Prefeito da capital e governador paulista cobram compromisso do candidato ao Senado para atuar na liberação de financiamentos internacionais. Movimento amplia o discurso da oposição sobre suposto bloqueio político de recursos destinados ao Estado e à Prefeitura de São Paulo.
Por Gabrielle Tricanico | Política | São Paulo
A corrida eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo com forte impacto político e administrativo. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobraram do candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PL) um compromisso público para atuar na liberação de aproximadamente R$ 12 bilhões em financiamentos internacionais que, segundo eles, aguardam autorização da Casa Civil do governo federal.
O assunto foi discutido durante um café da manhã promovido por Ricardo Nunes, que reuniu lideranças da centro-direita paulista, entre elas Flávio Bolsonaro, os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), além de vereadores e integrantes da administração municipal.
Segundo relatos do encontro divulgados pelo Metrópoles, Ricardo Nunes afirmou que cerca de R$ 4 bilhões referentes a empréstimos contratados pela Prefeitura permanecem parados aguardando autorização federal. Na sequência, Tarcísio acrescentou que o Governo de São Paulo enfrenta situação semelhante, com aproximadamente R$ 8 bilhões ainda pendentes de liberação.
Os recursos são provenientes de organismos multilaterais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Embora os financiamentos já tenham sido negociados, a legislação brasileira exige manifestação do governo federal para a conclusão do processo.
Discurso eleitoral ganha força
O episódio reforça uma das principais narrativas da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral de 2026: a de que haveria demora ou resistência política na autorização de operações financeiras destinadas ao Estado de São Paulo.
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro teria afirmado que, caso eleito senador, atuará para tentar acelerar essas liberações. Também atribuiu o atraso a uma suposta retaliação política do governo federal contra as administrações paulista e paulistana, ambas comandadas por adversários do Palácio do Planalto.
Já o governo federal sustenta, em manifestações anteriores sobre operações semelhantes, que a tramitação segue critérios técnicos e legais, envolvendo análises fiscais, financeiras e jurídicas antes da autorização definitiva.
Recursos são estratégicos para obras
Os cerca de R$ 12 bilhões representam financiamentos destinados a investimentos estruturantes.
Na Prefeitura de São Paulo, os valores são voltados para projetos de mobilidade urbana, drenagem, infraestrutura, sustentabilidade e modernização da cidade.
No Governo do Estado, os recursos financiam programas de mobilidade, obras viárias, saneamento, resiliência climática e outras iniciativas previstas no plano de investimentos da administração estadual.
Sem a autorização federal, os contratos internacionais não podem ser integralmente executados.
Análise da jornalista Gabrielle Tricanico
Mais do que uma discussão administrativa, o episódio evidencia a estratégia eleitoral construída pelo grupo político liderado por Tarcísio de Freitas. Ao colocar na mesma mesa Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro, Guilherme Derrite e André do Prado, o encontro também sinaliza alinhamento entre as principais lideranças do campo conservador paulista.
O debate sobre os R$ 12 bilhões transforma um tema técnico em pauta política. Caso o impasse persista durante a campanha, a liberação dos financiamentos tende a se tornar um dos principais argumentos da oposição ao governo federal no Estado de São Paulo, enquanto o Planalto deverá defender que os processos seguem exigências legais e não critérios políticos.
