A Defesa Civil do Estado de São Paulo mantém o gabinete de crise ativo nesta sexta-feira, em decorrência do alto volume de precipitações registrado ao longo da semana. Apesar do início de março ter sido marcado pelo tempo seco, os últimos dias trouxeram chuvas intensas e concentradas para a capital paulista. No entanto, a previsão do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo traz boas notícias para quem deseja aproveitar os próximos dias ao ar livre.
O balanço das chuvas de março De acordo com os dados do CGE, a capital já acumulou 111,3 milímetros de chuva neste mês, o que corresponde a aproximadamente 63,5% do volume total esperado para março, que é de 175,3 milímetros. O meteorologista do CGE, Michel Pantera, explica que esse volume compensa a escassez registrada em janeiro e fevereiro, que fecharam com índices abaixo da média. A expectativa é que março termine com o volume de precipitação ligeiramente acima do esperado, ajudando a recuperar o nível dos reservatórios antes da transição para o período mais seco do ano, previsto para o final do outono.
Previsão de tempo bom para os próximos dias A sexta-feira ainda apresenta um clima instável, com muita nebulosidade, chuviscos e temperaturas amenas, não ultrapassando os 23 graus. Há possibilidade de chuvas isoladas, de fraca a moderada intensidade, entre a tarde e o início da noite. Embora não haja risco de temporais, o alerta permanece para o elevado potencial de alagamentos e deslizamentos, em virtude do solo encharcado.
A partir de sábado, o cenário melhora significativamente. O sol volta a predominar entre nuvens, favorecendo a elevação das temperaturas, que devem variar entre 18 e 27 graus. Pode ocorrer nebulosidade no fim da tarde, mas com chance apenas para precipitações rápidas e muito isoladas. Já o domingo promete ainda mais calor, com os termômetros podendo alcançar os 29 graus, garantindo um fim de semana ideal para atividades externas.
Mudanças climáticas e a intensificação dos extremos O meteorologista também analisou o impacto das mudanças climáticas no padrão atmosférico da cidade. A antiga “Terra da Garoa”, historicamente caracterizada por chuvas fracas e constantes, agora lida com eventos climáticos mais bruscos. Períodos atípicos de seca vêm sendo interrompidos por tempestades severas e muito concentradas. Pantera esclarece que, geralmente, as tempestades com ventos muito fortes costumam trazer volumes menores de água, enquanto as chuvas que causam grandes alagamentos — como a que atingiu a região do Ipiranga, Saúde e o ABC Paulista no último domingo, com mais de 100 milímetros — costumam apresentar ventos menos intensos, mas despejam enormes quantidades de água em áreas bastante restritas.
Alerta constante contra raios A incidência de raios continua sendo uma grande preocupação na Grande São Paulo. A combinação do forte calor, a chegada da brisa marítima no final da tarde e o fenômeno da “ilha de calor”, provocado pela intensa urbanização, criam o ambiente perfeito para tempestades elétricas — uma situação que costuma ser ainda mais estimulada sob os efeitos do fenômeno El Niño. A principal recomendação do CGE para a população é buscar abrigo imediato no interior de edificações de alvenaria durante as tempestades, evitando permanecer em áreas expostas, como lajes, pontos de ônibus e debaixo de árvores.
