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Itália sob tensão: protestos contra o custo de vida deixam 28 presos e 141 agentes feridos

Manifestações em Milão, Turim e Bolonha tiveram confrontos, saques e destruição de lojas; novos ataques ao comércio ampliam a preocupação com a segurança nas cidades italianas.

Por Gabrielle Tricanico | INTERNACIONAL | ITÁLIA

Os protestos na Itália contra o aumento do custo de vida provocaram um fim de semana de tensão, com confrontos nas ruas, estabelecimentos saqueados e ataques às forças de segurança. O balanço divulgado pelo Departamento de Segurança Pública sobre as manifestações de sábado, 17 de outubro, aponta 28 pessoas presas, entre elas 12 menores de idade, e 141 agentes feridos em diferentes cidades italianas.

Segundo as autoridades, 197 pessoas foram identificadas e encaminhadas a unidades policiais, enquanto outras 43 tiveram suas condutas comunicadas às autoridades judiciárias. Os episódios atingiram principalmente Milão, Turim e Bolonha, cidades que concentraram mobilizações convocadas pelo movimento “Italia in Piazza”.

A convocação tinha como pautas o encarecimento da vida, os preços dos combustíveis e a pressão dos impostos. Durante os atos, porém, grupos passaram a atacar policiais e estabelecimentos comerciais, transformando áreas de circulação de moradores, trabalhadores e turistas em pontos de confronto.

Protestos em Milão: centro comercial atingido por saques e destruição

Em Milão, capital da Lombardia e um dos principais centros econômicos da Europa, aproximadamente 5 mil pessoas participaram da manifestação de sábado. A região da Piazza Duomo, um dos cartões-postais mais conhecidos da Itália, esteve entre os locais atingidos pela violência.

Grupos lançaram pedras, garrafas e artefatos explosivos contra agentes, montaram barricadas e danificaram lojas. As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e canhões de água.

O balanço de sábado na cidade registrou 17 presos, incluindo cinco adolescentes, e 22 pessoas comunicadas à Justiça. Ao todo, 72 foram levadas à sede da polícia. Esses números integram o levantamento nacional e não devem ser somados novamente ao total de 28 prisões.

Os saques em Milão também atingiram a rotina do comércio. Vitrines quebradas, mercadorias levadas e mobiliário destruído acrescentaram prejuízos aos estabelecimentos localizados nas áreas dos confrontos.

Novos confrontos na Itália ampliam alerta neste domingo

Neste domingo, 18 de outubro, novos grupos voltaram ao centro de Milão. Foram registrados ataques a lojas e supermercados, destruição de estruturas externas de estabelecimentos e lançamento de objetos contra policiais.

Na atualização divulgada pela emissora pública italiana Rai, mais de 200 pessoas haviam sido encaminhadas à polícia para identificação e averiguação ao longo do domingo. Aproximadamente 80% eram menores de idade.

Esse levantamento corresponde aos encaminhamentos realizados no segundo dia de ocorrências em Milão. A condução para identificação não significa, automaticamente, prisão ou responsabilização criminal.

A repetição dos ataques ampliou a preocupação com a proteção das áreas comerciais e turísticas e com a capacidade de impedir novas ações de grupos que se deslocam pelo centro da cidade.

Turim e Bolonha também registram prisões

Os confrontos em Turim ocorreram durante uma mobilização com aproximadamente 3 mil participantes. Segundo o balanço policial, um adulto foi preso por resistência a agente público e três adolescentes foram detidos com garrafas incendiárias. Também houve danos a uma livraria na estação de Porta Nuova.

Em Bolonha, onde cerca de 2 mil pessoas participaram do ato, cinco adolescentes foram presos e outras sete pessoas foram comunicadas às autoridades judiciárias. Brescia e Bergamo também registraram ocorrências relacionadas às manifestações.

A presença de adolescentes entre os detidos aparece como um dos pontos de atenção no balanço das autoridades. As responsabilidades individuais pelos ataques dependem da apuração de cada ocorrência.

Governo italiano e Prefeitura de Milão divergem sobre segurança

A resposta aos episódios de violência abriu uma disputa entre o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, e o ministro do Interior, Matteo Piantedosi.

Sala condenou os ataques e questionou se a quantidade de policiais disponíveis era suficiente para enfrentar os grupos envolvidos nos confrontos. O prefeito também defendeu a diferenciação entre os participantes pacíficos e os responsáveis pela destruição.

Piantedosi rebateu as críticas e afirmou que o debate sobre o efetivo não deveria deslocar a responsabilidade de quem praticou os atos violentos. O ministro informou que as investigações buscam identificar os envolvidos e que os dispositivos de segurança serão avaliados.

A primeira-ministra Giorgia Meloni manifestou solidariedade às forças de segurança e convocou uma reunião sobre ordem pública para segunda-feira, 19 de outubro.

As manifestações contra o custo de vida na Itália colocam duas questões no centro do debate público: as reivindicações econômicas que motivaram os atos e a resposta aos grupos responsáveis pelos ataques. Para moradores e comerciantes das áreas atingidas, os efeitos imediatos são os danos ao patrimônio, a interrupção das atividades e a insegurança diante da possibilidade de novos confrontos.

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