Por Gabrielle Tricanico
Na política, 48 horas podem mudar completamente uma narrativa.
Na terça-feira (23), o vereador Senival Moura (PT) aparecia ao lado do presidente Lula durante a agenda no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera. A imagem reforçava sua força política na Zona Leste, um dos principais redutos eleitorais do partido.
Dois dias depois, o cenário virou.
Nesta quinta-feira (25), o parlamentar foi preso durante a Operação Última Parada, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de ônibus.
A investigação não tem relação com o presidente Lula. Mas, politicamente, a repercussão é inevitável.
O caso acontece justamente quando as pesquisas mostram o ex-ministro Fernando Haddad (PT) reduzindo a distância para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
É cedo para afirmar que a prisão terá reflexos nas urnas. Porém, fatos como esse costumam influenciar a percepção do eleitor, principalmente daqueles que ainda não definiram seu voto.
Se esse desgaste atingir o PT nas próximas pesquisas, quem tende a ganhar espaço é Tarcísio, que buscará a reeleição em 2026.
Nos bastidores, esse é justamente o movimento esperado pelo grupo político do governador.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) intensificou sua agenda ao lado de Tarcísio. A estratégia é clara: fortalecer a imagem da parceria entre Prefeitura e Governo do Estado, aumentar a aprovação das duas gestões e consolidar um discurso de estabilidade administrativa diante do eleitor paulista.
A prisão de uma das principais lideranças petistas da Câmara Municipal cria um novo ingrediente nessa disputa.
Mais do que o impacto jurídico, o caso produz desgaste político em um momento delicado para o PT em São Paulo.
Agora, a resposta virá das próximas pesquisas. Elas mostrarão se a operação ficará restrita ao noticiário policial ou se também terá reflexos na corrida eleitoral de 2026.
