Quem vive ou circula próximo ao Polo Petroquímico do ABC pode, eventualmente, observar uma chama no alto de uma estrutura industrial ou perceber um aumento momentâneo da luminosidade durante a noite. Para quem não conhece o funcionamento da indústria petroquímica, a cena pode gerar dúvidas. Afinal, por que existe essa chama? Ela representa algum risco?
A presença da chama, por si só, não representa uma situação de risco. Na realidade, o flare é um dos principais sistemas de segurança das unidades petroquímicas e sua função é justamente proteger pessoas, instalações, comunidades vizinhas e o meio ambiente.
Embora a chama seja o elemento mais visível, ela representa apenas a etapa final de um sistema altamente tecnológico, desenvolvido para operar de forma automática e segura sempre que determinadas condições operacionais exigem.
O flare está presente em refinarias, indústrias petroquímicas, químicas e de óleo e gás em diversos países. Seu funcionamento segue normas técnicas rigorosas e faz parte do projeto original dessas instalações.
Seu papel é realizar a queima controlada e segura de gases que, em determinadas situações operacionais, não podem permanecer no processo produtivo. Em vez de serem liberados diretamente para a atmosfera, esses gases são direcionados ao flare, onde passam por combustão controlada, reduzindo riscos operacionais e contribuindo para a segurança das instalações.
Uma forma simples de compreender sua importância é compará-lo aos diversos mecanismos de proteção presentes em nosso dia a dia. Assim como os automóveis contam com airbags, os elevadores possuem freios de emergência e as panelas de pressão utilizam válvulas de segurança para controlar a pressão interna, a indústria petroquímica também dispõe de sistemas projetados para atuar automaticamente quando necessário. O flare exerce exatamente essa função.
Ao contrário do que muitos imaginam, o acionamento do flare não indica necessariamente uma situação de emergência. Trata-se de um sistema de segurança que pode ser utilizado em diferentes condições operacionais, previstas e controladas, como testes operacionais, atividades de manutenção preventiva, ajustes de processo e também em situações provocadas por fatores externos, como oscilações ou interrupções no fornecimento de energia elétrica. Todas essas condições são previstas pelos projetos das unidades industriais e fazem parte dos protocolos de segurança adotados pelo setor
Outro aspecto que costuma despertar curiosidade é o tamanho da chama. Ela pode variar conforme o volume de gases encaminhado ao sistema em cada momento. Em alguns casos, a luminosidade pode ficar mais intensa e, dependendo das condições atmosféricas, também pode haver alteração na percepção do ruído. Essas variações são esperadas e refletem o funcionamento normal do sistema, sem representar, por si só, uma situação de risco para a população.
Existem diferentes tipos de flare, cada um desenvolvido para atender características específicas das operações industriais. Nas últimas décadas, a evolução tecnológica da indústria petroquímica trouxe avanços importantes para esses sistemas. Equipamentos mais modernos, automação, monitoramento em tempo real e controles cada vez mais sofisticados permitem aumentar a estabilidade operacional das plantas industriais.
Na Braskem, investimentos contínuos em confiabilidade operacional, inovação e segurança de processos contribuem para tornar as operações mais estáveis e previsíveis. Justamente por isso, quando a chama aparece, ela tende a chamar mais atenção da população, por fugir da rotina observada no dia a dia.
Além da tecnologia, outro pilar importante é a transparência. Explicar o funcionamento dos sistemas de segurança e esclarecer dúvidas da população faz parte da relação construída com as comunidades vizinhas às unidades industriais. O acesso à informação contribui para ampliar o entendimento sobre as operações industriais e fortalecer a relação de confiança entre indústria e sociedade.
A convivência harmoniosa entre a atividade industrial e a comunidade depende não apenas de investimentos em equipamentos e processos, mas também da manutenção de canais permanentes de diálogo. Por isso, a Braskem promove iniciativas de aproximação com lideranças comunitárias, compartilha informações sobre suas operações e busca esclarecer, de forma simples e acessível, temas que fazem parte do cotidiano de quem vive próximo ao Polo Petroquímico.
Entender o que é o flare ajuda a transformar uma imagem que pode causar preocupação em um sinal de que os sistemas de segurança estão cumprindo exatamente a função para a qual foram desenvolvidos. Mais do que uma chama visível, o flare representa um conjunto de tecnologias, procedimentos e investimentos voltados à proteção das pessoas, das operações, do meio ambiente e das comunidades vizinhas. É a demonstração prática de que, na indústria petroquímica, segurança é um princípio que orienta cada etapa da operação.

