Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata continuarão abertas durante toda a madrugada de sábado para domingo; Linha 3-Vermelha concentra mais da metade dos embarques registrados no período experimental
Por Gabrielle Tricanico | MOBILIDADE | SÃO PAULO
O paulistano continuará tendo uma alternativa de transporte sobre trilhos durante toda a madrugada dos fins de semana. O Metrô de São Paulo prorrogou até 31 de janeiro de 2027 a operação ininterrupta das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata, mantendo abertas as estações para embarque e desembarque entre sábado e domingo.
A medida permanece em caráter experimental e amplia principalmente a mobilidade de trabalhadores que encerram ou iniciam jornadas durante a madrugada, além do público que frequenta eventos, atividades culturais, comércio, serviços e áreas de lazer da capital.
665 mil embarques durante a madrugada
O teste começou em 6 de dezembro de 2025 e já contabilizou aproximadamente 665 mil embarques durante a madrugada, com média de 15,8 mil passageiros por noite, segundo balanço divulgado pelo Metrô.
A distribuição dos embarques mostra uma concentração expressiva na Linha 3-Vermelha:
- Linha 3-Vermelha: 345,4 mil embarques;
- Linha 2-Verde: 157,8 mil;
- Linha 1-Azul: 148 mil;
- Linha 15-Prata: 13,5 mil.
Somente a Linha 3-Vermelha responde por mais da metade do movimento contabilizado no período experimental. O eixo é estratégico principalmente para a Zona Leste, conectando Corinthians-Itaquera a Palmeiras-Barra Funda e passando por importantes pontos da capital, como Tatuapé, Brás, Sé e República.
Estações mais movimentadas na madrugada
Entre as estações que registram maior movimentação durante a operação estão Palmeiras-Barra Funda, República, Consolação, Anhangabaú e Tatuapé.
O movimento reforça a importância da operação para regiões com grande concentração de serviços, comércio, lazer e vida noturna, além dos corredores utilizados por trabalhadores que precisam se deslocar fora do horário convencional do transporte público.
Durante o período experimental, o Metrô afirma monitorar a demanda, os padrões de deslocamento dos passageiros e os impactos da operação ininterrupta sobre as atividades de manutenção.
Os dados coletados deverão servir de base para avaliar os resultados da iniciativa e subsidiar futuros estudos sobre a manutenção ou ampliação do atendimento durante a madrugada.
Prestação de serviço: como funciona a operação 24 horas
A operação ininterrupta ocorre na madrugada de sábado para domingo.
Participam do projeto:
Linha 1-Azul
Linha 2-Verde
Linha 3-Vermelha
Linha 15-Prata
Nessas linhas, os passageiros podem realizar embarques e desembarques durante toda a madrugada.
Quem utiliza integrações, porém, precisa ficar atento. As demais linhas da rede metroferroviária possuem horários próprios de funcionamento, e uma estação aberta durante a madrugada não significa necessariamente que todas as conexões existentes naquele ponto estarão disponíveis.
Linha 15-Prata amplia atendimento na Zona Leste
A operação também beneficia diretamente passageiros da Linha 15-Prata, importante eixo de transporte da Zona Leste.
O monotrilho atende regiões como Vila Prudente, Oratório, São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói, Vila União, Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus e Jardim Colonial.
A manutenção do serviço durante a madrugada amplia as possibilidades de deslocamento para moradores de bairros mais afastados da região central, especialmente trabalhadores dos setores de comércio, serviços, saúde, segurança, entretenimento e alimentação.
Linhas 4-Amarela e 5-Lilás ficam fora
A operação 24 horas não contempla toda a rede sobre trilhos de São Paulo.
As linhas 4-Amarela e 5-Lilás, administradas por concessionárias privadas, não fazem parte do projeto experimental. As linhas ferroviárias metropolitanas também ficaram fora da iniciativa.
A diferença exige atenção principalmente dos passageiros que dependem de integrações para completar seus trajetos durante a madrugada.
Teste será decisivo para futuro da operação
Com a prorrogação até 31 de janeiro de 2027, o período experimental permitirá uma análise mais ampla sobre demanda, custos, manutenção e comportamento dos passageiros.
O volume já registrado — 665 mil embarques desde dezembro de 2025 — será um dos indicadores considerados na avaliação da operação.
A experiência também coloca em discussão uma demanda histórica de uma metrópole que funciona durante 24 horas: garantir transporte público para trabalhadores e usuários que precisam atravessar São Paulo justamente quando boa parte da rede convencional está fechada.

