Especialista analisa o impacto do pedido de recuperação extrajudicial da petroquímica e alerta para as consequências dos altos gastos do governo nos juros e na inflação.
A semana no mercado financeiro apresentou uma leve recuperação da bolsa, impulsionada por ações de siderúrgicas e bancos e influenciada pelo otimismo com o cenário eleitoral, mas foi marcada negativamente pelo pedido de recuperação extrajudicial da Braskem. A petroquímica acumula uma dívida de R$ 54 bilhões — montante equivalente a 15 vezes o seu valor de mercado (R$ 3 bilhões) —, em um cenário agravado por problemas de gestão e pela alta taxa de juros.
O quadro macroeconômico brasileiro acende um alerta sobre as contas públicas: o excesso de gastos do governo gera injeção desequilibrada de dinheiro na economia, o que eleva a inflação e obriga o Banco Central a manter os juros altos. Essa dinâmica acaba asfixiando o setor corporativo e o trabalhador, e já compromete 88% do Produto Interno Bruto (PIB) do país com dívidas, com projeções de atingir 100% do patrimônio nacional até 2027 caso o ritmo de “gastança” continue. No cenário internacional, o dólar fechou com leve alta, cotado a R$ 5,15, enquanto o mercado segue atento às tensões no Oriente Médio e às ameaças de embargos econômicos dos EUA aos parceiros comerciais do Irã, fator que traz instabilidade para o preço do barril de petróleo.
