Artista Zezão fala sobre sua trajetória de 31 anos, a ocupação das cidades pelo grafite e o uso de materiais descartados para criar novas formas de expressão.
Com uma trajetória de 31 anos ligada à arte urbana, Zezão transformou o grafite em uma forma de ocupar e ressignificar espaços da cidade. Nascido no Brás, em São Paulo, o artista começou influenciado pelo skate, pela cultura de rua e pelo movimento hip hop. Ao longo dos anos, levou seu trabalho para diferentes lugares do Brasil e também do exterior, mantendo a essência de uma arte democrática e acessível.
A relação com locais degradados também passou a fazer parte de sua identidade artística. Em fábricas abandonadas, espaços subterrâneos e outros pontos pouco acessíveis, Zezão encontrou beleza em paredes, ruínas e objetos descartados. A partir desse olhar, passou a incorporar materiais encontrados na rua às obras, unindo arte e reaproveitamento e criando uma linguagem que também revela situações de abandono e exclusão social. O trabalho ganhou ainda uma dimensão fotográfica, registrando lugares que normalmente não fazem parte do cotidiano da população.
A trajetória também levou o artista das ruas para galerias, telas, esculturas e grandes projetos. Zezão conta que passou a viver de sua arte em 2005 e hoje trabalha com diferentes materiais e linguagens, sem abandonar a produção espontânea nas ruas. Para ele, a arte exige resistência, dedicação e, principalmente, paixão. A mensagem deixada para quem está começando é justamente essa: encontrar um caminho, fazer aquilo que realmente desperta identificação e compreender que construir uma carreira artística exige tempo, persistência e amor pelo que se faz.
