Procurado pela Interpol e com mandado de prisão do STF, homem foi localizado em Águas Claras; autoridades apontam tentativa de montar uma rede de distribuição de armas, munições e drogas no Brasil.
Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | SALVADOR
Uma operação integrada capturou, neste sábado (10 de outubro), em Salvador, um ex-militar russo procurado internacionalmente e condenado à prisão perpétua em seu país. Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ele é suspeito de tentar comercializar armas e munições para facções brasileiras. A prisão ocorreu no bairro de Águas Claras, durante a Operação Artemis.
O caso reúne uma condenação no exterior, uma ordem judicial brasileira e suspeitas de articulação com o crime organizado no país. A Polícia Federal confirmou que havia contra o homem um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), relacionado a condenações por tráfico de drogas e falsificação de documentos.
Alerta internacional levou à localização na capital baiana
As buscas começaram após um acionamento da Interpol. A partir desse alerta, equipes de inteligência realizaram pesquisas e levantamentos para identificar o paradeiro do foragido.
De acordo com a PF, ele estava escondido em uma área entre Cajazeiras e Águas Claras, descrita pela instituição como território sob forte influência de uma facção criminosa. A captura envolveu a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Bahia (FICCO-BA), o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar e o Núcleo de Cooperação Internacional da PF.
Suspeita de rede de armas e drogas no Brasil
Segundo informações preliminares divulgadas pela SSP-BA, o homem teria passado por outros estados brasileiros antes de chegar à Bahia. Ele era alvo da Difusão Vermelha da Interpol e, conforme a secretaria, pretendia estruturar uma rede para distribuir armas, munições e drogas em território brasileiro.
As notas oficiais consultadas não identificam quais facções seriam destinatárias desse material nem detalham negociações já realizadas. Também não apresentam um balanço de armas ou drogas apreendidas na captura. Esses pontos permanecem sem esclarecimento público, e a suspeita de atuação no Brasil deve ser distinguida das condenações informadas pelas autoridades.
Condenação envolve 600 quilos de cocaína, afirma secretaria
Em uma atualização publicada após a prisão, a Segurança Pública baiana informou que o ex-militar havia sido flagrado na Rússia com 600 quilos de cocaína e documento falso, fatos associados à condenação à prisão perpétua, segundo o órgão. A informação foi divulgada pela secretaria brasileira; as notas consultadas não apresentam a íntegra da sentença estrangeira.
Preso foi encaminhado à Polícia Federal
Após a captura, o homem foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal na Bahia para cumprimento da decisão judicial. A Operação Artemis é uma iniciativa permanente voltada à localização e prisão de foragidos, com foco em autores de crimes violentos e lideranças de organizações criminosas.
A SSP-BA informou que seriam iniciados os trâmites de comunicação com a Justiça russa para o processo de extradição. Até as atualizações oficiais consultadas, não havia anúncio de uma data para entrega do preso às autoridades daquele país.

