Polícia Civil e Gaeco investigam favorecimento a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no Alto Tietê; operação apreendeu dinheiro e colocou rotinas de custódia sob fiscalização.
Por Gabrielle Tricanico | SEGURANÇA PÚBLICA | MOGI DAS CRUZES
A Polícia Civil afastou três delegados, um investigador e um carcereiro em Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, durante a investigação sobre supostas regalias concedidas a presos na cadeia pública do município. Entre os possíveis beneficiados está Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, preso desde setembro.
As informações foram apuradas pela A Guardiã da Notícia com a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Os cinco servidores prestaram depoimento à Corregedoria-Geral da corporação no sábado (17).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os afastamentos buscam garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências. A medida não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos servidores.
Regalias na cadeia de Mogi das Cruzes são alvo de operação
A suspeita de favorecimento a presos motivou a Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo MPSP na sexta-feira (16). O Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no 1º Distrito Policial e em um imóvel residencial do município.
A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Penal, além de cães de faro.
De acordo com o Ministério Público, os elementos reunidos apontam movimentação frequente de visitantes sem vínculo familiar com os custodiados. Os investigadores apuram se esses acessos ocorreram em desacordo com as condições de prisão e se outros benefícios irregulares foram concedidos.
A investigação busca esclarecer quais privilégios teriam sido permitidos, quem os autorizou e se houve participação de agentes públicos no suposto favorecimento.
Buscas encontram dinheiro com carcereiro e em residência
Durante a operação em Mogi das Cruzes, foram localizados aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil na residência de um carcereiro, além de cerca de R$ 4 mil que estavam com o agente na unidade prisional.
A origem dos valores e sua eventual relação com os fatos investigados ainda precisam ser esclarecidas. A apreensão do dinheiro, isoladamente, não comprova pagamento pela concessão de regalias.
Segundo o MPSP, as condutas investigadas podem configurar, em tese, crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação. A definição das responsabilidades dependerá da análise das provas.
Polícia Civil fiscaliza cadeia pública e 1º Distrito Policial
Além das buscas, a Corregedoria determinou correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Os procedimentos fiscalizam os serviços e as rotinas administrativas e operacionais das unidades.
Essa frente da apuração examina os mecanismos de controle da custódia. O objetivo é verificar como as unidades funcionavam e identificar possíveis falhas ou condutas que tenham permitido tratamento privilegiado a presos.
No Alto Tietê, o caso envolve diretamente a estrutura estadual responsável pela vigilância e custódia de detidos. A investigação deverá esclarecer se as suspeitas decorrem de falhas de fiscalização ou de ações deliberadas de servidores.
Por que Milton Leite está preso em Mogi das Cruzes
Milton Leite se apresentou à Polícia Civil no município em 18 de setembro, após ser alvo da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e no poder público.
A prisão temporária do ex-presidente da Câmara de São Paulo foi prorrogada por mais 30 dias em 15 de outubro. Ele nega envolvimento com a organização criminosa.
A investigação sobre supostas regalias tem objeto próprio: esclarecer as condições de permanência dos presos na unidade de Mogi das Cruzes e a eventual concessão de vantagens incompatíveis com as regras de custódia.
Defesa de Milton Leite nega tratamento privilegiado
Os advogados de Milton Leite negam que o ex-vereador receba ou tenha recebido regalias. Segundo a defesa, ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições dos demais custodiados.
Em manifestação sobre o caso, os advogados afirmaram que ainda não haviam tido acesso à investigação do Ministério Público nem aos elementos que sustentam as suspeitas. Também declararam disponibilidade para colaborar com a apuração.
As investigações da Polícia Civil e do Gaeco prosseguem para determinar se houve favorecimento a presos na cadeia de Mogi das Cruzes e identificar os eventuais responsáveis.

