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Santos: Governo garante CT Rei Pelé ao peixe por 20 anos; em Brasília, cerimônia vira palco de embate sobre bets

Acordo regulariza a permanência do Santos Futebol Clube em área da União de cerca de 40 mil m² no Litoral de São Paulo; clube pagará R$ 145,2 mil mensais e reconhece dívida de aproximadamente R$ 23 milhões. No Planalto, ministros defenderam um modelo de futebol menos dependente das casas de apostas.

Por Gabrielle Tricanico | ESPORTE | SANTOS

O Santos Futebol Clube ganhou nesta quinta-feira (1º) segurança jurídica para permanecer em um dos espaços mais importantes de sua estrutura esportiva. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, no Palácio do Planalto, da assinatura do termo de cessão onerosa do terreno onde funciona o Centro de Treinamento Rei Pelé, em Santos, no Litoral de São Paulo.

O acordo estabelece a utilização do imóvel pelo clube por 20 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período. O Santos passará a pagar R$ 145,2 mil por mês à União e reconhece uma dívida de aproximadamente R$ 23 milhões relacionada à ocupação da área.

CT REI PELÉ É PATRIMÔNIO ESPORTIVO DE SANTOS

Para a Baixada Santista, a decisão vai além de uma negociação patrimonial. O CT Rei Pelé está diretamente ligado à operação esportiva do clube e à formação de atletas.

A área possui aproximadamente 40 mil metros quadrados e abriga treinamentos da equipe profissional e das categorias de base. O complexo reúne instalações destinadas à preparação física, recuperação, atendimento médico e atividades dos departamentos de futebol.

A primeira fase do complexo foi inaugurada em 1º de outubro de 2005, o que dá à assinatura um componente simbólico: o novo acordo ocorre justamente no aniversário de 21 anos daquela etapa do CT.

A relação jurídica envolvendo o terreno é antiga. Registros do próprio clube apontam que, em 1996, houve cessão do imóvel da União ao Santos por prazo indeterminado, então sob modalidade de utilização gratuita e vinculada a finalidades esportivas e sociais. O novo termo redefine essa relação e estabelece a cessão onerosa.

CERIMÔNIA ENTRA NO DEBATE NACIONAL SOBRE AS BETS

A solenidade ganhou também dimensão política e econômica diante do debate envolvendo o governo federal, as casas de apostas e o financiamento do futebol brasileiro.

Durante o evento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu um modelo para o futebol brasileiro menos dependente das casas de apostas. Sem citar diretamente a medida provisória relacionada às bets, Messias afirmou que a força do esporte está nas pessoas e defendeu maior valorização da formação de atletas.

“O melhor do futebol brasileiro não está no dinheiro, está na sua gente.”

Messias também lembrou conquistas históricas do futebol brasileiro anteriores à expansão das plataformas de apostas e sustentou que a preparação das categorias de base deve ocupar papel central no desenvolvimento do esporte.

O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, também criticou a influência das bets sobre o futebol e afirmou que o esporte pode contribuir para o desenvolvimento social e para a população sem depender desse modelo de financiamento.

BETS LEVAM DISPUTA PARA O STF

O debate ocorre em meio à reação de empresas do setor e de integrantes do futebol contra as medidas adotadas pelo governo federal em relação às apostas esportivas.

Operadoras e o Flamengo recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a determinação, ampliando uma discussão que envolve interesses econômicos relevantes para o futebol brasileiro.

As bets ganharam espaço nos últimos anos como patrocinadoras de clubes, campeonatos e transmissões esportivas. Por isso, mudanças nas regras do setor podem produzir efeitos diretos nas receitas de equipes que mantêm contratos com empresas de apostas.

SANTOS NO CENTRO DA DISCUSSÃO

Participaram da cerimônia o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, além de nomes históricos do clube, como Serginho Chulapa, Clodoaldo Tavares e Pepe. O ministro do STF Gilmar Mendes, que é santista, também esteve no ato.

Para Santos e a Baixada Santista, o principal efeito concreto da assinatura está na regularização de longo prazo de uma estrutura estratégica para o clube.

O ato, porém, ultrapassou as fronteiras da cidade. Ao reunir governo federal, dirigentes e personagens históricos do futebol justamente durante o embate envolvendo as apostas esportivas, a cerimônia colocou o Santos FC no centro de uma discussão nacional sobre patrimônio público, financiamento dos clubes, formação de atletas e o futuro das bets no futebol brasileiro.

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