Mercado financeiro reage a cenário político acirrado e investidores estrangeiros apostam em transição de governo, enquanto inflação global pressiona juros.
O índice Ibovespa registrou uma alta expressiva de 3,05%, impulsionado pelo otimismo do mercado financeiro diante das recentes pesquisas eleitorais, que apontam um empate técnico na disputa presidencial. A perspectiva de uma possível transição de governo atraiu forte capital estrangeiro, com investidores comprando opções de índice na expectativa de que a bolsa brasileira possa atingir a marca de 230 mil pontos no futuro. O desempenho positivo também foi alavancado pelas ações da Petrobras e do Banco do Brasil, em meio à escalada global no preço do barril de petróleo, que bateu 97 dólares devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. O governo federal também anunciou medidas para disciplinar e incentivar o processamento de terras raras no país, buscando inserir o Brasil no mercado produtor de componentes tecnológicos.
A alta contínua do petróleo acende um alerta direto para o retorno da inflação, refletindo fortemente na política monetária nacional. O Brasil mantém atualmente a maior taxa de juros real do planeta, com a Selic fixada em 14%, embora exista a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião econômica de setembro. O cenário de juros altos agrava o nível de endividamento público, que já compromete 82% do Produto Interno Bruto (PIB) e corre o risco de alcançar 100% até 2027, tracionado pelo aumento constante dos gastos estatais. Diferente de potências como Estados Unidos e Japão, que captam recursos pagando taxas de 1% a 2% ao ano por serem considerados bons pagadores, o risco fiscal interno exige prêmios elevados para atrair investidores aos títulos públicos.
Diante de um mês projetado como altamente volátil em razão da proximidade das eleições, a recomendação técnica recai sobre a proteção do capital na renda fixa, especialmente no Tesouro Direto, que possui opções atreladas à inflação (IPCA) e à taxa Selic. Essa modalidade oferece segurança e liquidez, permitindo aportes iniciais acessíveis diretamente pelo sistema governamental ou por meio de corretoras. No câmbio, o dólar operou em queda de 0,92%, cotado a R$ 5,10, amparado por projeções de bancos internacionais indicando que um cenário futuro de rigor fiscal poderia reduzir a moeda para R$ 4,50 e fixar a taxa básica de juros abaixo dos 10%.
