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Flávio Bolsonaro abre 13 pontos sobre Lula no Paraná e amplia vantagem para 17 pontos no segundo turno

Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (18) mostra Flávio Bolsonaro com 44% contra 31% de Lula no primeiro turno. Em eventual confronto direto, o placar vai a 52% a 35%. Recortes revelam, porém, um Paraná eleitoralmente dividido por renda, idade e gênero.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | PARANÁ

O Paraná desponta como um dos territórios mais difíceis para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição. Pesquisa presidencial da Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, 18 de agosto, coloca Flávio Bolsonaro (PL) na liderança com 44% das intenções de voto, contra 31% de Lula no cenário estimulado — uma diferença de 13 pontos percentuais. Renan Santos (Missão) aparece com 7%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Romeu Zema (Novo) com 2% e Augusto Cury (Avante) com 1%. Brancos e nulos representam 5% e outros 5% não souberam ou não responderam.

O levantamento está registrado sob o número BR-09275/2026 e foi divulgado em 18 de agosto. Foram realizadas 1.600 entrevistas com eleitores paranaenses entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Flávio também aparece à frente na pergunta espontânea

O resultado ganha peso político porque a vantagem não aparece apenas quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.

Na pesquisa espontânea, em que o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos, Flávio Bolsonaro é citado por 24% e Lula por 22%. Renan Santos aparece com 3%; Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Jair Bolsonaro têm 1% cada. Outros somam 2%. Nesse cenário, 11% dizem votar branco ou nulo e 35% ainda não sabem ou não responderam.

A diferença de apenas dois pontos entre Flávio e Lula na espontânea está dentro da margem de erro da pesquisa. O dado mais relevante desse quadro é o tamanho do eleitorado ainda sem escolha declarada: mais de um terço dos entrevistados.

Quando os nomes são apresentados, entretanto, Flávio salta de 24% para 44%, enquanto Lula passa de 22% para 31%. É nesse momento que a vantagem do candidato do PL se amplia de maneira expressiva.

Segundo turno amplia distância: 52% a 35%

O cenário mais contundente do levantamento aparece em uma eventual disputa direta.

Em um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, o candidato do PL registra 52%, enquanto o presidente alcança 35%. A diferença chega, portanto, a 17 pontos percentuais. Outros 7% votariam branco ou nulo e 6% não souberam ou não responderam.

O resultado indica que, dentro da fotografia captada pela pesquisa, Flávio não apenas conserva a liderança do primeiro turno como consegue ampliar sua vantagem quando o eleitor é obrigado a escolher entre os dois principais polos da disputa.

É um dado particularmente importante para as estratégias nacionais porque o Paraná possui peso eleitoral relevante no Sul e historicamente apresenta comportamento político diferente de regiões onde o PT concentra seus melhores desempenhos.

A eleição muda radicalmente conforme a renda

Um dos recortes mais importantes da pesquisa está na renda.

Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula aparece na frente, com 45%, contra 34% de Flávio Bolsonaro.

A relação se inverte entre os que recebem de dois a cinco salários mínimos: Flávio chega a 45%, enquanto Lula registra 30%.

A diferença torna-se muito maior entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos: Flávio Bolsonaro alcança 56%, contra apenas 12% de Lula.

Esse recorte ajuda a explicar parte da vantagem geral do candidato do PL. Lula mantém força entre os eleitores de menor renda, mas Flávio avança fortemente conforme cresce a faixa salarial. A disputa paranaense, portanto, não se resume a uma divisão partidária: apresenta uma clara clivagem socioeconômica.

Entre homens, vantagem de Flávio é muito maior

O levantamento também mostra uma diferença relevante entre homens e mulheres.

Entre o eleitorado masculino, Flávio Bolsonaro registra 49%, contra 27% de Lula, uma distância de 22 pontos.

Entre as mulheres, o cenário é significativamente mais equilibrado: Flávio tem 39% e Lula, 35%, diferença de apenas quatro pontos.

O dado coloca o eleitorado feminino como uma das principais áreas de disputa no Paraná. Enquanto Flávio possui vantagem consolidada entre os homens, a competição entre os dois principais candidatos se estreita fortemente entre as mulheres.

Lula consegue virar entre eleitores com 60 anos ou mais

A idade produz outra divisão importante.

Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Flávio Bolsonaro marca 42% e Lula, 22%. Renan Santos alcança 13%, desempenho proporcionalmente superior ao registrado no conjunto do eleitorado.

Na faixa dos 35 aos 59 anos, Flávio amplia sua votação para 48%, enquanto Lula registra 33%.

Mas o cenário muda entre os eleitores com 60 anos ou mais: Lula chega a 39% e Flávio aparece com 38%. Considerada a margem de erro do levantamento, os dois estão tecnicamente empatados nesse segmento.

A fotografia mostra, portanto, uma vantagem de Flávio sustentada especialmente entre eleitores jovens e de meia-idade, enquanto Lula recupera competitividade entre os mais velhos.

Rejeição é o grande obstáculo de Lula no Paraná

Outro indicador ajuda a compreender por que o presidente enfrenta dificuldade para crescer no estado.

Na pergunta de rejeição múltipla — em que o entrevistado aponta em quem não votaria — Lula aparece com 56%, o maior índice entre os nomes testados. Flávio Bolsonaro tem rejeição de 38%. Ronaldo Caiado e Rui Costa Pimenta aparecem com 28%, enquanto Renan Santos registra 27%.

A diferença de 18 pontos entre as rejeições de Lula e Flávio ajuda a explicar o comportamento do cenário de segundo turno. Para o presidente, o desafio no Paraná não é apenas ampliar intenção de voto, mas reduzir a resistência de uma parcela expressiva do eleitorado.

Essa dificuldade também aparece na avaliação do governo federal: 62% desaprovam a administração Lula e 35% aprovam. Na avaliação qualitativa, 46% classificam o trabalho presidencial como ruim ou péssimo; 27%, como regular; e 24%, como ótimo ou bom.

Análise: Paraná expõe uma eleição dentro da eleição

A leitura conjunta dos números mostra que o Paraná possui diferentes disputas acontecendo simultaneamente.

Flávio Bolsonaro lidera o cenário geral e tem desempenho particularmente forte entre homens, eleitores de renda média e alta e pessoas de até 59 anos. Lula, por outro lado, demonstra maior competitividade entre mulheres, pessoas de menor renda e eleitores com 60 anos ou mais.

Para o PL, o desafio será preservar essa vantagem durante a campanha e transformar intenção de voto em comparecimento efetivo às urnas. Para o PT, o problema é mais estrutural: além de buscar novos votos, a campanha precisa enfrentar uma rejeição presidencial de 56% no estado e uma desaprovação do governo que chega a 62%.

Há ainda um elemento que recomenda cautela: 35% dos entrevistados não souberam ou não responderam na pergunta espontânea. Isso mostra que, apesar da vantagem expressiva de Flávio no cenário estimulado, existe uma parcela considerável do eleitorado que ainda não manifesta espontaneamente uma escolha presidencial.

A fotografia de agosto, portanto, coloca o Paraná como um terreno amplamente favorável a Flávio Bolsonaro, mas também revela onde cada campanha encontra seus limites e suas possibilidades de crescimento. Com a disputa eleitoral avançando, renda, gênero, idade, avaliação do governo e rejeição deverão ser variáveis decisivas para compreender se essa vantagem será mantida ou reduzida até outubro.

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