Por Gabrielle Tricanico | São Paulo Capital
A investigação da Operação Última Parada, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, ganhou um novo desdobramento ao citar uma assessora parlamentar do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). O relatório policial aponta que Roseli Caires Oliveira Martins, atualmente lotada no gabinete do parlamentar, possui vínculos familiares com pessoas apontadas pelos investigadores como integrantes do núcleo financeiro do esquema investigado por suposta lavagem de dinheiro envolvendo a empresa de ônibus Transunião e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o documento, Roseli é mãe de Ingrid Caires Martins Bernardino, apontada como destinatária de repasses financeiros considerados suspeitos pela investigação. Ela também é ex-companheira de Leonel Moreira Martins, identificado pela Polícia Civil como operador financeiro da organização criminosa investigada.
O relatório afirma ainda que Roseli participou da campanha eleitoral do vereador Senival Moura (PT) em 2020. Na sequência, passou a ocupar cargos comissionados, inicialmente no gabinete do deputado federal Nilto Tatto e, posteriormente, no gabinete de Jilmar Tatto, onde permanece como secretária parlamentar.
Outro ponto destacado pelos investigadores é que a empresa Transunião Transportes S.A., concessionária responsável por dezenas de linhas de ônibus na Zona Leste da capital, teria sido utilizada para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. A polícia também apura a utilização de empresas ligadas à família investigada para movimentação financeira com indícios de lavagem de dinheiro.
Até o momento, Jilmar Tatto não figura como investigado nem foi denunciado no caso. O relatório policial menciona exclusivamente a assessora parlamentar e seus vínculos familiares, circunstâncias que seguem sob apuração das autoridades competentes. A investigação continua em andamento e poderá resultar em novos desdobramentos.
Análise | Gabrielle Tricanico
A citação de uma assessora diretamente vinculada ao gabinete de um deputado federal amplia o alcance político da Operação Última Parada. Embora o relatório não atribua qualquer responsabilidade criminal a Jilmar Tatto, o episódio aumenta a pressão sobre o PT em São Paulo justamente em um momento de reorganização das forças políticas para as eleições de 2026.
Além dos reflexos jurídicos, o caso reforça o debate sobre critérios de nomeação em cargos comissionados e mecanismos de controle em setores historicamente sensíveis, como o transporte coletivo da capital. A expectativa agora é pelos próximos passos da investigação, que poderá esclarecer a extensão dos vínculos apontados no relatório policial.
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