Uma semana depois do crime, a ausência de pressão pública expõe a fragilidade do compromisso coletivo com a vida das mulheres.
Por Camila Cabral
Uma semana se passou desde o feminicídio ocorrido em Diadema. E o que vemos agora é silêncio.
A repercussão perdeu força. As manifestações diminuíram. A pressão pública desapareceu.
O problema não é apenas o crime, é a forma como ele rapidamente deixa de ser prioridade.
Feminicídio não pode ser tratado como pauta de 48 horas. Não basta noticiar. É preciso insistir. Cobrar. Acompanhar.
Sem pressão social, não há prioridade política. Sem prioridade política, não há política pública eficaz.
A prisão de um suspeito não encerra o debate. Não resolve o problema estrutural que coloca mulheres em risco diariamente.
O que precisamos é continuidade na cobrança, articulação institucional e vigilância social permanente.
O silêncio não protege mulheres.
Protege a repetição.
E normalizar o esquecimento é aceitar que outras histórias terminarão da mesma forma.
—
Camila Cabral
