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São Paulo: Tarcísio chega a 53% e cenário aponta possibilidade de vitória no primeiro turno

Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (14) mostra governador com 53% contra 36% de Fernando Haddad; análise da Guardiã indica que, na fotografia atual, Tarcísio supera a soma dos adversários em votos válidos e poderia encerrar a disputa já no primeiro turno

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO

A nova pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (14) coloca um questionamento importante no centro da corrida pelo Governo de São Paulo: haverá segundo turno na eleição paulista?

Na fotografia apresentada pelo levantamento, Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 53% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad (PT) registra 36%.

Os demais candidatos — Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) — somam apenas 2%. Brancos e nulos representam 5% e 4% não sabem ou não responderam.

A pesquisa ouviu 2 mil eleitores do Estado de São Paulo entre os dias 9 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-02794/2026.

Afinal, haverá segundo turno em São Paulo?

Pelos números desta pesquisa, se a eleição fosse realizada no cenário retratado pelo levantamento, Tarcísio estaria em posição de vencer no primeiro turno.

A legislação eleitoral exige que um candidato obtenha mais da metade dos votos válidos para ser eleito governador sem necessidade de uma segunda votação. Votos brancos e nulos não entram nesse cálculo.

E esse detalhe torna o resultado ainda mais relevante.

Tarcísio tem 53% das intenções sobre o total pesquisado. Haddad registra 36% e todos os demais candidatos, juntos, apenas 2%.

Considerando somente as intenções atribuídas a candidatos — 91% do total —, Tarcísio representaria aproximadamente 58% desse universo, enquanto Haddad ficaria próximo de 40%.

Portanto, a questão central desta pesquisa não é apenas a vantagem de 17 pontos sobre Haddad. Tarcísio aparece, neste levantamento, acima do patamar necessário para uma vitória no primeiro turno.

Isso não significa que o segundo turno esteja descartado. Pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento, não uma previsão do resultado das urnas. Ainda há campanha, debates, propaganda eleitoral, agendas regionais e eleitores que podem alterar sua escolha.

Mas a fotografia desta segunda-feira coloca sobre Haddad uma missão que vai além de simplesmente diminuir a diferença para Tarcísio: a oposição precisa retirar o governador da faixa de maioria dos votos válidos para conseguir levar a eleição para o segundo turno.

Pesquisa espontânea mostra espaço para mudanças

Existe, porém, um dado que recomenda cautela.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Tarcísio aparece com 28%, enquanto Haddad registra 15%.

Outros nomes somam 3%, brancos e nulos chegam a 7% e 47% não sabem ou não respondem.

Esse percentual não pode ser interpretado automaticamente como 47% de eleitores indecisos. A pesquisa espontânea mede também a capacidade do eleitor de mencionar um candidato sem receber uma lista de opções.

Ainda assim, a distância entre o resultado espontâneo e o estimulado demonstra que existe espaço para movimentação eleitoral durante a reta final.

Renda divide São Paulo

A análise por renda revela uma das principais vulnerabilidades de Tarcísio e, ao mesmo tempo, uma das oportunidades de Haddad.

Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Haddad aparece com 47%, contra 42% de Tarcísio.

É a única das três faixas de renda apresentadas em que o petista aparece numericamente à frente.

Entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, entretanto, Tarcísio assume vantagem expressiva: 52% contra 37%.

Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, a distância aumenta ainda mais: 65% para Tarcísio e 23% para Haddad.

A eleição paulista apresenta, portanto, uma divisão socioeconômica bastante clara. Haddad encontra maior competitividade na base de menor renda, enquanto Tarcísio cresce fortemente entre os segmentos de renda média e alta.

Jovens também representam terreno mais competitivo

A idade apresenta outra diferença importante.

Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Tarcísio registra 46% e Haddad, 40%. São apenas seis pontos percentuais de diferença.

Entre os entrevistados de 35 a 59 anos, o governador alcança 54%, contra 37% de Haddad.

Já entre os paulistas com 60 anos ou mais, Tarcísio chega a 61%, enquanto Haddad registra 28%.

A vantagem estadual do governador, portanto, é sustentada especialmente pelos eleitores mais velhos.

Mulheres reduzem distância entre Tarcísio e Haddad

A pesquisa também aponta diferenças importantes por gênero.

Entre os homens, Tarcísio registra 56%, contra 31% de Haddad.

Entre as mulheres, a disputa fica mais próxima: 50% para Tarcísio e 40% para Haddad.

O governador continua liderando, mas sua vantagem cai de 25 pontos entre os homens para dez pontos entre as mulheres.

Para a reta final da campanha, esse eleitorado tende a ser estratégico, especialmente em temas como saúde, segurança, educação, emprego, renda, custo de vida e políticas de proteção às mulheres.

Aprovação de 64% fortalece posição de Tarcísio

Outro elemento ajuda a explicar a liderança eleitoral.

O governo Tarcísio é aprovado por 64% dos entrevistados, enquanto 33% desaprovam e 3% não sabem ou não responderam.

Na avaliação qualitativa, 42% consideram a administração ótima ou boa, 34% regular e 23% ruim ou péssima.

Existe ainda uma diferença interessante: a aprovação de 64% é superior aos 53% de intenção de voto.

