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Café brasileiro escapa do tarifaço dos EUA e garante fôlego para as exportações em meio às tensões comerciais

Decisão do governo norte-americano preserva o principal produto do agronegócio brasileiro no mercado dos Estados Unidos, mas setor mantém alerta para nova investigação que pode resultar em tarifas futuras.

Por Gabrielle Tricanico | Brasil | Economia e Política

O café brasileiro conquistou uma importante vitória na política comercial internacional. As entidades que representam o setor anunciaram nesta quinta-feira (16) que o governo dos Estados Unidos decidiu manter o café verde e ampliar a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% discutida no âmbito da investigação comercial conduzida pelo United States Trade Representative (USTR). A medida também passou a contemplar o café solúvel não aromatizado, resultado de uma articulação conjunta entre representantes brasileiros e importadores norte-americanos.

Na prática, a decisão preserva um dos principais pilares da balança comercial brasileira. Os Estados Unidos são o maior consumidor e importador mundial de café, movimentando entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano apenas nas compras do produto brasileiro. Com a exclusão do café verde, do café industrializado, do café solúvel e de seus subprodutos da lista de sobretaxação, o Brasil mantém sua competitividade em um mercado estratégico.

Sob a ótica da política econômica, a decisão representa um alívio para o governo federal e para toda a cadeia produtiva do agronegócio. Em um momento de aumento das disputas comerciais globais e de revisão das políticas tarifárias pelos Estados Unidos, evitar uma sobretaxa de 25% significa preservar empregos, receitas de exportação e a entrada de divisas no país.

Entretanto, o cenário ainda exige cautela. As entidades Abic, Abics e Cecafé alertam que permanece em andamento uma segunda investigação do USTR, também baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que poderá resultar na aplicação de uma tarifa de até 12,5% sobre o café brasileiro. Por isso, o setor afirma que continuará atuando junto às autoridades e parceiros internacionais para defender a competitividade dos cafés brasileiros.

Análise – Gabrielle Tricanico

A decisão evidencia que, além da qualidade do produto brasileiro, a diplomacia econômica e a atuação institucional das entidades do agronegócio continuam sendo determinantes para preservar mercados estratégicos. Em um contexto de crescente protecionismo internacional, manter o café fora do tarifaço evita impactos relevantes sobre uma das commodities mais importantes da pauta exportadora nacional.

Apesar da vitória, o episódio demonstra que as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos seguem sob monitoramento constante. O desafio agora será impedir que novas investigações comerciais resultem em barreiras que possam comprometer a competitividade do agronegócio brasileiro no principal mercado consumidor de café do mundo.

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