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Praia Grande entra no centro de operação contra lavagem de quase R$ 1 bilhão ligada ao PCC; licitações e influência política estão sob investigação

Operação Helmintos investiga uso do mercado imobiliário, exploração de quiosques públicos e possível favorecimento em contratação municipal. Justiça determinou quatro prisões temporárias, bloqueio de ativos e sequestro de 29 imóveis.

Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | PRAIA GRANDE

Praia Grande tornou-se um dos principais focos de uma investigação que ultrapassa o tráfico de drogas e avança sobre a relação entre crime organizado, atividade econômica, patrimônio imobiliário, concessões públicas e possíveis conexões políticas.

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira (3) a Operação Helmintos, contra um núcleo apontado como ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e suspeito de movimentar quase R$ 1 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro.

As investigações apontam que a estrutura teria utilizado imóveis de alto padrão, empresas, estabelecimentos comerciais e intermediários para movimentar e ocultar recursos supostamente provenientes do narcotráfico. Pessoas que teriam atuado como “testas de ferro” também estão na mira da apuração.

Quiosques e licitações entram no centro da investigação

Para Praia Grande, um dos pontos mais sensíveis da operação está na investigação sobre a exploração de quiosques instalados na orla, atividade econômica realizada em áreas públicas e submetida às regras e processos administrativos do município.

A Polícia Civil apura um possível favorecimento relacionado a uma licitação para exploração de quiosque na cidade. A investigação busca identificar os beneficiários dos processos, eventuais vínculos com pessoas ligadas ao PCC e se houve interferência indevida nas contratações.

Outro eixo considerado especialmente relevante é a apuração sobre eventual envolvimento de agentes públicos e possível apoio financeiro a políticos eleitos no município.

Neste momento, porém, essas informações devem ser tratadas como linhas de investigação. A existência da apuração não representa, por si só, comprovação de participação de servidores, políticos ou integrantes da administração municipal em atividades criminosas.

Prefeitura se manifesta

Informações divulgadas inicialmente apontaram diligências relacionadas à Divisão de Compras e Contratação de Serviços da Prefeitura de Praia Grande.

A administração municipal informou que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos e fornecer as informações necessárias à investigação.

A documentação relacionada aos procedimentos de contratação é considerada importante para que os investigadores possam reconstruir as etapas dos processos e verificar se houve ou não favorecimento.

Justiça determina prisões e atinge patrimônio

A dimensão financeira da Operação Helmintos chama atenção.

A Justiça decretou a prisão temporária de quatro investigados apontados como ligados ao PCC. Outros nomes também são alvos das diligências.

Além das prisões e buscas, a investigação alcança o patrimônio associado ao grupo. Foram determinadas medidas de bloqueio financeiro e sequestro de 29 imóveis vinculados aos investigados, dentro da estratégia de descapitalização da estrutura suspeita de lavagem de dinheiro.

A movimentação investigada, que se aproxima de R$ 1 bilhão, coloca a operação entre as grandes ofensivas recentes contra estruturas financeiras atribuídas ao crime organizado em São Paulo.

Investigação ultrapassa Praia Grande

Embora Praia Grande esteja no centro da apuração envolvendo os quiosques e a contratação pública, a investigação possui dimensão regional.

As diligências também alcançam outros municípios paulistas, demonstrando que a estrutura financeira investigada não estaria limitada à Baixada Santista.

O objetivo agora é reconstruir o caminho do dinheiro: de onde saíram os recursos, por quais empresas e pessoas passaram, onde foram investidos e quem efetivamente se beneficiou das operações.

Análise: avanço sobre a economia formal preocupa

O ponto mais relevante da Operação Helmintos para Praia Grande e para a Baixada Santista está na suspeita de que recursos provenientes de atividades criminosas possam ter migrado para a economia formal e para negócios relacionados a bens e atividades reguladas pelo poder público.

Se essa hipótese for confirmada ao final das investigações, o caso terá uma dimensão maior do que uma operação convencional de lavagem de capitais.

A apuração poderá revelar uma tentativa de transformar recursos provenientes do crime em patrimônio aparentemente legal e, paralelamente, ampliar influência sobre setores econômicos locais.

Por isso, a investigação relacionada aos quiosques e às licitações será uma das etapas fundamentais do caso.

Será necessário identificar quem participou dos processos, quem foi beneficiado, quais eram os vínculos entre os envolvidos, como ocorreu a contratação e se houve efetivamente interferência criminosa.

Também será fundamental esclarecer a investigação sobre eventuais relações políticas. Até que existam provas individualizadas e eventuais decisões judiciais, não é possível atribuir responsabilidade criminal a agentes públicos ou políticos apenas pela existência dessa linha investigativa.

A Operação Helmintos segue em andamento, e novos desdobramentos poderão ampliar o alcance da investigação sobre a estrutura patrimonial, empresarial e política do grupo.

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