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Brasil ganha espaço entre os melhores cafés da América do Sul: 12 cafeterias entram no Top 100 e Curitiba chega ao 4º lugar

Ranking internacional de 2026 amplia de sete para 12 o número de estabelecimentos brasileiros entre os melhores do continente; São Paulo aparece com representantes na capital e em Sorocaba, enquanto Curitiba concentra o melhor desempenho nacional

Por Gabrielle Tricanico | GASTRONOMIA E NEGÓCIOS | BRASIL

O Brasil ampliou sua presença no mapa sul-americano dos cafés especiais. A edição de 2026 do The South America’s 100 Best Coffee Shops colocou 12 cafeterias brasileiras entre as 100 melhores da América do Sul, espalhadas por oito estados e diferentes regiões do país.

O resultado representa um avanço importante em relação à edição anterior. Em 2025, sete estabelecimentos brasileiros haviam conquistado espaço na seleção. Agora são 12, um crescimento de aproximadamente 71% no número de representantes nacionais dentro do ranking.

O maior destaque brasileiro é a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, no Paraná, que conquistou a 4ª colocação geral e ficou atrás apenas de estabelecimentos do Chile, Equador e Colômbia.

A liderança sul-americana ficou com a Eco Mapu Coffee, de Villarrica, no Chile. Na sequência aparecem a FANKØR, de Quito, no Equador, e a Differente Coffee, da Colômbia. A Lucca ocupa a quarta posição e coloca o Brasil entre os quatro primeiros lugares do continente.

As 12 cafeterias brasileiras entre as melhores da América do Sul

A presença nacional se espalha do Nordeste ao Sul e mostra que o mercado de cafés especiais deixou de estar concentrado apenas nos maiores centros gastronômicos brasileiros.

4ª — Lucca Cafés Especiais — Curitiba (PR)
É a cafeteria brasileira mais bem posicionada da edição de 2026 e a única do país entre as dez primeiras.

13ª — RDV Roasters — Maceió (AL)
A representante alagoana coloca o Nordeste entre os principais destaques brasileiros e aparece como a segunda cafeteria do país mais bem classificada.

14ª — Do Coado ao Espresso — Salvador (BA)
A Bahia aparece logo na sequência, reforçando a presença nordestina entre os primeiros colocados brasileiros.

17ª — Elisa Café e Torrefação — Belo Horizonte (MG)
A cafeteria mineira coloca Belo Horizonte entre as cidades brasileiras de maior destaque na classificação.

22ª — King Experience – Cafeteria e Escola de Café — Goiânia (GO)
Goiás também integra o mapa nacional, mostrando a expansão do mercado especializado para o Centro-Oeste.

33ª — Williams & Sons Coffee Co. — Porto Alegre (RS)
A capital gaúcha aparece com dois estabelecimentos no Top 100.

36ª — Abuela Café & Torrefação — Porto Alegre (RS)
Com a Abuela, Porto Alegre se junta a Curitiba entre as cidades brasileiras com mais de uma cafeteria na seleção.

49ª — Giotti Cafés Microtorrefação — Juiz de Fora (MG)
Minas Gerais conquista seu segundo representante, desta vez fora da capital.

57ª — Royalty Café — Curitiba (PR)
Curitiba também emplaca duas cafeterias. Além da Lucca no Top 5, a Royalty ocupa a 57ª colocação.

62ª — Coffee Five — Rio de Janeiro (RJ)
A capital fluminense representa o estado do Rio de Janeiro na lista continental.

76ª — Cafeteria 15 Coffee Company — Sorocaba (SP)
O interior paulista ganha projeção internacional com a presença de Sorocaba entre as cidades contempladas.

89ª — Cupping Café — São Paulo (SP)
A capital paulista completa a relação brasileira e garante ao Estado de São Paulo dois representantes entre os 100 selecionados.

São Paulo coloca capital e interior no ranking

Sob a perspectiva regional, o resultado chama atenção para a participação paulista. São Paulo é representado por dois estabelecimentos em duas regiões distintas: a capital e Sorocaba, no interior.

A Cafeteria 15 Coffee Company, de Sorocaba, ocupa a 76ª posição, enquanto a Cupping Café, da capital paulista, aparece em 89º lugar.

A presença de Sorocaba é particularmente significativa para a descentralização desse mercado. O reconhecimento internacional dos cafés especiais brasileiros não fica restrito às capitais ou aos bairros tradicionalmente associados à alta gastronomia. O interior paulista também passa a integrar esse circuito.

É uma cadeia que envolve muito mais do que a venda de uma xícara de café. Microtorrefações, fornecedores de equipamentos, cursos para baristas, produtores rurais, padarias artesanais, restaurantes, comércio eletrônico e turismo gastronômico passaram a orbitar o segmento.

