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Alckmin ganha protagonismo na campanha de Lula e assume missão estratégica para reduzir rejeição do PT em São Paulo

Vice-presidente é oficializado na chapa presidencial e passa a coordenar a campanha no Sudeste, com foco em ampliar o diálogo com prefeitos, interior paulista, empresariado e agronegócio, enquanto também fortalece a candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo.

Por Gabrielle Tricanico | Política | São Paulo e Brasília

A oficialização do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como candidato à reeleição ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca uma nova fase da estratégia eleitoral do Palácio do Planalto para 2026. Mais do que manter a composição da chapa vencedora de 2022, Lula entrega a Alckmin uma das funções mais sensíveis da campanha: coordenar o Sudeste, região que concentra o maior colégio eleitoral do país e será decisiva para o resultado das urnas.

A missão do ex-governador paulista vai além da campanha presidencial. Em São Paulo, Alckmin é visto por lideranças do PSB e aliados como a principal ponte para reduzir a histórica resistência ao PT no interior do Estado, fortalecer a candidatura de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes e ampliar o diálogo com prefeitos, empresários, produtores rurais e lideranças políticas que tradicionalmente não orbitam a base petista.

Com trajetória construída em São Paulo — onde foi prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal e governador por quatro mandatos — Alckmin reúne um capital político consolidado entre gestores municipais. Essa experiência é considerada estratégica para ampliar a capilaridade da campanha em cidades médias e pequenas, especialmente onde o PT enfrenta dificuldades eleitorais.

No cenário nacional, Lula também atribui ao vice a responsabilidade de manter interlocução com o setor produtivo. Alckmin ganhou protagonismo recente ao conduzir negociações com empresários e representantes dos Estados Unidos durante a crise provocada pelo aumento de tarifas comerciais, reforçando sua imagem de articulador moderado e de perfil técnico.

Durante a convenção do PSB, Lula voltou a destacar publicamente a lealdade do vice-presidente, afirmando confiar plenamente em Alckmin e classificando-o como um parceiro de “honestidade” e “capacidade de trabalho”, reforçando a mensagem de estabilidade institucional que a campanha pretende transmitir.

Análise da jornalista Gabrielle Tricanico

A decisão de colocar Geraldo Alckmin na coordenação do Sudeste demonstra que a campanha de Lula identifica São Paulo como o principal campo de batalha eleitoral de 2026. Não se trata apenas de preservar uma aliança política, mas de utilizar o prestígio e a credibilidade do ex-governador para diminuir resistências ao PT em segmentos onde a legenda historicamente encontra dificuldades.

O movimento também fortalece diretamente Fernando Haddad na disputa pelo Governo de São Paulo. Enquanto Haddad concentra o discurso programático, Alckmin pode funcionar como elo de confiança junto a prefeitos, lideranças municipais, empresários e ao eleitor moderado do interior paulista.

A estratégia evidencia que a eleição em São Paulo deverá ser uma das mais disputadas do país. Tanto a base governista quanto a oposição tratam o Estado como peça-chave para definir o equilíbrio de forças na política nacional pelos próximos quatro anos. O protagonismo atribuído a Alckmin indica que o governo aposta na experiência, na moderação e na capacidade de articulação do vice-presidente para ampliar a competitividade da chapa presidencial e da candidatura governista no maior colégio eleitoral brasileiro.

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