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Piracicaba: operação do GAECO mira esquema de agiotagem com suspeitas de sequestro e ameaças de morte

Operação Prazo Final cumpre seis mandados de prisão e dez de busca e apreensão; investigação aponta que cobrança de empréstimos com juros abusivos teria escalado para ameaças, cativeiro e tomada de veículo de vítima.

Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | PIRACICABA

Uma investigação sobre empréstimos com juros abusivos levou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, às ruas de Piracicaba nesta terça-feira (1º). A Operação Prazo Final apura um suposto esquema de agiotagem no qual a cobrança de dívidas teria ultrapassado a esfera financeira e evoluído para ameaças de morte e extorsão mediante sequestro.

A ofensiva é realizada em conjunto com o 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP). Segundo as informações divulgadas pelo MPSP, são cumpridos seis mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais do município.

A dimensão da operação revela que a investigação busca mais do que identificar os responsáveis pelas supostas cobranças ilegais. As diligências também têm como objetivo reunir novas provas, localizar patrimônio e valores possivelmente relacionados às atividades investigadas e proteger a integridade física de uma das vítimas.

Da dívida às ameaças e ao cativeiro

O ponto mais grave da investigação está na forma como uma dívida teria sido cobrada.

De acordo com as apurações, uma das vítimas teria contratado empréstimos e, posteriormente, deixado de conseguir cumprir os pagamentos. A partir desse momento, segundo a investigação, as cobranças teriam se tornado progressivamente mais violentas.

Primeiro teriam surgido ameaças de morte. Depois, conforme os elementos reunidos pelo GAECO, a vítima teria sido sequestrada e mantida em cativeiro, numa tentativa de obrigá-la a quitar os valores exigidos.

Há ainda indícios de que o veículo da vítima tenha sido subtraído e utilizado como garantia para o pagamento da dívida.

O caso coloca a Operação Prazo Final em um patamar muito mais grave do que uma investigação restrita à prática de agiotagem. O Ministério Público trabalha com a hipótese de um conjunto de condutas criminosas relacionadas à cobrança e à intimidação das vítimas.

Investigados podem responder por diferentes crimes

Segundo o MPSP, os envolvidos poderão responder, em tese, por extorsão mediante sequestro, ameaça, crime contra a economia popular na modalidade de agiotagem, roubo e associação criminosa.

A expressão “em tese” é fundamental porque a operação está inserida em uma investigação em andamento. Caberá ao Ministério Público analisar as provas obtidas e definir eventuais denúncias, enquanto a responsabilidade criminal de cada investigado dependerá do devido processo legal.

O próprio nome “Prazo Final” faz referência, segundo o Ministério Público, ao prazo fatal que teria sido imposto pelos investigados para que uma das vítimas quitasse a dívida.

Operação expõe risco de violência por trás da agiotagem

O caso de Piracicaba chama atenção para uma característica especialmente perigosa dos esquemas clandestinos de empréstimos: uma relação inicialmente financeira pode, segundo as circunstâncias investigadas, transformar-se em um mecanismo de coação, ameaça e violência.

Com as buscas e prisões desta terça-feira, uma das etapas centrais agora será a análise do material apreendido. Documentos, registros financeiros e outros elementos eventualmente recolhidos poderão ajudar os investigadores a estabelecer a dimensão do suposto esquema, identificar a movimentação de recursos e verificar a possível existência de outras vítimas.

A Guardiã da Notícia acompanha os desdobramentos da Operação Prazo Final, incluindo o resultado das prisões, das apreensões e eventuais novas medidas determinadas pela Justiça.

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