Com investimento superior a R$ 53 milhões, Estado entrega 296 apartamentos para famílias que viviam em situação de extrema vulnerabilidade. A ação simboliza um avanço na política habitacional, mas também evidencia o desafio histórico da ocupação irregular no Grande ABC.
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Por Gabrielle Tricanico
Quase um ano após a retirada das famílias que ocupavam o Galpão Eiji Kikuti, em São Bernardo do Campo, o Governo do Estado de São Paulo concluiu uma das etapas mais importantes da operação habitacional iniciada em 2024. Nesta quarta-feira (2), foram entregues 296 apartamentos do Residencial Cores de São Bernardo para moradores que viviam em uma das áreas de maior risco social da cidade.
O empreendimento recebeu investimento estadual superior a R$ 53 milhões e passa a representar um novo começo para centenas de famílias que conviviam diariamente com o risco de incêndios, instalações improvisadas, ausência de infraestrutura e insegurança permanente.
A ocupação do antigo galpão chamou atenção do poder público justamente pelo elevado grau de vulnerabilidade. Laudos técnicos apontavam risco iminente de acidentes de grandes proporções, tornando inevitável a remoção dos moradores e a busca por uma solução habitacional definitiva.
A entrega das chaves marca o encerramento de uma etapa delicada da política pública: retirar famílias de áreas de risco é apenas parte do processo. O desafio maior sempre foi oferecer uma alternativa digna para que essas pessoas não retornassem à informalidade.
Análise: moradia vai além da entrega das chaves
O caso de São Bernardo do Campo ilustra uma realidade comum nas grandes cidades da Região Metropolitana e, especialmente, do Grande ABC.
Durante décadas, o déficit habitacional, o alto custo dos imóveis e a ausência de oferta suficiente de moradias populares levaram milhares de famílias a ocupar galpões abandonados, áreas industriais desativadas, encostas e terrenos irregulares.
A entrega do Residencial Cores de São Bernardo representa mais do que a conclusão de uma obra. Ela demonstra uma mudança de abordagem, em que operações de desocupação passam a ser acompanhadas por soluções permanentes, reduzindo o impacto social das remoções.
Do ponto de vista urbano, empreendimentos desse porte também contribuem para reorganizar a ocupação da cidade, diminuir situações de risco e permitir que áreas degradadas recebam novos projetos de revitalização.
Desafio continua
Apesar da entrega das quase 300 unidades habitacionais, especialistas apontam que o déficit de moradias no Estado de São Paulo ainda permanece elevado. A demanda por habitação de interesse social continua crescendo, especialmente em regiões metropolitanas como o Grande ABC, onde o preço da terra e dos imóveis dificulta o acesso da população de baixa renda à casa própria.
Ainda assim, a entrega em São Bernardo representa um exemplo de política pública que alia segurança, habitação e dignidade, retirando famílias de uma situação crítica e oferecendo uma solução definitiva.
Para os moradores, a mudança significa mais do que um novo endereço. Representa estabilidade, segurança para os filhos e a oportunidade de reconstruir a vida longe do risco que marcou os últimos anos.