apurações.