Curitiba assume protagonismo brasileiro

Se São Paulo aparece com dois representantes, é Curitiba que alcança a posição brasileira de maior destaque.

Fundada em 2002 por Georgia Franco de Souza e Luiz Otávio Franco Souza, a Lucca Cafés Especiais construiu sua trajetória apostando em um conceito que ainda começava a ganhar espaço no Brasil no início dos anos 2000: trabalhar o café a partir de sua origem, com seleção dos grãos e torrefação própria.

A empresa seleciona mais de 50 microlotes de fazendas brasileiras ao longo do ano e ampliou sua atuação para outras áreas relacionadas à experiência gastronômica, incluindo panificação artesanal de fermentação natural, cursos e comércio eletrônico.

A colocação deste ano também representa um salto expressivo para a empresa. A Lucca havia ocupado a 69ª posição na edição anterior e passou agora para o quarto lugar.

Curitiba ainda aparece novamente no ranking com a Royalty Café, na 57ª posição. Dessa maneira, a capital paranaense termina a edição de 2026 com duas representantes entre as 100 melhores da América do Sul.

Mais de 4 mil cafeterias avaliadas

O processo que resultou no ranking envolveu a avaliação de mais de 4,2 mil cafeterias ao longo de mais de um ano.

A metodologia combina análise especializada e participação popular. A avaliação de especialistas corresponde a 70% do resultado, enquanto a votação do público representa os outros 30%.

Entre os critérios observados estão qualidade do café, conhecimento e técnica dos baristas, atendimento, inovação, ambiente e atmosfera, sustentabilidade, gastronomia e consistência da experiência oferecida.

Isso significa que a classificação não considera apenas o produto servido na xícara. A avaliação procura observar a cafeteria como negócio e experiência, levando em conta desde a preparação do café até serviço, ambiente e relação com o consumidor.

Café especial transforma produto agrícola em experiência de maior valor agregado

O crescimento desse mercado também evidencia uma transformação importante na própria cadeia brasileira do café.

Historicamente reconhecido internacionalmente pela dimensão de sua produção agrícola, o Brasil também desenvolveu nas últimas décadas um mercado consumidor voltado aos chamados cafés especiais.

Nesse segmento, elementos como origem do grão, propriedade produtora, variedade, altitude, processamento, perfil de torra e método de extração passam a integrar a experiência de consumo.

A rastreabilidade também ganha importância. Em vez de simplesmente oferecer “café”, muitos estabelecimentos informam ao consumidor de qual região ou fazenda saiu determinado lote e quais características podem ser encontradas na bebida.

Esse movimento cria possibilidades de agregação de valor em diferentes pontos da cadeia, do produtor ao consumidor final.

Ranking revela descentralização dos cafés especiais no Brasil

A distribuição geográfica das 12 cafeterias é um dos aspectos mais relevantes do resultado de 2026.

O Paraná aparece com Curitiba; São Paulo, com a capital e Sorocaba; Minas Gerais, com Belo Horizonte e Juiz de Fora; Rio Grande do Sul, com Porto Alegre; Alagoas, com Maceió; Bahia, com Salvador; Goiás, com Goiânia; e Rio de Janeiro, com a capital.

São, portanto, dez cidades brasileiras representadas.

O mapa demonstra que o consumo especializado e os empreendimentos dedicados ao café avançaram para mercados regionais distintos. Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul aparecem na classificação.

Além disso, algumas cidades colocaram mais de um estabelecimento na seleção. Curitiba e Porto Alegre possuem duas cafeterias cada, enquanto Minas Gerais e São Paulo contam com dois representantes estaduais em municípios diferentes.

Brasil passa de sete para 12 representantes

O salto de sete cafeterias em 2025 para 12 em 2026 não significa, isoladamente, que o mercado brasileiro tenha crescido 71% em apenas um ano. O percentual representa especificamente o aumento do número de estabelecimentos brasileiros presentes nesse ranking.

Ainda assim, a ampliação da participação nacional é um indicador da projeção conquistada por diferentes empreendimentos brasileiros dentro da seleção.

O resultado também coloca negócios regionais diante de uma vitrine internacional, justamente em um setor no qual reputação, origem, experiência e identidade local são componentes importantes da marca.

Para o Brasil, que ocupa posição histórica na cadeia mundial do café, a presença de 12 estabelecimentos entre os 100 selecionados acrescenta outra dimensão a essa relação: o país não aparece somente como produtor do grão, mas também como território de torrefação, inovação, gastronomia e consumo especializado.

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