Em ato de campanha na capital baiana, presidente e candidato à reeleição defendeu a convivência entre diferentes crenças ao comentar a desinformação envolvendo Nossa Senhora Aparecida; discurso ocorre na reta final para o primeiro turno.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SALVADOR
A religião ganhou espaço na reta final da campanha presidencial. Durante ato realizado nesta terça-feira (29), em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu publicamente o respeito entre católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e comunidades indígenas.
Ao abordar o tema, Lula relacionou a liberdade religiosa à convivência democrática e afirmou que nenhuma crença deve ser utilizada para estimular divisões entre brasileiros.
“Católico tem que respeitar os evangélicos. Evangélico tem que respeitar as religiões de matriz africana. Nós temos que respeitar a cultura indígena, porque senão a democracia vai ser jogada no lixo. Cada um professa a religião que quer. Cada um frequenta a religião que quer”, declarou.
A manifestação ocorreu em meio à repercussão de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a disputa presidencial. A polêmica levou o debate religioso para o centro da campanha justamente nos últimos dias antes da votação.
Salvador vira palco da reta final
Na Bahia, Lula dividiu o ato com aliados locais e pediu votos para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, além de Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), candidatos ao Senado.
A passagem por Salvador integra a mobilização eleitoral do presidente pelo Nordeste. A Bahia ocupa posição estratégica nesse movimento não apenas pelo tamanho do eleitorado, mas também pelo peso político da disputa estadual e pela presença histórica do PT no estado.
Além da questão religiosa, Lula tem concentrado os últimos compromissos de campanha em temas nacionais como economia, educação, saúde, programas sociais e soberania.
Religião entra definitivamente no debate eleitoral
A repercussão do episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida mostra como temas religiosos passaram a disputar espaço com assuntos econômicos e sociais na reta final da eleição.
O debate também evidencia um desafio adicional para as campanhas: separar manifestações políticas legítimas de conteúdos falsos ou distorcidos que circulam nas redes sociais.
Nesse ambiente, declarações envolvendo símbolos religiosos ganham dimensão nacional rapidamente e podem mobilizar diferentes segmentos do eleitorado. Ao falar em Salvador, Lula procurou ampliar sua mensagem para além de uma única religião, citando expressamente católicos, evangélicos, religiões de matriz africana e comunidades indígenas.
ANÁLISE DA GUARDIÃ | Por Gabrielle Tricanico
A entrada da religião com tanta força nos últimos dias de campanha revela um movimento que merece atenção: a disputa eleitoral de 2026 não acontece apenas no campo das propostas, da economia ou da avaliação dos governos. Ela também passa pela identidade, pela fé e pelos símbolos que mobilizam milhões de brasileiros.
Na Bahia, essa discussão assume uma dimensão ainda mais particular. Salvador carrega em sua própria formação uma convivência histórica entre o catolicismo, as religiões de matriz africana e diferentes manifestações de fé. Por isso, quando Lula escolhe justamente um palanque baiano para defender publicamente o respeito religioso, a mensagem dialoga diretamente com características culturais e religiosas presentes no estado.
Há ainda outro componente importante: a velocidade da desinformação nas redes sociais. Uma informação falsa envolvendo religião pode ultrapassar rapidamente o debate político tradicional e atingir um território muito mais sensível para o eleitor: sua crença.
É nesse ponto que a reta final exige responsabilidade redobrada de candidatos, campanhas, imprensa e também dos próprios eleitores. Religião é parte legítima da vida pública e da identidade de milhões de brasileiros, mas informação eleitoral precisa estar sustentada por fatos.
A fala de Lula em Salvador deve ser compreendida dentro desse cenário: um presidente candidato à reeleição respondendo a uma controvérsia religiosa em plena reta final, diante de um eleitorado que decidirá nas urnas, no próximo domingo, não apenas entre projetos políticos, mas também sob o impacto de uma campanha marcada por forte disputa de narrativas.

