Coletores protestam por pendências relacionadas ao FGTS; manifestação ganhou contornos políticos após Abidan Henrique, vereador e candidato a deputado, publicar vídeo e relatar agressão e intimidação por homens que, segundo ele, estariam armados.
Por Gabrielle Tricanico | GRANDE SÃO PAULO | EMBU DAS ARTES
A paralisação dos trabalhadores da coleta de lixo voltou a colocar Embu das Artes diante de uma crise em um dos serviços essenciais do município. Nesta quinta-feira (13), coletores realizaram uma manifestação em meio a reivindicações trabalhistas, com destaque para a falta de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O protesto ganhou ainda mais repercussão depois que o vereador Abidan Henrique, que também disputa uma vaga de deputado nas eleições de 2026, afirmou ter sido agredido durante a mobilização.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Abidan aparece em meio aos trabalhadores e relata que homens armados teriam comparecido ao protesto para intimidar os manifestantes. “Fui agredido hoje!”, escreveu o parlamentar na publicação. Segundo ele, a mobilização ocorre diante da possibilidade de greve relacionada à falta de pagamento do FGTS.
A Guardiã da Notícia ressalta que, até o momento, a alegação de agressão e a afirmação sobre a presença de homens armados partem do relato público do vereador e precisam ser apuradas pelas autoridades. A imagem divulgada, isoladamente, não permite confirmar as circunstâncias da suposta agressão nem identificar eventual responsabilidade dos homens mencionados pelo parlamentar.
Coleta é serviço estratégico para Embu das Artes
A paralisação acende um alerta especialmente relevante para a cidade. Segundo informações disponibilizadas pela própria Prefeitura, a coleta de resíduos sólidos de Embu das Artes é realizada pela Embu Ambiental por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Dados municipais disponíveis apontam uma estrutura com cerca de 270 trabalhadores e 15 veículos envolvidos na operação. (Cidade em Buda Artes)
Dados do SINISA referentes a 2024 indicam ainda que o serviço de coleta domiciliar alcança 100% da população do município. Isso significa que uma paralisação prolongada pode ter reflexos diretos sobre praticamente toda a cidade, com possibilidade de acúmulo de resíduos em bairros e áreas comerciais caso a operação não seja normalizada. (Água e Saneamento)
Histórico de conflitos trabalhistas amplia pressão
O episódio atual não surge em um cenário completamente novo. Registros da própria Câmara Municipal mostram que problemas relacionados aos profissionais da coleta já entraram no debate político de Embu das Artes. Em sessão de dezembro de 2024, Abidan Henrique citou atrasos envolvendo trabalhadores da coleta. Em abril de 2025, o parlamentar voltou a mencionar uma greve da categoria ao avaliar os primeiros meses da administração municipal. (No Paper Cloud)
Embu das Artes também possui histórico mais antigo de paralisações no setor. Em 2015, uma greve dos funcionários responsáveis pela coleta terminou após negociação envolvendo reajuste salarial, alimentação, compensação dos dias parados e estabilidade temporária no emprego. (Cidade em Buda Artes)
O novo conflito, entretanto, ocorre em um momento diferente: além do impacto sobre a limpeza urbana, a paralisação entra diretamente no ambiente político das eleições de 2026 devido à participação de Abidan Henrique no protesto e à sua condição de candidato.
Caso pode avançar para esfera policial
A eventual presença de pessoas armadas e a denúncia de agressão precisam ser esclarecidas por meio de registros policiais, imagens, testemunhos e investigação. Também será necessário determinar quem eram os homens mencionados pelo vereador, por que estavam no local e em quais circunstâncias teria ocorrido o confronto.
Do ponto de vista trabalhista, o FGTS é um direito do trabalhador com carteira assinada e os depósitos são obrigação do empregador. A existência de eventuais valores pendentes, entretanto, precisa ser comprovada individualmente e oficialmente.
A paralisação aumenta a pressão por uma solução rápida porque envolve três frentes simultâneas: direitos dos trabalhadores, continuidade de um serviço público essencial e segurança durante uma manifestação.
A Guardiã da Notícia acompanha o caso e busca posicionamento da Prefeitura de Embu das Artes, da empresa responsável pela coleta e das autoridades de segurança sobre as denúncias apresentadas durante o protesto.
