Por Gabrielle Tricanico | São Paulo | Modo Eleições Ativado
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) deve oficializar sua candidatura ao Governo do Estado de São Paulo em Ribeirão Preto, no próximo dia 25 de julho, durante a convenção estadual do partido. Se confirmada, será a primeira vez que o PT realiza sua convenção estadual fora da capital paulista, em uma estratégia clara de ampliar o diálogo com o eleitorado do interior, região considerada decisiva para a corrida ao Palácio dos Bandeirantes.
A escolha de Ribeirão Preto tem forte simbolismo político. Além de ser um dos principais polos econômicos do estado e referência do agronegócio, a cidade representa um eleitorado que historicamente oferece maior resistência ao PT. A leitura da campanha é de que a eleição para governador de São Paulo passa, obrigatoriamente, pelo desempenho no interior, onde o atual governador Tarcísio de Freitas construiu ampla vantagem sobre Haddad na disputa de 2022.
A movimentação também marca o início da polarização da corrida eleitoral paulista. Enquanto Haddad busca romper barreiras fora da capital e ampliar sua presença no interior, Tarcísio prepara sua campanha à reeleição apoiado na força de sua gestão, no respaldo de prefeitos aliados e na ampla capilaridade política construída ao longo do mandato.
Análise
A escolha de Ribeirão Preto vai além da logística da convenção. É um gesto político cuidadosamente calculado pelo PT para demonstrar que a disputa pelo Governo de São Paulo será travada também no interior, região onde Fernando Haddad precisa reduzir a rejeição histórica ao partido e conquistar um eleitorado que tradicionalmente vota em candidaturas de centro-direita.
Outro detalhe chama atenção no calendário eleitoral: a convenção estadual do PT acontecerá no mesmo dia da convenção nacional do Partido Liberal (PL), marcada para 25 de julho. A coincidência transforma a data em um dos primeiros grandes marcos da disputa de 2026. Enquanto Haddad buscará apresentar sua candidatura ao eleitorado paulista diretamente do interior do estado, o PL reunirá sua principal vitrine política para consolidar seu projeto nacional e fortalecer seus candidatos em São Paulo.
A leitura nos bastidores é que nenhuma das datas foi escolhida por acaso. O PT pretende mostrar que está disposto a disputar votos onde tradicionalmente encontra maior resistência. Já o PL busca reforçar sua musculatura política em um estado considerado estratégico para o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas e para a construção de sua chapa nacional.
O dia 25 de julho, portanto, deve marcar o início simbólico da campanha eleitoral em São Paulo. Mais do que convenções partidárias, será uma demonstração de força entre os dois principais grupos políticos que disputarão o maior colégio eleitoral do país, antecipando uma eleição que promete ser uma das mais polarizadas da história recente do estado.
