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Brasília: Alcolumbre pauta PEC do fim da escala 6×1 para dois dias após o 1º turno das eleições

Proposta reduz jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e amplia descanso para dois dias; votação chega ao Plenário do Senado em meio à reta decisiva das Eleições 2026 e exige apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASÍLIA

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou na pauta do Plenário para terça-feira, 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno das Eleições 2026, a Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da chamada escala 6×1.

A decisão leva para o centro do Congresso Nacional, imediatamente após a votação de domingo (4), uma das principais discussões trabalhistas do país: a redução da jornada semanal e a ampliação do período de descanso dos trabalhadores.

A matéria em discussão é a PEC 221/2019. O texto prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diárias, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A proposta estabelece ainda que a redução da jornada ocorra sem diminuição salarial.

Na prática, a mudança constitucional abre caminho para uma nova organização da jornada de trabalho, substituindo situações em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um por uma estrutura que assegure dois dias de repouso semanal, observadas as regras previstas na legislação e as particularidades de determinadas atividades.

PEC JÁ PASSOU PELA CÂMARA E PELA CCJ DO SENADO

A proposta chega ao Plenário depois de avançar por etapas importantes dentro do Congresso Nacional.

A Câmara dos Deputados aprovou a PEC em dois turnos em maio de 2026. Depois disso, a matéria seguiu para o Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça.

O parecer favorável ficou sob responsabilidade do senador Omar Aziz (PSD-AM). A CCJ aprovou a proposta, permitindo que o texto avançasse para análise do conjunto dos 81 senadores.

A votação no Plenário, entretanto, tornou-se uma questão de articulação política. Como se trata de uma alteração na Constituição Federal, não basta uma maioria simples para aprovar a mudança.

PEC PRECISA DE PELO MENOS 49 SENADORES

Para uma Proposta de Emenda à Constituição ser aprovada pelo Senado são necessários votos favoráveis de três quintos dos parlamentares da Casa.

Isso significa que a PEC precisa receber o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, e esse número precisa ser alcançado em dois turnos de votação.

A exigência transforma a construção de maioria em uma das questões centrais da discussão.

Caso o Senado aprove integralmente o texto que já passou pela Câmara, a proposta poderá avançar para a etapa de promulgação após a conclusão do rito constitucional. Se os senadores fizerem alterações de mérito, a matéria precisará retornar à Câmara dos Deputados.

VOTAÇÃO ACONTECE EM MEIO À DISPUTA PRESIDENCIAL

A escolha do dia 6 de outubro acrescenta um forte componente político ao calendário do Congresso.

A sessão está prevista para acontecer apenas 48 horas depois do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para domingo, 4 de outubro.

O tema também está presente no debate eleitoral nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, tem defendido a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o enfrentamento da escala 6×1.

A discussão, entretanto, antecede a atual campanha presidencial. A PEC 221 foi apresentada originalmente em 2019 e passou por diferentes etapas e negociações no Congresso ao longo dos últimos anos.

Outras propostas relacionadas à jornada de trabalho também passaram a integrar o debate político e legislativo, ampliando a pressão para que Câmara e Senado discutissem uma mudança constitucional.

EMPRESÁRIOS E TRABALHADORES DISCUTEM IMPACTOS

Além da disputa política, a mudança envolve um debate econômico relevante.

Representantes de setores empresariais manifestam preocupação com os efeitos da redução da jornada sobre custos operacionais, contratação de trabalhadores, funcionamento de empresas e organização de escalas, especialmente em atividades que funcionam de maneira contínua.

Comércio, serviços, transportes, indústria, saúde, hotelaria, alimentação e outras áreas que dependem de escalas estão entre os segmentos diretamente envolvidos na discussão.

Do outro lado, sindicatos e entidades representativas dos trabalhadores defendem que a redução da jornada pode proporcionar melhores condições de descanso, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

A definição das regras e de eventuais mecanismos de transição será especialmente relevante para empresas que precisam manter atividades durante sete dias da semana.

O QUE MUDA PARA O TRABALHADOR

A aprovação da PEC não significa simplesmente a proibição de qualquer atividade profissional aos sábados ou domingos.

O ponto central está na quantidade máxima de horas trabalhadas e no período de descanso semanal garantido constitucionalmente.

Empresas que funcionam durante finais de semana e feriados poderão continuar dependendo de escalas, mas terão de organizar suas equipes de acordo com as novas limitações constitucionais e com a regulamentação aplicável.

Por isso, os efeitos concretos da mudança poderão variar conforme o setor econômico, os acordos coletivos e a forma como a nova jornada for implementada.

CONGRESSO RETOMA TEMA LOGO APÓS AS URNAS

A inclusão da PEC na pauta não representa sua aprovação automática. O primeiro desafio será verificar se existe apoio suficiente para alcançar os 49 votos necessários no Senado.

A movimentação, porém, coloca uma pauta de grande impacto social e econômico no centro das atenções nacionais imediatamente após o primeiro turno.

Enquanto o país acompanha o resultado das urnas e os possíveis desdobramentos para um segundo turno, o Senado deverá voltar suas atenções para uma discussão capaz de modificar uma das regras mais importantes das relações de trabalho no Brasil.

A sessão prevista para 6 de outubro poderá, portanto, marcar um novo capítulo de uma discussão que ultrapassa o Congresso e alcança diretamente trabalhadores, empregadores e setores produtivos de todo o país.

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