Festival reúne autores brasileiros e internacionais para discutir literatura, conflitos contemporâneos, deslocamentos humanos e o papel da ficção na compreensão do mundo.
Por Gabrielle Tricanico | Rio de Janeiro | Paraty
O segundo dia da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) 2026 consolida a proposta desta edição de transformar a literatura em um espaço de reflexão sobre os grandes desafios da atualidade. Depois da abertura marcada pela homenagem aos poetas Augusto Massi e Marília Garcia, a programação desta quinta-feira (23) amplia o diálogo entre escritores brasileiros e estrangeiros, colocando em pauta temas como guerra, migração, desenraizamento, memória, relações familiares, criação artística e luto.
O caráter internacional da FLIP ganha força com a presença de escritores vindos de diferentes países, incluindo autores ucranianos que trazem para o festival perspectivas sobre conflitos armados, deslocamentos forçados e os impactos da guerra na produção literária contemporânea. A participação desses convidados reforça o papel da FLIP como um dos principais espaços de intercâmbio cultural da América Latina.
Entre os destaques da programação está a mesa das 15h, que reúne as escritoras brasileiras Andréa Del Fuego e Paulliny Tort. Consideradas pela curadoria entre as mais inventivas ficcionistas do país, elas discutem os limites entre imaginação e realidade, refletindo sobre a capacidade da literatura de reinterpretar experiências humanas e provocar novas leituras da sociedade.
Às 17h, o público acompanha um encontro entre o escritor italiano Andrea Bajani, vencedor do tradicional Prêmio Strega, e a brasileira Maria Esther Maciel. A conversa propõe um diálogo entre diferentes tradições literárias e reforça a vocação internacional do festival, aproximando narrativas europeias e latino-americanas em torno da construção da memória, da identidade e da experiência humana.
Outro momento aguardado é a apresentação da atriz, diretora e dramaturga Denise Stoklos, reconhecida internacionalmente por sua linguagem cênica inovadora. Sua participação amplia a programação para além da literatura, evidenciando a relação entre palavra, performance e expressão artística.
Diferentemente da abertura, o segundo dia conta com uma programação mais extensa e diversificada, incluindo uma mesa extra no período da noite. A escolha dos temas demonstra que a FLIP mantém sua tradição de promover debates que ultrapassam os livros, aproximando literatura, política, cultura e questões sociais que impactam o mundo contemporâneo.
Análise da jornalista Gabrielle Tricanico
A FLIP reafirma sua posição como um dos principais eventos literários do Brasil ao utilizar a literatura como ferramenta de compreensão das transformações sociais e geopolíticas. Em um cenário internacional marcado por conflitos, migrações e polarizações, o festival evidencia que escritores e artistas continuam desempenhando um papel fundamental na preservação da memória, na construção do pensamento crítico e na defesa do diálogo entre diferentes culturas.
Mais do que lançar livros, a FLIP transforma Paraty em um centro de produção de conhecimento, movimentando a economia criativa, fortalecendo o turismo cultural e projetando o município para o cenário internacional.
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