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Rio de Janeiro expõe rombo na máquina pública: auditoria revela até 78% de servidores fantasmas em secretarias estaduais

Por Gabrielle Tricanico

Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE-RJ) em conjunto com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), durante a gestão interina do Governo do Estado do Rio de Janeiro, revelou um cenário alarmante na administração pública: em algumas secretarias, até 78% dos cargos comissionados eram ocupados por servidores que não exerciam efetivamente suas funções, os chamados “funcionários fantasmas”.

O levantamento, que até agora analisou 20 dos 78 órgãos estaduais, identificou a Secretaria de Trabalho e Renda como a pasta com o maior índice de irregularidades. Também foram encontrados percentuais elevados nas secretarias de Esporte, Turismo, Ciência e Tecnologia, Agricultura, Assistência Social, Casa Civil, Saúde e Desenvolvimento Social. A apuração foi feita por meio do cruzamento de registros eletrônicos de acesso, controle de ponto e movimentação nas dependências dos órgãos públicos.

Segundo os dados divulgados, mais de 4 mil servidores comissionados já foram exonerados, enquanto a estimativa é de que outras milhares de dispensas possam ocorrer à medida que a auditoria avance para os demais órgãos estaduais. O prejuízo aos cofres públicos apenas nas secretarias já fiscalizadas foi estimado em R$ 16,7 milhões por mês.

Análise – O desafio vai além das exonerações

A descoberta coloca o governo interino diante de um dos maiores desafios de gestão dos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro. O caso evidencia que o problema não se resume à existência de funcionários fantasmas, mas aponta para possíveis falhas estruturais nos mecanismos de controle interno, fiscalização e ocupação de cargos de confiança.

A continuidade das auditorias deverá indicar se as irregularidades representam casos isolados ou um modelo de ocupação da máquina pública que se consolidou ao longo dos anos. Além do impacto financeiro, o episódio reforça a necessidade de ampliar a transparência na administração estadual e fortalecer os mecanismos de controle para garantir que os recursos públicos sejam efetivamente destinados à prestação de serviços à população.

A expectativa agora recai sobre o aprofundamento das investigações, a responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades, e a implementação de medidas permanentes para impedir que situações semelhantes voltem a ocorrer.

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