A queda das temperaturas mudou o cardápio e o comportamento do consumidor nas feiras livres da capital paulista. Com o clima frio, as bancas registram uma forte mudança na procura, onde saem de cena as folhas leves de salada e entram as frutas cítricas ricas em vitamina C, além de legumes pesados voltados para o preparo de caldos, sopas e cozidos. De acordo com os feirantes, a mexerica e a tangerina, nas variedades poncã e murcote, tornaram-se as campeãs de vendas devido ao auge da safra que reduz os preços. Nas bancas de hortaliças, a busca disparou por tubérculos como mandioquinha, mandioca, inhame e batata-doce, além de verduras robustas como couve e repolho. Até as tradicionais bancas de pastel registram filas maiores de clientes atrás de alimentação quente na hora.
O setor reflete a força do abastecimento de rua na maior cidade do país. Supervisionada pela Secretaria Municipal das Subprefeituras, a rede de São Paulo conta atualmente com cerca de 880 feiras semanais, que funcionam de terça a domingo. O sistema engloba mais de 12 mil feirantes cadastrados e atrai um público estimado em 3 milhões de pessoas a cada semana. Toda essa engrenagem gera também um desafio de zeladoria urbana, já que as feiras produzem diariamente cerca de 400 toneladas de resíduos orgânicos e embalagens. Para mitigar o impacto ambiental, a prefeitura mantém o programa Feira Sustentável, que recolhe restos de podas, cascas e vegetais danificados para transformá-los em adubo orgânico em pátios de compostagem, devolvendo o material como nutriente para os parques da capital.
