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Alesp 2027: saída de André do Prado abre guerra pelo comando da Assembleia; disputa coloca Rodrigo Ashiuchi, do Alto Tietê, e Thiago Auricchio, do Grande ABC, no centro das articulações do PL

Com 27 deputados estaduais eleitos, PL desponta como força decisiva na sucessão da presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo. Alex Madureira e Rogério Franco também entram na disputa, enquanto Valdemar Costa Neto, Tarcísio de Freitas e o futuro senador André do Prado se tornam peças fundamentais nas negociações.

Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA | SÃO PAULO

A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), prevista para fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores da política paulista e promete provocar uma disputa de poder dentro do Partido Liberal (PL). Com uma bancada de 27 deputados estaduais eleitos, a legenda reúne força política para tentar manter o comando da Casa, mas enfrenta um desafio: construir um acordo entre lideranças experientes e novos nomes que chegam ao Legislativo com respaldo político e articulações regionais.

A sucessão de André do Prado (PL), eleito senador por São Paulo nas eleições de outubro de 2026, abre uma nova etapa na disputa pelo controle de uma das instituições mais importantes do estado. Mais do que definir quem ocupará a presidência da Assembleia, a escolha envolve o relacionamento com o Palácio dos Bandeirantes, a condução do orçamento estadual, a articulação das bancadas partidárias e o espaço que as diferentes regiões paulistas terão nas decisões políticas.

Quatro nomes aparecem nas movimentações internas: Alex Madureira (PL), Thiago Auricchio (PL), Rodrigo Ashiuchi (PL) e Rogério Franco (PL).

Para a área de cobertura de A Guardiã da Notícia, a disputa tem um significado especial. O Grande ABC e o Alto Tietê estão diretamente representados por dois dos nomes colocados no tabuleiro sucessório, ampliando o peso das lideranças regionais na definição do próximo comando da Assembleia.

Grande ABC: Thiago Auricchio ganha força pela experiência e pelo diálogo com Tarcísio

Thiago Auricchio (PL), ligado politicamente a São Caetano do Sul e ao Grande ABC, aparece entre os nomes considerados competitivos para a presidência da Alesp.

Eleito para exercer seu terceiro mandato como deputado estadual, Auricchio construiu uma trajetória de atuação parlamentar que inclui quatro anos à frente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), uma das estruturas mais relevantes da Assembleia.

A comissão analisa aspectos constitucionais, jurídicos e regimentais das proposições legislativas, exercendo influência importante sobre o andamento dos projetos apresentados pelos deputados e pelo Executivo.

Essa experiência é apontada como uma vantagem em uma disputa que exige conhecimento do funcionamento da Casa e capacidade de negociação.

Outro fator é seu perfil político considerado moderado e de bom trânsito entre diferentes partidos.

Nos bastidores, essa característica é vista como favorável ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que terá interesse em manter uma relação institucional estável com o Legislativo durante o próximo mandato.

Para o Grande ABC, uma eventual eleição de Auricchio representaria a possibilidade de ampliar a participação regional nas decisões da Assembleia, especialmente em discussões envolvendo mobilidade, saúde, infraestrutura e investimentos estaduais.

Alto Tietê: Rodrigo Ashiuchi entra no tabuleiro e coloca Suzano na disputa pelo comando da Alesp

O ex-prefeito de Suzano Rodrigo Ashiuchi (PL) surge como uma alternativa entre os novos deputados estaduais eleitos.

Com trajetória construída no Executivo municipal, Ashiuchi chega à Assembleia com experiência administrativa e relações políticas consolidadas no Alto Tietê.

Durante sua passagem pela Prefeitura de Suzano, participou de articulações com lideranças estaduais e federais para viabilizar investimentos em infraestrutura, saúde e desenvolvimento urbano.

Sua proximidade com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é apontada como um dos principais ativos políticos de sua eventual candidatura.

Entretanto, a avaliação atribuída a parlamentares ouvidos pelo Metrópoles é de que sua candidatura enfrenta resistências por se tratar de um deputado que ainda iniciará o primeiro mandato.

A questão central é se o apoio partidário e a experiência no Executivo seriam suficientes para compensar a ausência de trajetória legislativa.

Para o Alto Tietê, a presença de Ashiuchi na disputa já representa um movimento relevante. A região, formada por municípios como Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Arujá e Guararema, tem demandas que dependem diretamente das decisões orçamentárias e políticas do governo estadual.

A eventual ascensão de uma liderança regional à presidência da Assembleia poderia ampliar sua capacidade de articulação institucional, embora não represente garantia automática de investimentos.

Alex Madureira: experiência no orçamento fortalece candidatura do veterano

Alex Madureira (PL), ligado à região de Piracicaba, chega à disputa com uma vantagem importante: o conhecimento das negociações orçamentárias e dos mecanismos internos do Legislativo.

O deputado exerceu a relatoria do Orçamento estadual nos últimos três anos, função que envolve a análise da proposta de receitas e despesas do governo, além de negociações sobre prioridades de investimentos.

Seu nome já vinha sendo mencionado desde 2025 como possível sucessor de André do Prado.

Madureira representa, portanto, a alternativa da continuidade administrativa e da experiência parlamentar.

Ao lado de Thiago Auricchio, é apontado por deputados ouvidos pelo Metrópoles como um dos favoritos dentro da bancada liberal.

Rogério Franco: aliado de André do Prado pode surpreender e superar os veteranos

O ex-prefeito de Cotia Rogério Franco (PL), eleito para seu primeiro mandato estadual, aparece como uma das peças mais importantes da disputa.

Seu principal diferencial é a proximidade política com André do Prado.

Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, André e Valdemar Costa Neto estariam articulando condições para viabilizar sua candidatura.

Esse movimento cria um cenário de confronto entre a preferência de parte dos deputados experientes e a capacidade de articulação das lideranças partidárias.

Se a direção nacional do PL decidir investir em um nome estreante, Rogério Franco é apontado como uma opção mais viável do que Rodrigo Ashiuchi, conforme as avaliações de parlamentares relatadas pela publicação.

Os números que explicam a disputa pelo poder

A Assembleia Legislativa de São Paulo possui 94 cadeiras. Nas eleições de 2026, o PL conquistou 27 vagas, consolidando-se como a maior bancada da Casa.

A legenda terá aproximadamente 29% dos assentos, mas não reúne votos suficientes para eleger sozinha o presidente.

Isso significa que o futuro comandante da Assembleia dependerá de alianças com outras legendas, incluindo partidos que integram a base de sustentação do governador Tarcísio de Freitas.

A formação de uma maioria parlamentar será decisiva para a escolha do novo presidente e para a definição da Mesa Diretora.

O resultado também evidencia a importância das articulações regionais. O PL conseguiu reunir lideranças com trajetórias políticas diferentes, desde parlamentares experientes até ex-prefeitos que conquistaram mandatos estaduais.

A convivência entre esses grupos será um dos principais desafios da legenda.

Os votos recebidos pelos quatro possíveis candidatos

Deputado Região de referência Votos em 2026
Rodrigo Ashiuchi (PL) Suzano / Alto Tietê 162.562
Alex Madureira (PL) Piracicaba 122.704
Rogério Franco (PL) Cotia / Região Metropolitana 89.156
Thiago Auricchio (PL) São Caetano / Grande ABC 59.942

Os números eleitorais apresentados na apuração indicam que Rodrigo Ashiuchi obteve a maior votação entre os quatro nomes mencionados. Entretanto, a votação popular não determina automaticamente a escolha do presidente da Assembleia.

A eleição da Mesa Diretora depende da capacidade de cada candidato de conquistar o apoio dos próprios deputados estaduais.

Análise política | Gabrielle Tricanico

André do Prado deixa a presidência, mas continuará influente no tabuleiro paulista

A eleição de André do Prado para o Senado Federal muda a configuração do poder em São Paulo, mas não significa necessariamente uma redução de sua influência sobre a Assembleia.

Pelo contrário. A relação construída com prefeitos, deputados e lideranças partidárias durante sua presidência poderá colocá-lo em posição relevante na negociação de seu sucessor.

A grande questão é saber se André conseguirá transformar esse capital político em apoio a Rogério Franco ou se a bancada preferirá uma solução construída em torno de parlamentares mais experientes.

Também será necessário observar o papel de Valdemar Costa Neto.

O presidente nacional do PL mantém relações políticas importantes no Alto Tietê, região onde Rodrigo Ashiuchi construiu sua trajetória. Entretanto, a proximidade partidária não garante que Ashiuchi seja o escolhido para comandar a Assembleia.

No Grande ABC, Thiago Auricchio apresenta outra vantagem: o conhecimento do Legislativo e a capacidade de transitar entre diferentes forças políticas. Seu perfil poderá ganhar importância se a escolha depender de um acordo mais amplo com a base governista.

Alex Madureira, por sua vez, possui uma vantagem institucional difícil de ignorar. Sua experiência no orçamento o coloca entre os parlamentares com conhecimento técnico e político para conduzir negociações envolvendo o Executivo e os deputados.

O verdadeiro teste para o PL será conciliar a força de sua bancada com os interesses de André do Prado, Valdemar Costa Neto e Tarcísio de Freitas.

A disputa não se resume a quatro nomes. Ela envolve diferentes projetos de liderança e a capacidade de influenciar as decisões de São Paulo durante os próximos dois anos.

Para o Alto Tietê e o Grande ABC, o processo merece atenção especial. A presença de Rodrigo Ashiuchi e Thiago Auricchio nas articulações mostra que as lideranças regionais participam diretamente das negociações pelo comando do Legislativo paulista.

Existe ainda uma variável que não pode ser ignorada: o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, poderá influenciar o equilíbrio de forças entre os partidos e o ritmo das negociações estaduais.

O resultado nacional poderá fortalecer ou enfraquecer determinadas lideranças e provocar mudanças nas prioridades políticas das legendas.

Também será necessário acompanhar o posicionamento de Tarcísio de Freitas. O governador possui interesse direto na construção de uma maioria legislativa capaz de garantir estabilidade administrativa e condições políticas para aprovar projetos considerados estratégicos.

Nesse contexto, a escolha do presidente da Alesp ultrapassa os interesses internos do PL.

Ela será uma demonstração de força de quem efetivamente consegue reunir votos, negociar alianças e estabelecer pontes entre o Legislativo e o Executivo.

A maior bancada não significa, necessariamente, o controle absoluto da Assembleia. O comando dependerá da capacidade de transformar força eleitoral em maioria política.

Até fevereiro de 2027, novas alianças poderão surgir, candidaturas poderão ser retiradas e nomes ainda não consolidados poderão ganhar espaço.

Para André do Prado, a sucessão também representa um teste de liderança. Depois de comandar a Assembleia e conquistar uma cadeira no Senado, sua influência sobre a escolha do próximo presidente poderá demonstrar o alcance de sua articulação dentro do PL.

Para Rodrigo Ashiuchi e Thiago Auricchio, a disputa representa uma oportunidade de projetar o Alto Tietê e o Grande ABC para o centro das decisões estaduais.

A eleição terminou nas urnas, mas a disputa pelo poder político em São Paulo está apenas começando.

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