Primeira pesquisa Datafolha após o início oficial da campanha aponta empate técnico na liderança e revela um eleitorado ainda distante de uma definição; 21% indicam voto branco, nulo ou em nenhum candidato e 14% estão indecisos.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | ESTADO DE SÃO PAULO
A disputa pelas duas cadeiras de São Paulo no Senado Federal começa a campanha oficial de 2026 sem um favorito isolado e com espaço para uma mudança significativa no quadro eleitoral. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) coloca Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) numericamente na liderança, ambas com 12% das intenções de voto. André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), aparece logo atrás, com 10%.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Marina, Tebet e André do Prado estão tecnicamente empatados. O levantamento é o primeiro do Datafolha divulgado depois do início oficial do período de campanha eleitoral. (Folha de S.Paulo)
Derrite e Salles formam segundo pelotão
Na sequência aparecem dois nomes identificados com o campo da direita paulista. Guilherme Derrite (PP) registra 7% e Ricardo Salles (Novo), 6%. Pela margem de erro, os dois também estão tecnicamente empatados entre si. (Folha de S.Paulo)
Depois aparecem Geraldo Rufino (Podemos), com 4%; Soninha Francine (Cidadania) e Dra. Eliana Ferreira (PSTU), ambas com 3%; e Maria de Souza (UP), com 2%. William Teixeira (AGIR), Petter Maahs (PCB) e Ednelson Cesaretti (PCO) registram 1% cada, enquanto Weller Gonçalves (PSTU) não pontuou.
Eleitorado ainda está longe de definir as duas vagas
Um dos números que mais chama a atenção está fora da lista de candidatos. Segundo o levantamento, 21% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco, anular ou não escolher nenhum dos nomes apresentados. Outros 14% estão indecisos.
A indefinição fica ainda mais evidente na pesquisa espontânea: 79% dos eleitores não souberam indicar espontaneamente um candidato ao Senado. (Folha de S.Paulo)
O dado ajuda a dimensionar o tamanho do território ainda em disputa. Diferentemente da corrida pelo Governo de São Paulo, na qual o Datafolha aponta Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 45% e Fernando Haddad (PT) com 27%, a eleição para o Senado começa muito mais fragmentada. (Folha de S.Paulo)
Interior, Grande São Paulo e capital entram no centro da estratégia
O cenário coloca a regionalização da campanha entre os principais desafios dos candidatos. São Paulo reúne realidades eleitorais distintas na capital, Região Metropolitana, Grande ABC, Alto Tietê, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Litoral Norte e nas diferentes regiões do interior.
Com percentuais ainda relativamente baixos entre os primeiros colocados e elevado contingente de eleitores sem candidato definido, a capacidade de transformar alianças municipais, prefeitos, vereadores, lideranças regionais e presença territorial em voto tende a ganhar peso na disputa.
A eleição paulista para o Senado também deverá funcionar como uma extensão da polarização das chapas estaduais. Marina Silva e Simone Tebet integram a composição ligada à candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo, enquanto André do Prado e Guilherme Derrite estão no campo político de Tarcísio de Freitas. (Folha de S.Paulo)
Pesquisa diferente mostra como a corrida ainda pode oscilar
Outro levantamento recente reforça a necessidade de cautela na leitura dos números. O Paraná Pesquisas, divulgado na quarta-feira (19), apresentou percentuais bem diferentes: Simone Tebet tinha 31,1%, Marina Silva 30,1% e Guilherme Derrite 28,2%, tecnicamente empatados. Ricardo Salles aparecia com 19,7% e André do Prado com 16,8%. (UOL Notícias)
As diferenças decorrem, entre outros fatores, da metodologia e da forma como a pergunta é apresentada ao eleitor, razão pela qual pesquisas de institutos diferentes não devem ser tratadas como uma série histórica única.
Duas vagas e uma campanha ainda em construção
Em 2026, São Paulo escolherá dois senadores, o que torna a dinâmica eleitoral diferente de uma disputa por cargo majoritário de vaga única. O eleitor pode votar em dois nomes, ampliando as possibilidades de combinação entre candidatos de campos políticos distintos.
Neste início de campanha, portanto, o Datafolha aponta menos para uma liderança consolidada e mais para uma corrida aberta: apenas dois pontos separam Marina e Tebet, com 12%, de André do Prado, com 10%, enquanto uma parcela expressiva do eleitorado ainda não definiu seus votos.
O levantamento ouviu 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas, nos dias 18 e 19 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob os números SP-01806/2026 e BR-07185/2026. (Folha de S.Paulo)
