Deputado do PP foi reeleito com 269.996 votos em São Paulo e recebeu 3.758 votos no município sem nunca ter sido prefeito da cidade. Felipe Augusto, após oito anos no comando de São Sebastião, chegou a 9.534 votos, mas ficou longe do patrimônio eleitoral que já teve no município.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO SEBASTIÃO
A eleição para deputado federal em São Sebastião deixou um resultado que exige uma leitura além do placar simples das urnas.
Felipe Augusto (PSDB) recebeu 9.534 votos no município. Maurício Neves (PP), 3.758.
Se a análise parar aí, Felipe aparece na frente.
Mas política não se mede apenas por uma fotografia isolada. É preciso observar de onde cada candidato partiu, quanto patrimônio político carregava, qual estrutura possuía e, principalmente, como terminou a eleição.
E é justamente nesse ponto que o resultado muda de dimensão.
Maurício Neves saiu das urnas reeleito deputado federal, com 269.996 votos em São Paulo. Felipe Augusto, apesar de ter governado São Sebastião durante oito anos, não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
É essa diferença que torna o desempenho de Maurício politicamente relevante.
MAURÍCIO NÃO FOI PREFEITO DE SÃO SEBASTIÃO
Maurício nunca comandou a Prefeitura de São Sebastião.
Não teve oito anos de exposição diária à frente da administração municipal, não carregava o mesmo recall de gestão de Felipe e não entrou na campanha sustentado por duas eleições consecutivas para prefeito.
Sua presença na cidade foi construída a partir de relações políticas, apoio de vereadores e articulação com lideranças locais.
Mesmo partindo dessa condição, conquistou 3.758 votos em São Sebastião.
Pode parecer pouco quando colocado ao lado dos 9.534 de Felipe, mas a comparação precisa levar em consideração a diferença de trajetória entre os dois.
Felipe era ex-prefeito de dois mandatos.
Maurício não.
E, ainda assim, Maurício conseguiu estabelecer uma base própria dentro de um território onde o adversário havia governado por oito anos.
FELIPE CARREGAVA O MAIOR RECALL DA DISPUTA
Felipe Augusto chegou à eleição com uma vantagem política evidente: o conhecimento acumulado depois de oito anos como prefeito.
Em 2016, recebeu 19.924 votos para assumir a Prefeitura.
Em 2020, foi reeleito com 23.501 votos.
Seis anos depois, na disputa para deputado federal, terminou com 9.534 votos em São Sebastião.
São eleições diferentes e, portanto, não podem ser comparadas mecanicamente. Uma eleição para prefeito concentra mais o voto local, enquanto a disputa para deputado federal pulveriza o eleitorado entre dezenas de candidatos.
Mas a comparação histórica continua tendo peso político.
Felipe perdeu mais de 13 mil votos em relação ao contingente que havia conquistado em 2020.
Isso representa uma redução de aproximadamente 59% sobre aquela votação.
Para um político que governou a cidade por oito anos, esse dado precisa ser observado.
O ELEITORADO DE FELIPE FOI PULVERIZADO
A eleição de 2026 também mostrou que São Sebastião não concentrou o voto federal em apenas um nome.
O município recebeu diferentes candidaturas competitivas, apoiadas por grupos políticos distintos.
Renata Abreu (Podemos), Marcos Pereira (Republicanos), Paulo Alexandre Barbosa (PSD), além de outros nomes, disputaram espaço dentro da mesma base eleitoral.
Na prática, vários candidatos retiraram fatias de um eleitorado que, em uma disputa municipal, poderia estar mais concentrado.
Essa fragmentação ajuda a explicar por que Felipe, mesmo tendo sido prefeito por oito anos, não conseguiu repetir uma votação próxima daquela registrada nas eleições municipais.
E é exatamente neste cenário que Maurício aparece como um dos beneficiados pela reorganização política da cidade.
O RESULTADO DE MAURÍCIO VAI ALÉM DOS 3.758 VOTOS
Os votos de Maurício em São Sebastião não podem ser analisados isoladamente.
Eles fizeram parte de uma votação estadual de 269.996 votos, responsável por garantir sua reeleição para a Câmara dos Deputados.
Maurício terminou entre os deputados federais mais votados do estado de São Paulo.
Ou seja: enquanto Felipe dependia de uma forte concentração eleitoral em seu principal reduto, Maurício mostrou uma capacidade de voto muito mais espalhada territorialmente.
Esse é um dos principais contrastes entre os dois.
Felipe demonstrou que ainda possui votos em São Sebastião. Maurício demonstrou que possui votos em São Sebastião e fora dela em quantidade suficiente para conquistar novamente um mandato federal.
Politicamente, são resultados de pesos diferentes.
REINALDINHO MOREIRA TAMBÉM ENTROU NA ANÁLISE
O prefeito de São Sebastião, Reinaldinho Moreira, também se manifestou após a eleição e gravou um vídeo comentando o resultado das urnas.
A fala tem peso simbólico e político.
Reinaldinho conhece de perto a trajetória de Felipe Augusto. Foi seu vice-prefeito e integrou a chapa que venceu a eleição municipal de 2020.
Por isso, quando o atual prefeito chama atenção para o resultado de 2026, o debate ganha uma dimensão que ultrapassa a simples comparação numérica entre dois candidatos.
A eleição mostrou que a antiga concentração de votos em torno de Felipe já não se reproduziu da mesma maneira.
Diversos candidatos entraram no município, conquistaram espaço e dividiram o eleitorado.
Maurício foi um deles.
FELIPE TEVE MAIS VOTOS, MAS MAURÍCIO SAIU COM O MANDATO
É necessário separar claramente duas coisas.
Felipe Augusto teve mais votos que Maurício Neves em São Sebastião.
Esse é um dado objetivo.
Mas também é objetivo que Maurício terminou a eleição reeleito deputado federal, enquanto Felipe não conquistou a cadeira.
É aí que está a principal diferença política.
Felipe tinha oito anos de Prefeitura, duas eleições municipais vencidas e uma base histórica de mais de 20 mil votos na cidade.
Maurício não tinha esse patrimônio eleitoral local.
Ainda assim, saiu de São Sebastião com quase quatro mil votos, consolidou uma votação estadual próxima dos 270 mil votos e renovou seu mandato em Brasília.
Quando se analisa o ponto de partida e o ponto de chegada dos dois candidatos, o cenário deixa de ser apenas um placar de 9.534 contra 3.758.
Passa a ser uma comparação entre recall local e capacidade de transformação eleitoral.
A PRINCIPAL MENSAGEM DAS URNAS
Felipe Augusto provou que ainda mantém um núcleo eleitoral importante em São Sebastião.
Mas também ficou evidente que o ex-prefeito não conseguiu preservar toda a força política acumulada durante seus oito anos de gestão.
O voto se fragmentou.
Outros deputados entraram.
Novas alianças se formaram.
E Maurício Neves conseguiu ocupar uma parte desse espaço sem nunca ter sentado na cadeira de prefeito de São Sebastião.
Ao final, um saiu com 9.534 votos na cidade.
O outro saiu com 3.758 votos locais, 269.996 votos no estado e mais quatro anos de mandato na Câmara dos Deputados.
Por isso, a eleição de São Sebastião não deve ser lida apenas pelo número absoluto de votos de cada candidato dentro do município.
Felipe ganhou o confronto nominal local. Maurício, porém, saiu politicamente fortalecido e com aquilo que efetivamente estava em disputa: uma cadeira na Câmara dos Deputados.
É esse contraste que transforma Maurício Neves em um dos principais nomes a serem observados na nova configuração política de São Sebastião após as eleições de 2026.
