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Governo de SP reduz período de baixa pressão da água, mas cenário hídrico ainda exige atenção

Autorização para reduzir a Gestão de Demanda Noturna de 10 para 8 horas representa um alívio para parte da população da Grande São Paulo, porém os níveis dos principais mananciais seguem em estado de atenção e mantêm o abastecimento sob monitoramento.

Por Gabrielle Tricanico | São Paulo | Grande São Paulo

O Governo do Estado de São Paulo autorizou a Sabesp a reduzir o período diário de baixa pressão na rede de abastecimento de água da Região Metropolitana. Desde domingo (2), a chamada Gestão de Demanda Noturna passou de 10 para 8 horas diárias, ocorrendo entre 21h e 5h, conforme determinação da Arsesp. A medida foi adotada após melhora parcial das condições dos mananciais em razão das chuvas registradas nas últimas semanas.

Apesar da flexibilização, o cenário ainda inspira cautela. O Sistema Integrado Metropolitano opera em nível considerado de atenção e o Sistema Cantareira, responsável por abastecer milhões de pessoas, permanece na faixa de alerta, com volume significativamente inferior à média histórica para o período. A operação continua condicionada às regras de segurança hídrica e à necessidade de preservação dos reservatórios.

Segundo a Sabesp, a redução controlada da pressão durante a madrugada tem como objetivo diminuir perdas na rede, reduzir vazamentos e preservar água nos mananciais. A companhia afirma que a estratégia já resultou na economia de cerca de 183 bilhões de litros de água desde sua implantação.

Análise da jornalista Gabrielle Tricanico

A redução do período de baixa pressão é uma notícia positiva para moradores que enfrentaram meses de dificuldades, principalmente nas regiões mais altas e periféricas da Grande São Paulo. No entanto, a medida não significa que o problema do abastecimento esteja solucionado.

Ao longo dos últimos meses, A Guardiã da Notícia acompanhou e deu voz a inúmeras reclamações de moradores de diferentes regiões do estado que relataram falta de água, baixa pressão durante o dia e interrupções frequentes no abastecimento. Em muitas localidades, o impacto foi sentido principalmente por famílias sem caixa-d’água adequada, comércios e serviços essenciais.

O desafio permanece estrutural. A melhora dos índices dos reservatórios permite uma operação menos restritiva, mas não elimina a necessidade de investimentos em redução de perdas, ampliação da segurança hídrica, modernização da infraestrutura e, principalmente, maior transparência na comunicação com a população quando ocorrem oscilações no abastecimento.

A experiência da crise hídrica vivida pelo estado demonstra que a gestão da água precisa ser permanente, e não apenas reativa aos períodos de estiagem. A população espera que a diminuição da baixa pressão represente o início de uma normalização efetiva do serviço, sem que bairros inteiros voltem a enfrentar dias de torneiras secas.

Prestação de serviço

Moradores que continuarem enfrentando falta d’água ou baixa pressão devem registrar ocorrência junto à Sabesp pelos canais oficiais de atendimento. Caso o problema persista, a recomendação é formalizar a reclamação para que haja acompanhamento técnico da concessionária e dos órgãos reguladores.

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