Isso indica que há eleitores que aprovam a administração estadual, mas não necessariamente declaram voto em Tarcísio. Esse contingente representa um espaço potencial de crescimento para o governador, mas também um eleitorado que ainda pode ser disputado pela oposição.

Rejeição aumenta desafio de Haddad

Fernando Haddad registra 40% de rejeição, contra 32% de Tarcísio.

A rejeição é particularmente importante porque o principal desafio de Haddad, neste momento, não é apenas crescer.

O petista precisa simultaneamente consolidar seu eleitorado, conquistar votos fora de sua base atual e impedir que Tarcísio ultrapasse a metade dos votos válidos no dia da eleição.

É uma equação eleitoral mais complexa.

E se houver segundo turno?

Embora a fotografia atual indique possibilidade de encerramento da eleição na primeira votação, a Real Time Big Data também testou um eventual segundo turno.

Nesse cenário, Tarcísio aparece com 57% e Haddad com 38%. Brancos e nulos representam 3% e 2% não sabem ou não responderam.

Ou seja: mesmo na hipótese de Haddad conseguir levar a eleição para uma segunda etapa, o levantamento continua mostrando vantagem expressiva do governador.

Senado apresenta uma eleição completamente diferente

Se a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes apresenta concentração em dois nomes, a corrida pelas duas vagas paulistas ao Senado está mais fragmentada.

No cenário consolidado dos dois votos, Guilherme Derrite (PP) aparece com 19%, enquanto Simone Tebet (PSB) e André do Prado (PL) registram 17% cada.

Marina Silva (Rede) aparece com 13% e Salles (Novo), com 10%.

Na sequência estão Soninha Francine (Cidadania), com 3%; Guto Schiavetto (Missão), com 2%; e Geraldo Rufino (Podemos), também com 2%.

No primeiro voto, Derrite registra 22%, Simone Tebet 19%, André do Prado 14% e Marina Silva 14%.

No segundo voto, o quadro muda: André do Prado aparece com 19%, enquanto Derrite e Simone Tebet registram 15% cada.

A corrida ao Senado, portanto, permanece mais aberta e exige uma leitura diferente daquela feita para o Governo do Estado.

Análise Guardiã: a batalha agora é pelo primeiro turno

A principal conclusão política da pesquisa desta segunda-feira é que a disputa paulista passa a ter uma batalha paralela: haverá ou não segundo turno?

Tarcísio não está apenas 17 pontos à frente de Haddad. O governador aparece em um patamar que, se reproduzido nas urnas e convertido em maioria absoluta dos votos válidos, seria suficiente para uma reeleição já na primeira votação.

Isso muda a estratégia da campanha.

Para Tarcísio, a prioridade tende a ser preservar a vantagem, evitar perdas entre os segmentos em que já possui desempenho elevado e tentar avançar entre os eleitores de menor renda, jovens e mulheres, justamente onde Haddad apresenta seus melhores resultados relativos.

Para Haddad, a missão é diferente. Antes mesmo de pensar em vencer um eventual segundo turno, precisa garantir que ele exista.

Isso significa reduzir a votação de Tarcísio para abaixo da maioria dos votos válidos, consolidar a vantagem entre os eleitores de até dois salários mínimos, crescer entre jovens e mulheres e buscar votos atualmente concentrados no governador.

Há ainda um problema adicional para a oposição: os demais candidatos somam apenas 2% no cenário estimulado. Com uma terceira via eleitoralmente pequena, existe menos dispersão de votos capaz de impedir naturalmente que o líder ultrapasse os 50% dos votos válidos.

Por outro lado, ainda não é possível decretar uma eleição encerrada.

Pesquisas registram o momento em que as entrevistas foram realizadas. Mudanças de campanha, debates, acontecimentos políticos, crescimento de rejeição, mobilização territorial e alterações na decisão dos eleitores podem modificar o cenário até as urnas.

O regional pode decidir se haverá segundo turno

É justamente nesse momento que as regiões ganham peso estratégico.

O levantamento é estadual e não apresenta resultados individualizados para Capital, Grande ABC, Alto Tietê, Guarulhos, Litoral Norte, Vale do Paraíba ou Interior. Portanto, não é possível usar essa pesquisa para afirmar quem vence especificamente em cada uma dessas regiões.

Mas os recortes de renda e idade dão pistas sobre onde as campanhas podem concentrar esforços.

Regiões populosas da Grande São Paulo, como o Grande ABC, Guarulhos e Alto Tietê, além das periferias da Capital, podem assumir importância ainda maior na tentativa de Haddad de ampliar sua votação entre os segmentos de menor renda.

Tarcísio, por sua vez, chega à reta final com vantagem estadual e com desempenho elevado entre eleitores de renda média e alta e nas faixas etárias mais velhas.

Interior, Litoral Norte e Vale do Paraíba também entram nessa equação por meio das alianças municipais, prefeitos, deputados, lideranças regionais e capacidade das campanhas de transformar apoio político em voto.

A Real Time Big Data desta segunda-feira, portanto, não responde definitivamente se São Paulo terá ou não segundo turno.

Mas apresenta uma fotografia clara: hoje, o risco eleitoral para Haddad não é apenas perder para Tarcísio. É não conseguir levar a disputa para o segundo turno.

Rádio - Clínica Santa Marcia
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