Representação pede retirada de vídeos e aplicação de multas; segundo a campanha, imagens atribuídas ao Chile foram usadas para associar manifestantes a práticas criminosas.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO
A manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no domingo (11) na Avenida Paulista, na capital paulista, tornou-se alvo de uma disputa na Justiça Eleitoral. A coligação “Brasil Pronto pra Mais” apresentou nesta segunda-feira (12) uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro (PL), o Partido Liberal e outros envolvidos na divulgação de vídeos que, segundo a campanha petista, utilizam imagens fora de contexto para atacar os participantes do ato.
Também são citados na ação Rony Gabriel, Pablo Marçal, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato. A coligação contesta publicações distribuídas em plataformas como Instagram, X, Facebook e Threads e sustenta que houve fabricação e disseminação coordenada de conteúdo manipulado.
De acordo com a representação, os vídeos associam os manifestantes, de maneira generalizada, a vandalismo, consumo de substâncias ilícitas, depredação de patrimônio e apoio a grupos terroristas. A petição afirma ainda que as publicações incluem pedido de voto na candidatura adversária.
Gravação anterior ao ato é ponto central da acusação
Um dos principais argumentos apresentados pela coligação é a origem de um trecho incorporado às publicações. Segundo a petição, a gravação já circulava na internet em 10 de outubro, um dia antes da manifestação na Paulista, em uma postagem atribuída ao Chile.
Para os autores da ação, a utilização desse material junto às imagens da mobilização em São Paulo cria uma associação falsa entre acontecimentos distintos. A alegação de montagem, entretanto, integra a argumentação da coligação e depende de análise da Justiça Eleitoral.
Campanha pede remoção urgente e multas
A coligação solicita uma liminar para a retirada imediata das publicações indicadas na representação e a proibição de novas veiculações do mesmo conteúdo. A justificativa apresentada é o alcance das postagens e o potencial de influência sobre o eleitorado.
No julgamento definitivo, pede a confirmação da exclusão dos vídeos e a aplicação individual da multa eleitoral máxima prevista para a infração alegada. O material fornecido não informa o valor solicitado nem apresenta decisão do TSE sobre esses pedidos.
O caso coloca uma manifestação realizada em um dos principais espaços políticos da capital paulista no centro da disputa sobre o uso de imagens nas redes sociais durante a campanha presidencial. Caberá ao tribunal avaliar o conteúdo, o contexto das publicações e a responsabilidade atribuída a cada representado.
Não constam no material apresentado manifestações das defesas. O ajuizamento da ação, por si só, não significa que as acusações tenham sido acolhidas ou que os citados tenham sido condenados.

